3 comédias divertidas pra esquecer o coronavírus

filmespandemia

Que tal rir um pouquinho pra fugir da realidade tão cruel que estamos passando? Se liga aí nessa lista de comédias fresquinhas que eu separei para você se distrair. (Dá uma olhada na classificação etária antes de chamar as crianças pra assistir, viu?) 3 comédias divertidas que você vai gostar Os filmes estão disponíveis na Netflix e o último na Amazon Prime Video. 1. Te Quiero, Imbécil (2020) é uma das comédias divertidas Disponível na Netflix (16 anos) Marcos (Quim Gutiérrez) perde a noiva e o emprego no mesmo dia. Um programa de autoajuda na TV o motiva a fazer algumas mudanças, como: frequentar academia, mudar a alimentação etc. Nesse meio tempo, ele topa com uma amiga da escola que não via há 20 anos (Natalia Tena). Parece previsível, né? É uma comédia romântica espanhola que se concentra no essencial: fazer rir. Entretanto, traz alguns questionamentos muito bacanas também. Como é ser homem no século 21? Existe um padrão? É preciso se vestir como hipster e se adequar a outros modelos pra se dar bem na vida e no amor? O mais legal é a quebra da quarta parede: quando o protagonista olha pra gente sempre que deseja compartilhar ideias ou frustrações. Te quiero, Imbécil foi escrito por Abraham Sastre e Iván Bouso, com direção de Laura Mañá. 2. A Missy Errada (2020) Disponível na Netflix (16 anos) Tim (Spade) conhece uma moça num aplicativo de namoro, mas o encontro é desastroso. Melissa, ou Missy (Lauren Lapkus) é escandalosa, mergulha o cabelo no vinho antes de bebê-lo e carrega uma faca na bolsa chamada Sheila. No aeroporto, ele conhece outra moça chamada Missy, ambos descobrem que têm muitas afinidades e trocam o número de telefone. Na tentativa de conquistá-la, a convida por mensagem de texto para passar um fim de semana no Havaí, em um retiro da empresa. Tim só percebe que chamou a Missy errada quando a primeira Missy entra no avião. A partir daí, o relacionamento se torna um verdadeiro carro desgovernado. A Missy Errada é um filme produzido por Adam Sandler. 3. Jexi – Um Celular Sem Filtro (2019) Disponível no Amazon Prime Vídeo (16 anos) Phil (Adam Devine) é um rapaz que desde criança foi incentivado a usar a tecnologia para se distrair dos problemas. Como resultado, se tornou um adulto com pouco traquejo social, sem amigos nem relacionamentos amorosos. Quando o idolatrado celular quebra, ele é obrigado a comprar outro. O novo aparelho tem um moderno sistema de Inteligência Virtual chamado Jexi. Depois de anunciar que está disponível para melhorar a vida dele, Jexi o chama de idiota por aceitar os termos e condições do serviço sem ler e diz: “Tenho vergonha de ser o seu telefone…”. A falta de química no romance de Phil e Kate (Alexandra Shipp) me incomodou um pouco, mas assistir Phil sendo massacrado por Jexi a todo momento é uma das comédias divertidas que, com certeza, vale o filme. Dei boas gargalhadas.

Eu sei o que o Marketing de Conteúdo fez no verão passado

capa magazine

* Parte do artigo que escrevi para a capa da Rock Content Magazine, a revista digital/impressa da maior agência de marketing digital da América Latina. Para receber a revista completa gratuitamente, preencha o formulário.  Bem antes da invenção da internet, as pessoas precisavam melhorar as vendas — e gerar necessidade sempre foi um dos pilares do marketing. Fabricantes de equipamentos agrícolas, gelatina e pneus parecem não ter nada em comum, mas foram eles os pioneiros do conteúdo. Confira a linha do tempo que conta a história de como tudo isso começou e resultou no marketing que conhecemos hoje. 1895 – Revista The Furrow da Deere & Company John Deere é, praticamente, o pai do marketing de conteúdo. O empresário britânico, dono da Deere & Company, líder mundial na fabricação de equipamentos agrícolas, lançou uma revista de notícias para ajudar os fazendeiros a impulsionarem os resultados do negócio. The Furrow é publicada em 4 idiomas para 115 países e expandiu o alcance com o formato digital — hoje são mais de 2 milhões de leitores no mundo.  1900 – Guia de informações da Michelin  A Michelin, fabricante de pneus, desenvolveu o Michelin Guide, com informações sobre manutenção de automóveis, acomodações e outras dicas aos motoristas. O guia foi impresso para aumentar a demanda por carros e, naturalmente, pneus.  1904 – Livro de receitas da Gelatina Jell-O As vendas estavam ruins, afinal, muita gente não sabia como preparar a gelatina. O que a equipe da Jell-O fez em pleno 1904? Distribuiu um livro de receitas de porta em porta que apresentava a sobremesa como uma opção saudável e versátil. Resultado: dois anos depois, as vendas subiram mais de US $ 1 milhão.  1924 – Conteúdo informativo na Rádio WLS As empresas começaram a despertar para a importância de manter o público informado também pelo rádio. Algumas até investiram na própria estação com ajuda da emissora Word’s Largest Store. 1994 – Popularização da internet e início do conteúdo digital A internet ganhou o mundo quando o cientista Tim Berners-Lee criou a World Wide Web, ou www. Na mesma época, a Netscape desenvolveu o protocolo HTTPS — HyperText Transfer Protocol Secure, que garante o envio de dados criptografados. Em 1998 o Google foi lançado e, aos poucos, desbancou outros mecanismos de busca que dominavam o mercado. Hoje, ele é usado por 80% dos usuários que desejam encontrar informações (Content Trends 2019). A partir dos anos 2000, as redes sociais começaram a crescer com bastante força e ofereceram novas maneiras de as empresas se relacionarem com o público até hoje, 19 anos depois. O primeiro blog da história da internet foi publicado pelo brasileiro Cláudio Pinhanez, funcionário do MIT Media Lab. Ele escrevia sobre acontecimentos da vida pessoal. Não demorou muito para os blogs corporativos surgirem. O filhinho de Jonh Deere cresceu. Em 2006, a empresa americana Hubspot criou o conceito de inbound marketing. A ideia se popularizou em 2009, com a publicação do livro “Inbound Marketing: seja encontrado usando o Google, a mídia social e os blogs”, de Brian Halligan e Dharmesh Shah. Em 2013, três jovens experientes do mercado de marketing digital, sabendo que o conteúdo relevante era fundamental para alavancar os resultados, fundaram a Rock Content. Dois anos depois, a equipe recebeu o prêmio Internacional Rookie of The Year. As intenções do inbound marketing são praticamente as mesmas dos primórdios do conteúdo: criar experiência de valor, causar impacto positivo nas pessoas, reforçar a autoridade etc. A diferença está no jeito de fazer, ou seja, a mensagem é personalizada, entregue de forma contínua nos momentos mais convenientes dentro da jornada do cliente. Nesse sentido, o que antes era considerado arte se transformou em ciência com ajuda de inovação, tecnologia, ferramentas e dados. * Parte do artigo que escrevi para a capa da Rock Content Magazine, a revista digital/impressa da maior agência de marketing digital da América Latina. Para receber a revista completa gratuitamente, preencha o formulário.  A revista também traz artigos sobre: personalização para vender mais e melhor; o crescimento e poder dos podcasts; como a interatividade melhora a experiência do usuário; a luta contra os algoritmos das redes sociais; inteligência Artificial, em um artigo de opinião; entrevista com o CGO da OLX; case de sucesso da Escola Brasileira de Direito e muito mais.

Vamos bater um papo sobre estupro de crianças e adolescentes?

violência patrimonial é uma forma de agressão silenciosa.

Não pense que o caso mais recente de estupro de vulnerável em Ubajara é um crime isolado. Ele só foi descoberto porque a mãe da menina leu uma carta endereçada à amiguinha. Quem sofre violência sexual tem medo de falar, é coagida pelo agressor e não sabe lidar com a situação a menos que seja orientada. Portanto, é provável que muitos fatos semelhantes estejam acontecendo agora. O noticiário é um verdadeiro termômetro: temas como feminicídio e estupro estão sempre na pauta. Sabendo que isso é cada vez mais recorrente, o que pretendemos fazer pra combater o problema? Você já parou pra pensar que essa experiência traumática que muitas meninas e meninos passam pode ser evitada com educação sexual? Sem educação sexual, crianças e adolescentes não sabem diferenciar sexo de estupro. Eu sei que muita gente torce o nariz quando se toca nesse assunto, mas para e pensa. Pra te ajudar nesse exercício, visualize a construção de duas personagens. A primeira é Letícia, 11 anos. Letícia é fã de filmes de princesa, tem o quarto todo decorado de rosa e estuda no período da tarde. Não sabe absolutamente nada da vida real a não ser as histórias românticas que assiste na TV. A segunda é Eduarda, 11 anos. Eduarda também é estudiosa e adora assistir televisão. No entanto, os pais controlam o que ela pode ver de acordo com a idade da menina. Eles também conversam sobre vários assuntos, afinal, toda menina que está entrando na adolescência passa por diversas transformações no corpo e tem muitas dúvidas. É natural. Durante esses diálogos, Eduarda foi ensinada que os adultos namoram, que é por meio do contato íntimo que os bebês nascem, que é errado o adulto tocar nas partes íntimas dela, e que, se isso acontecer, deve contar para a mãe ou outro adulto de confiança. Agora, compare a realidade dessas duas meninas e responda: quem você acha que está mais vulnerável a cair nas mãos de um estuprador? Em Tocantins, uma menina de 2 anos que sofria constantes abusos do padrasto só se deu conta que era vítima de violência quando assistiu a uma palestra na escola sobre violência sexual. Ficou tão aflita que chamou a atenção dos participantes. Aqui no Brasil, 1 em cada 3 casamentos termina em divórcio. Sem contar com a separação dos casais que não formalizaram a união em cartório. Nesse cenário, muitas crianças passam a conviver com outro homem dentro de casa: o novo namorado ou padrasto. Quem tem filho com ex companheiros sabe que nem sempre é fácil encontrar um parceiro legal e confiável. Outro problema é que, acreditando que esse homem é íntegro, a mulher coloca a segurança do(a) filho(a) em risco sem saber. É claro que existem muitos padrastos adoráveis e um namorado novo não é a única ameaça, mas às vezes, o próprio pai biológico, amigos da família, vizinhos, tios, primos, profissionais da área da saúde e até os vovôs. Eu sei que o assunto é indigesto, mas enquanto a gente ficar em silêncio ou fazer protesto pra Netflix tirar o Especial do Porta dos Fundos do ar os estupradores vão continuar agindo… Dito isso, eu proponho uma ação coletiva. Converse com crianças e adolescentes da sua família e peça pra seus amigos fazerem o mesmo com as famílias deles. Cada grupo de WhatsApp tem mais de 250 contatos. Se cada um se comprometer em educar uma criança, a coisa anda. Lembra do João de Deus? As mulheres tinham medo de denunciar, mas quando a primeira revelou os abusos que sofreu, logo 320 denúncias vieram à tona. Pense em quantos criminosos poderiam ser presos, quantas vítimas poderiam ser poupadas? Infelizmente, parece que apenas uma pequena parcela dos criminosos vão pra trás das grades, acredito que algo em torno de 3%, mas isso não é motivo pra desistir. Pelo contrário, dá mais vontade de lutar!  

Os estupradores não têm cara de estuprador

infancia

Nos últimos dias, o município de Ubajara, no interior do Ceará, registrou um caso de estupro que comoveu a população. O fato foi descoberto depois que a mãe da adolescente de 14 anos encontrou uma carta na qual a garota revelava o abuso causado pelo próprio padrinho. Nas redes sociais, algumas pessoas entraram em defesa da família do agressor: “São meus vizinhos, pessoas de bem”. A verdade é que os estupradores não têm cara de estuprador. Não está estampado na testa deles: ALERTA ESTUPRADOR. Estupradores se sentam no sofá da sala pra assistir TV, saem pra comprar pão, cumprimentam as pessoas na rua. Sabemos que esse não é um caso isolado. Milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo são vítimas de abuso sexual, incluindo agressão ou estupro. De acordo com um boletim do Ministério da Saúde, houve um aumento de 83% nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes: 31,5% são contra crianças e 45% contra adolescentes. Se você pensa que os bebês estão livres de estupro, leia este artigo. Um dado em comum é que PRATICAMENTE TODOS OS ESTUPRADORES são parentes ou amigos de familiares. Ou seja, tudo acontece entre as paredes de casa. É um grande problema de saúde pública e uma grave violação dos direitos humanos. O silêncio precisa ser quebrado, mas muitas vezes a vítima nem sabe que foi estuprada As crianças não falam com os pais por vários motivos: medo, vergonha, pressão do estuprador e até mesmo desconhecimento de que foram estupradas. Um desses casos foi o de Marissa Korbel. Ela levou mais de uma década para ver o que havia acontecido com ela não como um caso, mas como um ataque. “Eu realmente assumi toda a culpa por pelo menos nove ou dez anos”, diz ela. Depois de anos de terapia, agora é mãe e advogada de uma organização que defende sobreviventes de agressão sexual. Um estudo descobriu que 60% das vítimas não reconheceram que haviam sido estupradas. Recentemente, assisti a um filme chamado O Conto(2018) que me deixou de estômago embrulhado. A obra reconstrói de maneira perturbadora a memória de uma mulher que sofreu abuso sexual na infância. A atriz Laura Dern interpreta Jenny Fox, a própria vítima e diretora do filme. Sim, a história é real. Jenny, mulher bem resolvida na carreira, encontra algumas cartas/contos que escreveu no passado. Aos 13 anos, foi abusada sexualmente pelo seu treinador de equitação. Mesmo 40 anos depois, ela não tinha se dado conta do estupro que sofreu. Existia uma vaga lembrança do acontecido, pois acreditava ter vivido uma história de amor. Afinal, o agressor era bom, atencioso e carinhoso. Mas alguma coisa dentro dela dizia que havia algo errado, principalmente porque não recordava de tudo, exatamente. Pra quebrar o bloqueio, resolveu investigar, visitar os antigos amigos, conversar. Assim, a memória aos poucos se restabeleceu e descobrimos que, na época, a menina passava mal sempre que era estuprada. Vomitava e tinha sentimentos muito incômodos que não sabia interpretar como tais, até porque o agressor era extremamente “gentil”. Particularmente no caso dela, foi negligenciada pela família e seduzida não apenas pelo treinador, mas pela namorada desse homem, que compactuava com o crime. Toda a trajetória é dolorida, mas o longa, escrito e dirigido pela própria vítima, não quer apenas afirmar que abusos sexuais são terríveis, mas contar como tudo aquilo formou sua identidade e como é possível descobrir a verdade, mesmo que tardiamente. O filme mostra a perspectiva de uma mulher que foi obrigada a romantizar seu abuso e agora batalha para entender o quão terrível foi isso. Desesperador, mas necessário. Como identificar vítimas de estupro Os sintomas imediatos, que podem ser exibidos por alguém após um ataque, são: medo, choque e uma sensação de descrença de que isso realmente aconteceu. A longo prazo, os sintomas psicológicos se intensificam. Esses sinais podem incluir: problemas com o sono ou pesadelos repentinos; comportamento pegajoso; comportamento antissocial; comportamento apático e secreto; mudanças de humor incomuns, como raiva, lágrimas ou tristeza; não se alimentar ou comer mais que o habitual; medo súbito de ser deixado sozinho com alguém; uso de palavras adultas e sexuais; desenhos inapropriados e sexualizados, participação de jogos sexuais com brinquedos ou com outras crianças pequenas (essa é a maneira subconsciente da criança de falar sobre o abuso e procurar um adulto); sangue na vagina (para uma menina); sangue ou lágrimas no ânus (para meninos e meninas); marcas de mordida ou outras contusões na área vaginal ou retal; sinais de doenças como gonorreia, HIV, clamídia etc; feridas ou verrugas na vagina ou no pênis; micção dolorosa ou evacuações. É importante lembrar que todas as crianças passam por fases nas quais podem apresentar alguns desses sintomas e isso não significar nada. No entanto, se você suspeitar que algo está errado, é fundamental fazer mais perguntas, investigar para garantir que a criança não seja prejudicada. Consequências do abuso sexual Meninas e meninos que sofrem abuso frequentemente enfrentam uma série de consequências negativas de curto e longo prazo para a saúde e bem-estar mental, físico, sexual e reprodutivo. Além disso, correm maior risco de diagnosticar ao longo da vida um transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, sintomas de externalização, distúrbios do sono e pensamentos suicidas e prejudiciais. Eles são mais propensos a se envolver em sexo inseguro, abuso de drogas e uso indevido de álcool, colocando-os em maior risco de ISTs e HIV e de outros resultados negativos para a saúde que perduram até a idade adulta. Para as meninas, há também um risco aumentado de gravidez e distúrbios ginecológicos. Como cultura, parte da sociedade se recusa a aceitar que a maioria dos estupros é cometida por homens comuns, homens que têm amigos e famílias, homens que podem até ter feito coisas grandes ou admiráveis ​​com suas vidas. Acontece que os caras legais estupram. Esses homens  podem ser nossos amigos, colegas ou pessoas que admiramos. Não devemos fingir que nada aconteceu. Justiça!   * Por Monique Gomes, jornalista certificada em marketing de conteúdo.

O documentário que toda MULHER precisa assistir

miss

Miss Representation, de Jennifer Siebel Newsom, é um documentário de 2011 que aborda a representação distorcida da mulher na mídia. Desde criança, a menina é levada a acreditar que deve se preocupar com a aparência, enquanto os meninos recebem a mensagem de que devem valorizar isso. O mesmo discurso está presente em filmes, anúncios publicitários, músicas, programas de TV. Quando a questão é a representação política das mulheres, o documentário resume a baixa participação feminina com uma frase: “Você não pode ser o que você não pode ver”. Ou seja, representatividade importa, sim. Infelizmente, a crença é a de que temos que agradar aos homens, cuidar do corpo, seduzir. Muitas perguntas causam aflição: “Estou bonita? Estou magra? Engordei? Estou velha para o mercado de trabalho atual? e tantas outras. O resultado é devastador. Se você é mulher, com certeza vai se identificar com as vivências mostradas nesse filme. O documentário torna-se material obrigatório não só para todas as mulheres, mas também para pais e mães de meninas. Assista e aproveite para ler também: Precisamos falar de masculinidade tóxica!

O documentário que todo HOMEM precisa assistir

the mask

The Mask You Live In, de Jennifer Siebel Newsom, é um documentário de 2015, disponível na Netflix e também no Youtube (link acima). A ideia é tocar no cerne do problema: a criação de meninos em nossa sociedade. Desde que nasce, o menino é ensinado a adotar certos comportamentos considerados próprios para o homem. Acontece que, como os especialistas mostram, a prática de provar a masculinidade o tempo todo prejudica não só o homem, mas a sociedade de modo geral. Se você é homem, com certeza vai se identificar com as vivências mostradas nesse filme. O documentário torna-se material obrigatório também para pais e mães de meninos. Assista e aproveite para ler também: Precisamos falar de masculinidade tóxica!

Precisamos falar sobre masculinidade tóxica!

homem sinaliza negativamente com a mão

“Aparentemente muitos homens não estão limpando a bunda”. Essa frase bem que poderia ser o desfecho de uma piada de mau gosto, mas é o título de um post no BuzzFeed que resume o conceito de masculinidade tóxica. A notícia causou um enorme desconforto, principalmente porque as mulheres relataram o constrangimento de conviver diariamente com alguém que não cuida da própria higiene. Os principais argumentos dos maridos: Ou seja, estamos diante de um exemplo clássico de masculinidade frágil. É como se a heterossexualidade fosse uma peça de porcelana que pode quebrar a qualquer momento e, portanto, TODO CUIDADO É POUCO! Não ria. Se você rir, vai direto para o inferno. Na verdade, o homem não tem culpa disso sozinho. Ele foi alimentado com conceitos deturpados desde que nasceu. Quando o machismo se torna prejudicial para todas as pessoas, inclusive o homem, chamamos de masculinidade tóxica. Afinal, o que é masculinidade tóxica? É um conjunto de atitudes ou comportamentos nocivos que acabam resultando em alguma forma de violência. Não tem nada a ver com a biologia: é praticamente uma imposição da sociedade que começa desde quando o menino nasce. Sendo assim, ele pode se tornar manipulador, misógino, agressivo, assassino ou simplesmente um babaca. Mulheres e crianças são vítimas frequentes da masculinidade tóxica por meio da violência doméstica, feminicídio ou outros tipos (não vamos entrar nesse campo hoje). No entanto, o próprio homem também é vítima. Só que de si mesmo. A masculinidade tóxica afeta o desenvolvimento emocional, reprime os sentimentos, causa raiva, ira, estresse, depressão. Também prejudica a vida social do cara e afeta os relacionamentos. Como a nossa cultura ajuda a perpetuar a masculinidade tóxica? Segundo Tony Porter, ativista americano que palestrou no  TED Talk, “os homens que agridem as mulheres foram educados para isso”. Desde meninos, são ensinados a ser agressivos, dominadores, protetores, poderosos, fortes, valentes. Ele disse que chamar os garotos de “garotas” como uma ofensa transmite a ideia de que ser como uma menina é algo ruim, negativo. De acordo com Porter, a masculinidade tóxica ensina: Assim, ao atribuir qualidades supervalorizadas aos homens acima das qualidades associadas às mulheres, a masculinidade tóxica encoraja uma cultura que não só derruba os homens por serem “femininos”, mas também diminui as mulheres. Em entrevista à Revista Época, o ativista afirmou que os homens são treinados a não demonstrar sentimentos e emoções. “Você nunca vê um homem dizendo que está com medo de algo. No máximo, ele está ‘preocupado’. Isso é uma bobagem! É claro que também nos sentimos acuados, mas é como se o mundo não pudesse desconfiar”. A masculinidade tóxica começa dentro de casa A sociedade espera que o homem nunca demonstre “fraqueza”, seja sensível ou carinhoso. Normalmente, pais, mães e as pessoas que convivem com a criança/adolescente, incluindo os amigos da escola, primos etc, alimentam o machismo com expressões do tipo: Essas frases foram retiradas do documentário The Mask You Live In (A Máscara em que Você Vive), disponível na Netflix. O filme mostra o quanto os homens são pressionados a reprimir as próprias emoções. Logo no início, crianças e adolescentes são convidados a verbalizar seus sentimentos ao completar a sentença: “se me conhecesse de verdade, saberia que…“. A partir daí, todas as dores que estavam escondidas se revelam. É muito tocante. O guia de orientação sexual dos meninos é a pornografia O nível de masculinidade é medido pelas conquistas sexuais. Os pais, principalmente, têm uma pressa absurda de fazer o filho se interessar por mulher. Basta o guri crescer um pouco pra ouvir a pergunta: “E aí, tá comendo todas?”. A pressão continua na roda de amigos. Quem não reproduzir o comportamento do macho alpha é rejeitado ou até humilhado. Na maioria das famílias, o sexo não é apresentado como um momento de prazer entre duas pessoas. Geralmente, a educação sexual do menino acontece com a visualização de conteúdos pornográficos. Hoje é muito fácil qualquer um ter acesso pelo celular. Nesse cenário, a mulher é vista como um mero objeto, algo descartável que existe exclusivamente para satisfazer as necessidades dele. Os meninos são treinados para banalizar a violência Você consegue imaginar um pai dizendo que, se o filho apanhar na rua, vai apanhar de novo quando chegar em casa? Esse filho não é um personagem fictício, tá? Esse homem é real, porque eu o conheci. Arrumava qualquer desculpa para provocar uma briga em festas superlotadas de gente, mesmo adulto. Cada evento, uma pancadaria. Em casa, o pai ouvia as histórias, cheio de orgulho do filho brucutu. Quando namorou, era agressivo. Quando casou, bateu na mulher. Esses meninos crescem achando normal fotografar a calcinha da amiga, que está de saia, distraída. Crescem achando normal contar vantagem para os amigos quando “pegam” uma menina. Crescem achando normal fazer aposta para ver quem fica primeiro com a menina X. Crescem achando normal bater na mulher porque ela recebeu uma notificação no celular. Crescem achando normal matar a mulher só porque ela não quer mais ficar com ele. Afinal, é “coisa de homem”. Quando o homem bate/agride/mata uma mulher o motivo não é simplesmente ciúmes. Existe um sentimento de posse, de poder sobre o outro, de superioridade. Hoje, existe uma certa evolução no reconhecimento dos direitos da mulher. Ainda está longe do ideal, mas são avanços. Por outro lado, o preconceito, o sexismo, o machismo, a misoginia, a homofobia, os estereótipos pejorativos, AS PIADINHAS FAVORÁVEIS À CULTURA DO ESTUPRO chegam como um tsunami, são ensinados em casa, disseminados na TV, nos vídeos de youtubers sem noção e ajudam a fazer da masculinidade tóxica um ciclo infinito que é transmitido de geração a geração. Outras consequências da masculinidade tóxica Sem dúvida, o estigma relacionado à saúde mental dos homens é muito real. Tudo se relaciona com as expectativas sociais em torno do que significa ser um “homem”, ou o que significa ser masculino, porta de entrada para os estereótipos. Assim, algumas crenças compartilhadas são: homens heterossexuais devem evitar gays como amigos, meninos não devem aprender a limpar e cozinhar, homens não

15 filmes sensacionais escondidos no catálogo da Netflix

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Quem nunca perdeu tempo procurando novidade no catálogo da Netflix até a pipoca acabar? Muitas vezes o roteiro é ótimo, mas o texto da sinopse não diz absolutamente nada, né? Por isso, selecionei alguns filmes sensacionais escondidos por lá que considero beeem legais para você não devorar o petisco antes do show começar. É claro que gostar ou não de uma obra é algo muito particular. De qualquer forma, é importante não ficar preso a clichês e aceitar que nem todo filme termina como a gente quer. Combinado? Lista de filmes sensacionais escondidos na Netflix 1. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2002) Esse filme é muito fofo e vai chamar a sua atenção para as coisas simples da vida. Amélie (Audrey Tautou) é uma mulher que cresceu isolada das outras crianças. Certo dia, encontra uma caixinha de brinquedos que pertenceu a um morador antigo. Então, resolve devolvê-la anonimamente. Depois de presenciar a emoção que o homem sentiu ao rever os objetos da infância, ela se contagia e passa a fazer com que as pessoas ao seu redor se sintam mais felizes. 2. Mary And Max (2010) Gostando ou não de animação, assista à Mary and Max. Por favor. Nunca te pedi nada. Ao contrário do que parece, não é um filme para crianças menores de 12 anos. Você vai se apaixonar por Mary Dinkle, uma menininha que vive nos subúrbios da Austrália na década de 70. Produzido com massinha de modelar, é praticamente todo narrado. Temas como amizade, autismo, alcoolismo, suicídio, ansiedade, obesidade, cleptomania, diferença sexual, confiança, perdão e diferenças religiosas são abordados. 3. Sentidos do Amor (2011) Não se engane com o título, pois não se trata de um romance água com açúcar. Dá para imaginar como seria se todo mundo fosse, aos poucos, perdendo os sentidos, como olfato, paladar, visão…? O filme reflete como estão as relações atualmente, além de chamar a atenção para nossas interações com as outras pessoas e o mundo — o que provoca várias reflexões além do amor. 4. A Pele que Habito (2011) Obsessão e vingança são destaques nessa obra de Pedro Almodóvar, que rompe com as expectativas de gênero ao explorar o tema da construção sociocultural dos papéis masculino e feminino. Na história, o cientista e cirurgião Dr. Robert Ledgard (Antonio Banderas) pesquisa uma pele capaz de resistir ao fogo e a qualquer dano. Tudo porque a esposa morreu queimada em um acidente de automóvel. Para continuar suas descobertas, ele sequestra o rapaz que violentou a filha. A partir daqui, tudo que eu disser vai ser spoiler. Apenas assista. 5. Histórias Cruzadas (2012) Não é apenas mais um filme sobre preconceito de cor. É uma história de coragem que deu voz a muitas mulheres comuns que estavam presas no universo obscuro da segregação racial. Na década de 60, Skeeter, uma jovem jornalista que trabalha no jornal local, sonha em ser escritora. Uma realidade gritante surge em sua vida e serve como tema de livro: as empregadas domésticas. Ela se pergunta por que aquelas mulheres negras, que dedicam anos de cuidado e afeto na criação das crianças brancas, não têm, ao menos, o direito de usar o banheiro da casa. Uma fala que você só vai entender quando assistir: “ÀS VEZES A CORAGEM PULA UMA GERAÇÃO…” 6. Looper: Assassinos do Futuro (2012) Já pensou se você pudesse voltar no tempo e dar de cara com si mesmo, bem mais jovem? Looper – Assassinos do futuro, conta a história de uma equipe de mafiosos que viajam do futuro para o presente. O objetivo é matar os criminosos antes mesmo que os crimes aconteçam. Não existe empatia entre Joe (Bruce Willis) com ele próprio. Por quê? Porque ele é o Bruce Willis. Porque a regra é matar. Imperdível. 7. Deus da Carnificina (2012) Você vai se surpreender com o comportamento de dois casais que se encontram para tomar um café e discutir a situação dos filhos. Como diz o filósofo: “Visto de perto, ninguém é normal”. Um dos temas do filme é a hipocrisia. Todos são capazes de pensamentos politicamente corretos, mas também se mostram dispostos a usar as armas mais baixas quando se trata de defender os próprios interesses. 8. Flores Raras (2013) Com direção de Bruno Barreto, conta a história de amor entre Elisabeth Bishop (poeta americana vencedora do Prêmio Pulitzer em 1956) e Lota de Macedo Soares (arquiteta carioca que idealizou e supervisionou a construção do Parque do Flamengo). É impossível não se comover com o relacionamento delas. As falas estão sempre recheadas de boas frases, como: “sou comprometida com o pessimismo. Assim, jamais me decepciono”. Atuação impecável de Glória Pires. Que orgulho dessa woman! 9. Django Livre (2013) Filmão de Quentin Tarantino. Django é um escravo que foi comprado para auxiliar o trabalho de um caçador de recompensas. Depois de ganhar liberdade, segue em busca de Broomhilda, mulher que foi comprada por um fazendeiro do Mississipi, personagem de Leonardo DiCaprio. Violência e muito sangue fazem parte desse encontro. Excelente fotografia e uma mistura bacana de luzes e sombras. 10. O Abutre (2014) Se você fica indignado com a quantidade de fake news que está se espalhando como câncer no mundo de hoje, espere até ver O Abutre. O jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal como cinegrafista. Então, passa a registrar crimes e acidentes chocantes de um jeito nada tradicional. As histórias mais sensacionalistas, é claro, vão parar na mídia. Esse filme é uma preciosidade. Chega a causar mal-estar. 11. O Que Fazemos Nas Sombras (2014) Há quem acredite que esse é um dos melhores filmes cômicos de vampiros de todos os tempos. Uma coisa eu garanto: é impossível não rir. Viago (Taika Waititi), Vladislav (Jemaine Clement), Deacon (Jonathan Brugh) e Petyr (Ben Franshan) são quatro vampiros que dividem uma casa antiga na Nova Zelândia. Um grupo de cineastas, protegidos por crucifixos, registra a intimidade deles como se fosse um documentário. Enquanto os amigos lidam com conflitos da convivência, como lavar a louça, não

A fantástica história dos indígenas Mussaperê e Herundi

indigenas mussapere erundi

No e-book A Surpreendente História de Uba e Jara, há um capítulo em que menciono a Jacutinga, “uma casa de entretenimento para adultos” que existia no sítio Buriti, em Ubajara. No conto, os indígenas Mussaperê e Herundi são a atração da noite com voz e violão. Você sabia que ambos existiram na vida real? Mussaperê e Herundi: conheça a história de Los Tabajaras A dupla de indígenas Mussapere e Herundi, mais conhecida como “Los Índios Tabajaras”, nasceu na Serra da Ibiapaba, segundo fontes da internet, no município de Tianguá. Na década de 30 percorreram o Brasil à pé, viajaram o mundo e conquistaram sucesso definitivo nos EUA como consagrados instrumentistas. Ambos gravaram mais de 70 álbuns e venderam milhões de discos. Entrevista Cultura FM em 2009 Confira esta entrevista produzida pelo jornalista Fábio Zanon, da Rádio Cultura FM, Rio de Janeiro, três anos antes da morte de Mussapere, fato que aconteceu em novembro de 2009 Como Mussapere e Herundi praticamente não tiveram uma carreira no Brasil antes da carreira nos Estados Unidos, dizia-se que eram mexicanos, que não eram índios, era um espetáculo sem valor artístico fabricado para explorar a ingenuidade dos ouvintes. Apesar do teor comercial da maioria de suas gravações a qualidade de sua técnica e uma assombrosa musicalidade e combustão nas suas interpretações não podiam ser em nenhuma hipótese ser uma falsificação. O hábito de desaparecer por longos períodos acabou por alimentar ainda mais a mitologia. Essa oportunidade única de conversar com Mussapere, longe de esclarecer ou provar o que quer que fosse, foi um mergulho numa trajetória tão extraordinária que torna irrelevante fato e ficção. Mussapere e Herundi, de fato, não haviam visto o homem branco ou a língua portuguesa até a idade aproximada de 10 anos. Mussapere, ou Nato Lima, como é conhecido nos Estados Unidos, hoje tem por volta de 89 anos, já que o seu povo não celebrava aniversário. “Eu fui nascido na Tribo Tabajara. Sou filho de um dos guerreiros tabajaras chamado UGAJARA. Nós saímos porque um coronel, naquele tempo era Tenente Moreira Lima, e então ele foi para lá em 1928 para parar a tropa que vinha do Piauí para tomar o Ceará porque não tinha governador, não tinha nada. Havia muito cangaceiro e muita coisa do Juazeiro, mas durante aquele tempo que ele foi para lá ele fez amizade conosco porque o corneteiro era um pretinho com dente de ouro e tocava corneta e nós todos gostávamos”. “Nunca tinha visto homem branco, nem preto, nem som de corneta. Não falávamos português, só o tupi. Fizemos amizade num dia de manhã e no outro dia o grupo de soldados todo desapareceu. Para nós foi um dia muito feio porque nós estávamos acostumados com ele. Meu pai disse: ‘Nós vamos abrir a trilha’ e depois descemos para um lugar chamado Ubajara e fomos caminhando pelo sertão seco, lá em cima era bonito, muito verde. Nós tínhamos um violão que havíamos encontrado lá em cima. Saindo do norte do Brasil passamos dois anos no sertão de Cariri, ali aprendemos português pouco a pouco. Meu pai nunca aprendeu”. Mussaperê e Herundi em Sobral “Quando chegamos num lugar chamado Sobral vindo da Serra da Ibiapaba caminhando mais ou menos 4 ou 5 dias, nós chegamos a Sobral. Já havia visto gente branca, gente preta, já estávamos vestindo roupa de gente civilizada, porque nós andávamos nus, e causou grande confusão lá em Ibiapina. Um cachorro me mordeu, nós nunca havíamos visto cachorro. Chegamos a Mucambo, um lugar muito pequeno, trabalhamos três dias na Casa de Farinha. Ninguém dormiu durante esses três dias”. “Ganhamos dinheiro, então o camarada nos levou de caminhão, também nunca havíamos visto caminhão. Tinha uns porcos dentro do caminhão e cheirava muito mal por causa da gasolina. Nós montamos no caminhão e ele nos levou até Fortaleza, capital enorme”. Mussaperê e Herundi em Fortaleza “Quando chegamos em Fortaleza vimos edifícios enormes de sete andares mas depois um sujeito nos levou lá pra cima e nos mostrou o banho, com privada e chuveiro bummm, ai que coisa muito interessante e então ele nos levou lá fora e vimos o horizonte azul. Era o mar, nós nunca tínhamos visto o mar”. Mussaperê e Herundi em Natal “Fomos até Natal, porque lá tinha navio que podia dar passagem de graça para o Rio de Janeiro. Fomos até Natal, levamos dez dias pra chegar lá à pé. Chegando em Natal passamos uns 20 dias e não conseguimos, então saímos à pé e levamos 3 anos para chegar no Rio de Janeiro à pé”. “Nós éramos 6 irmãos com capacidade de ganhar dinheiro, mas não tínhamos capacidade, não sabíamos ler. Nós tocávamos músicas indígenas, o povo gostava e as pessoas jogavam moedas. Assim nós ganhamos dinheiro e até compramos uma casa…”. Mussaperê e Herundi no Chile Até o início da carreira, no rádio, no Rio, eles eram totalmente autodidatas, não sabiam ler música, aparentemente um produtor levou-os a tocar no Chile e lá Mussapere entrou em contato com a música clássica pela primeira vez. “Mas nós não tínhamos na mente aquela finura que exigia a música, nós tocávamos o que podíamos de qualquer maneira. Depois de chegarmos ao Chile, foi que nós aprendemos sobre a música clássica. Um menino disse: ‘você vai escutar a música mais bonita do mundo’ e botou A Fantasia Improviso, de Chopin”. “Eu disse: ‘mas que maravilha, que bonito, aquele violão não tem a extensão que tem o piano’. Eu aprendi sozinho, sem a escola, estudando anos e anos, dia e noite, porque eu queria ser bom. Quando eu aprendi a tocar com os dedos, na Escola de Segóvia, tocava também com a palheta, que é muito rápida”. Depois de rodar a América Latina, eles voltaram em 1953 para São Paulo e foram contratados brevemente pela Rádio Gazeta, mas logo em seguida gravaram os primeiros discos e rumaram com a vaga intenção de atingir os Estados Unidos. Veja também: Mussaperê e Herundi nos EUA “Nós conseguimos um contrato para Porto Rico e sentimos

Quase tudo o que você precisa saber sobre a alimentação low carb

Grupo da dieta Low Carb

Hoje, praticamente todo mundo tem problemas de ansiedade (72% dos brasileiros estão estressados, segundo uma pesquisa). Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que 53,8% das pessoas estão acima do peso. Nesse contexto, conhecer a alimentação low carb é uma esperança de mudar o quadro. O aumento de doenças como diabetes e hipertensão também mostram números alarmantes. Por que somos tão irresponsáveis com a própria alimentação? A grande maioria de nós busca praticidade e menor preço na hora de fazer as refeições. No entanto, é preciso muita força de vontade para aprender a reaprender, mudar hábitos antigos e adotar novos. Afinal, essas opções influenciam a nossa qualidade de vida. Considerações sobre a alimentação low carb Na prática, low carb é uma dieta com baixa ingestão de carboidratos que prioriza proteínas animais, gorduras, frutas, vegetais e algumas raízes. Os carboidratos são macronutrientes que levam energia para o corpo na forma de glicose. A glicose estimula a insulina, hormônio que armazena a gordura. A redução dos carboidratos na low carb é feita, principalmente, com a substituição de alimentos como pão, bolo, massas, biscoitos e outros por comida de verdade. Calma. Isso não significa que você tem que passar o dia comendo alface ou que é proibido comer coisas saborosas. Na low carb é possível comer pizzas, panquecas, bolos, tortas — desde que não use farinhas brancas na receita, como: trigo, arroz, maisena. As farinhas de baixo teor de carboidrato mais usadas são: farinha de coco, amêndoas, amendoim, castanha, linhaça, chia, banana verde. São muito nutritivas, ricas em fibras, não contém glúten e oferecem vários benefícios à saúde. Também é possível adaptar diversos ingredientes com alimentos naturais. Sabe por que vale a pena mudar? Sempre que você come açúcar e carboidratos, o organismo libera muita insulina com o objetivo de elevar a glicose no sangue. A redução ajuda a manter as reservas de glicogênio baixas e evita que o hormônio trabalhe como se não houvesse amanhã. Com menos insulina percorrendo no sangue, o organismo é forçado a usar as reservas que já existem como combustível, ou seja, as famosas gordurinhas. Tipo assim: Insulina alta = acúmulo de gordura Insulina baixa = queima de gordura De acordo com Dr. Juliano Pimentel, os principais benefícios da dieta low carb são: perda de peso, redução da fome, melhor controle da insulina no sangue, desempenho cognitivo melhorado, menor risco de doença cardíaca e alguns tipos de câncer. Você é (literalmente) o que come Sabia que o intestino tem uma conexão direta com o cérebro? Pois é. Os cientistas descobriram que esse órgão é muito mais que um depósito de cocô… Ele tem neurônios, aloja trilhões de bactérias (boas e ruins) e manda na nossa cabeça. Ou seja: o aparelho digestivo também pode afetar o seu humor. Segundo testes produzidos com ratos e seres humanos, o desequilíbrio na microbiota intestinal pode provocar ansiedade. Outros estudos já encontraram relação entre a falta de lactobacillus e doenças como depressão e anorexia. Antes de você sair correndo para comprar iogurte no supermercado mais próximo, leia esse artigo até o final, okay? 10 Sugestões para começar uma alimentação low carb Quem sou eu para dizer que você precisa deixar de comer pão, arroz, macarrão e industrializados? Vou deixar apenas algumas sugestões. Não sou nutricionista. Aliás, eu sou a favor que você procure um especialista se quiser o bê a bá bem mastigadinho. Se não for possível, busque o máximo de informações que puder e siga o seu coraçãozinho pra ser feliz. Vamos lá: 1. Primeiro de tudo: não faça dietas mirabolantes Não confie em dietas radicais que prometem perda de peso em uma semana. Por mais que o emagrecimento aconteça no começo, não dá para manter a mesma rotina alimentar durante o ano e você engorda tudo de novo. Além disso, o seu corpo precisa de nutrientes para funcionar bem. Antes de fazer planos, entenda que é preciso reeducar o seu jeito de comer. Nem sempre é uma tarefa fácil desaprender o que sabe e dar espaço para novas descobertas. Acontece que isso é necessário para que a sua saúde dê um salto de qualidade e você fique bem naquela calça jeans que estava encostada. 2. Esqueça que é preciso comer de 3 em 3 horas Na pré-história, nossos ancestrais só se alimentavam quando capturavam a caça. Naquele tempo não tinha geladeira, né? Por isso, eles passavam longos períodos sem colocar nada no estômago. Na verdade, não existe nenhum estudo que comprove a necessidade de comer de 3 em 3 horas. Já ouviu falar em jejum intermitente? Antes que me xingue ou feche a janela de navegação, saiba que, de certa forma, você faz jejum. Desde a última refeição da noite até o café da manhã do dia seguinte o seu sistema digestivo fica em repouso. A menos que você ataque a geladeira de madrugada, isso é uma espécie de jejum. Grande parte dos adeptos da alimentação low carb associa a dieta com pausas de 14, 16, 18 horas ou mais. Nesse intervalo é importante se hidratar com água, café ou chá sem açúcar. Médicos e estudiosos afirmam que essa prática ajuda a baixar a insulina, acelera o metabolismo, diminui riscos de doenças cardíacas, diabetes, alzheimer, parkinson e câncer. Outro fato impressionante é que o jejum reduz a compulsão por fome. Parece brincadeira, mas é verdade. O nosso organismo faz muito drama. Ele acha que precisa de comida o tempo todo. Mas a gente não é um urso polar que vai hibernar por 6 meses, né? Então, estude a possibilidade de retardar o seu café da manhã o máximo que aguentar. No final desse artigo eu vou deixar uns links com ótimas sugestões do que comer de manhã, no almoço, no lanche e outras dicas. Não quero ver você passando fome, por favor. 3. Evite o consumo de produtos industrializados Apesar de ser uma opção muito prática para o dia a dia, os alimentos industrializados são ricos em açúcares, sódio e outras porcarias. Sabia que 75% do achocolatado em pó Nescau

Tudo que você precisa saber sobre o glúten

tudo sobre o gluten

Muitos se perguntam o que é glúten. O fato é que existe um bandido com cara de mocinho que está presente na sua mesa todos os dias, incluindo a dispensa. Ele faz parte da alimentação desde que o mundo é mundo: o trigo. Sim, o trigo. Leia este artigo até o final para saber por que aquele pãozinho quente da padaria, a macarronada de domingo e os cereais integrais que você considera saudáveis, na verdade, são inimigos disfarçados. IMPORTANTE: os fragmentos que você verá na tonalidade azul são palavras do Dr. William Davis, autor do livro Barriga de Trigo. O resto é construção minha 🙂 “As pessoas costumam ficar chocadas quando lhes digo que o pão de trigo integral provoca um aumento no teor de glicose no sangue maior que o provocado pela sacarose. Exceto pelas fibras a mais, na realidade não há muita diferença entre comer duas fatias de pão de trigo integral e tomar uma lata de refrigerante açucarado ou comer uma barra recheada repleta de açúcar; e com frequência é pior”. William Davis Glúten no pão nosso de cada dia O trigo nem sempre foi o vilão da história. Nos últimos 50 anos ele sofreu intervenção do homem. Mudanças genéticas foram introduzidas na linhagem da semente por vários motivos: para que a produção se tornasse mais resistente a condições ambientais, para potencializar ao máximo a sua produção e para facilitar a colheita. O cereal de séculos atrás era uma planta grandiosa e saudável. Hoje o trigo é uma planta anã (aproximadamente 46cm de altura) e representa a principal fonte da mistura de proteínas conhecida como glúten – embora seja composto principalmente de carboidratos, contém apenas de 10 a 15% de proteínas e 80% dessas proteínas correspondem ao glúten. Desconheço se foram feitas pesquisas quanto às consequências danosas do trigo moderninho para o consumo humano, mas provavelmente não. Se os problemas de saúde relacionados a essa mutação genética foram previstos, a ganância e o capitalismo gritaram mais alto e os mais beneficiados são a indústria de alimentos e as drogarias. Afinal, o que é glúten? Glúten é uma proteína que está presente na semente de alguns cereais como trigo, cevada, triticale e centeio. O termo gluten é de origem latim e significa “cola”. Tudo a ver com a sua função, pois ele é responsável pela elasticidade e crescimento da massa – sem o glúten, o trigo perderia as qualidades que fazem a pizza, bolos e tortas serem como são. Algumas pessoas possuem sensibilidade ao glúten e podem desenvolver o que chamam de doença celíaca. No entanto, os sintomas da intolerância a essa proteína são muito difíceis de diagnosticar, pois se confundem com uma série de outras enfermidades (você pode fazer um teste, tirar o glúten da sua vida por uns 15 dias e sentir a diferença). Efeitos imunológicos são identificados com exames de sangue que detectam anticorpos, mas você ou o seu médico precisam ser muito espertos para suspeitar de um pãozinho de padaria ou de uma pizza inocente. Por outro lado, efeitos não imunológicos não são revelados por nenhum exame de sangue e são, portanto, mais difíceis de identificar e quantificar. Para piorar a situação, foi comprovado que uma dieta a base dessa proteína pode potencializar ainda mais os sintomas de outras doenças, como: diabetes, ansiedade, hipotireoidismo, autismo, esquizofrenia, enfim, a lista é enorme. “Alguém que esteja sofrendo de doença celíaca intestinal não diagnosticada pode ter um estranho e insaciável desejo pelo alimento que provoca lesões em seu intestino delgado, mas também pode manifestar, com o consumo do trigo, taxas de glicose no sangue típicas de diabéticos, além de grandes alterações do humor. Outra pessoa, que não tenha a doença celíaca, pode acumular gordura visceral e apresentar comprometimento neurológico decorrente do consumo do trigo. Outros podem se tornar diabéticos, adquirir sobrepeso, sentir-se irremediavelmente cansados, mesmo sem os efeitos imunológicos intestinais do glúten do trigo ou aqueles que atingem o sistema nervoso. O emaranhado de consequências para a saúde decorrentes do consumo do trigo é realmente impressionante”.William Davis, autor do livro Barriga de Trigo. Alimentos que contém glúten Quando você entra no supermercado, dificilmente vai encontrar uma prateleira com produtos isentos de glúten. Ele é praticamente onipresente: Veja também: Sintomas e outras consequências da alimentação rica em glúten As consequências do consumo de glúten do trigo são várias, pois ele pode atingir profundamente quase todos os órgãos do corpo, como os intestinos, o fígado, o coração, a glândula tireoide e até mesmo órgãos do sistema nervoso. É importante dizer que os sintomas dependem de pessoa para pessoa e que eles não se apresentam ao mesmo tempo na mesma criatura. Confira essa lista e veja como esses sintomas podem ser facilmente confundidos com outros problemas: O fato de que algumas pessoas podem emagrecer ou ficar desnutridas é que um período prolongado de ingestão de glúten pode bloquear a absorção dos nutrientes. No entanto, o mais surpreendente é que a pessoa também pode engordar rapidamente. A prisão de ventre é o sintoma mais comum. Muitas pessoas acreditam que têm intestino preso porque nasceram assim, com esse “defeito de fábrica”. Elas costumam associar esse problema com a alimentação, apesar de desconhecerem as consequências do glúten. Os efeitos que não resultam do glúten podem somar-se aos efeitos do glúten O fato mais agravante é que o efeito causado pela ingestão de glúten não afeta apenas os celíacos ou intolerantes à essa proteína. Isso nos leva a pensar que o glúten é rejeitável em todos os seres humanos e não apenas em quem foi diagnosticado com a doença. “Testemunhei drásticas reviravoltas em saúde, como o caso de uma mulher de 38 anos que sofria de colite ulcerativa e se via diante da possibilidade de remoção do cólon e que se curou coma eliminação do trigo, mantendo o cólon intacto. Ou o de um homem de 26 anos, incapacitado, que mal podia andar por causa de dores nas articulações, que experimentou alívio total e voltou a andar e correr livremente, depois que retirou o trigo

Precisamos falar sobre suicídio

Precisamos falar sobre suicídio para salvar jovens e adultos.

O tema é bastante desconfortável, mas já passou da hora de falarmos sobre isso. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o mundo contabiliza um suicídio a cada 40 segundos. No Brasil, alguém tira a própria vida em intervalos de 45 minutos. Se você acha que esses números são assustadores, espere para conhecer a nossa realidade aqui no Ceará: em 2014 foram registrados 488 casos; no ano seguinte, 533. Estamos em terceiro lugar no ranking com a maior taxa do país — essa estatística está aumentando a cada ano. Atire a primeira pedra quem nunca pensou em morrer diante de uma dor terrível ou profundo desespero. Mas o que faz com que uma pessoa se mate? Especialistas afirmam que esse problema acontece com público de várias faixas etárias e em todas as classes sociais. Os cinco principais transtornos associados ao suicídio são: depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, dependência química, transtorno de personalidade — principalmente bordeline. Fatos como a desestruturação familiar e a ineficiência da rede de saúde para tratar essas doenças ajudam a agravar a situação. Baleia Azul: jogo incentiva suicídio Como se não bastasse, um jogo macabro que começou na Rússia, em 2015, desafia os participantes a passar por provas como automutilação, asfixia, queimaduras na pele, entre outros. A prática, que é conhecida como Baleia Azul, incentiva os jovens a cometerem o ato do suicídio na etapa final. É claro que não ia demorar para chegar ao Brasil. Curitiba registrou cinco tentativas de suicídio entre adolescentes de 13 e 17 anos e mais casos estão sendo investigados em outras cidades. Todos apresentaram sinais de automutilação. Não pense que os autores desse crime terão dificuldades em fazer contato com um filho seu. A dinâmica deles é muito simples. Os jovens são convidados a participar de grupos fechados no Facebook, WhatsApp e até o Instagram é usado como ferramenta de captação. É importante ficar atento. Alguns sinais que podem estar relacionados com o desafio da Baleia Azul são: mutilações ou furos na palma da mão, braços ou pernas, desenhos de baleia, sair de casa de madrugada, evitar conversar, arranjar brigas. Netflix aborda temas como bullying, estupro e suicídio A Netflix lançou uma série intitulada 13 reasons why (13 razões pelas quais), que conta a história de Hannah Baker, uma adolescente suicida. Apesar da restrição de alguns, essa obra é uma boa oportunidade para quem deseja aprender a se colocar no lugar do outro, entender o que se passa na cabeça de alguém que comete esse ato e, quem sabe, ajudar. O adolescente não tem a mesma resiliência que um adulto diante das adversidades.  Para ele, a dor beira o insuportável. O sofrimento é mais intenso e a vida se torna um fardo pesado, angustiante (faça um esforço e tente se lembrar do momento dramático que foi o fim do seu primeiro namoro). Cuidar mais uns dos outros é o mínimo que podemos fazer. Felizmente, nessa batalha do bem contra o mal existem anjos como os voluntários do Centro de Valorização da Vida. Eles realizam apoio emocional e prevenção ao suicídio gratuitamente em diversos canais como chat on-line, telefone, e-mail, skype e outros — acesse www.cvv.org.br para mais informações.

O que você faria se encontrasse Adolph Hitler hoje?

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Imagine que você está andando normalmente no centro da cidade e pah… topa com a figura de Adolph Hitler. Qual a sua reação? Medo? Pânico? Estranheza? Ou faria uma selfie com ele? (Credo!!). Estava eu fuçando o acervo do Netflix quando me deparei com um título curioso: Filme satiriza Adolph Hitler A capa estampa os traços mais marcantes da fisionomia de Hitler: cabelo e bigode. O filme é uma comédia alemã baseada no livro de mesmo nome, do escritor Timur Vermes. Oliver Masucci encarna o ditador, que ressurge misteriosamente em Berlim no ano 2014. No entanto, as únicas lembranças que tem é de uma Alemanha de 1945. Seu primeiro contato é com um grupo de garotos que jogava futebol ali perto, a quem ele chamou de “jovens hitleristas”. Por que os garotos não fizeram a saudação alemã? Ficou desapontado! Ainda meio atordoado, encontrou abrigo em uma banca de revistas e ao ler os jornais descobriu que estava no século XXI. A capacidade de se comunicar com multidões sempre foi uma habilidade que ele usava para pregar suas ideias, por isso decepção mesmo foi quando encontrou um aparelho de televisão moderno. O canal exibia um programa de culinária. “Inacreditável! Haviam desenvolvido uma tecnologia tão avançada e a utilizavam para supervisionar um cozinheiro ridículo? ”, pensou. Fez uma tentativa de ligar o rádio, mas não havia rádio ali. “Se até naquele alojamento humilde não havia rádio, e só um aparelho de televisão, então era inevitável concluir que o aparelho de televisão tornou-se o mais importante dos dois meios de comunicação”, concluiu. Humor nonsense, porém ácido O humor ácido do filme começa quando Hitler sai pelas ruas de Berlim. A reação das pessoas é um misto de felicidade e pavor. Uma cena hilária mostra o “Führer” sentado diante de uma tela de pano, pintando a fisionomia das pessoas para ganhar um trocado. Ao ser descoberto por um canal de televisão, Hitler é convidado para apresentar um programa que alcançará recordes de audiência e será o assunto mais falado nas redes sociais. ‘Ele está de volta’ não é apenas uma obra de ficção para fazer a gente dar risada. É também um filme para pensar no FALSO MORALISMO dos hipócritas que estão bem perto de nós. Gente que, em nome do “combate à corrupção”, dissemina o ódio e a intolerância. Está sempre em busca de um herói capaz de resolver todos os problemas em nome da religião, da moral e dos bons costumes. Leia também: Ele está de volta Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.

6 Erros que os PREFEITOS cometem na COMUNICAÇÃO

erros que prefeitos cometem na comunicacao da prefeitura

Um problema que parece imperceptível para muitos gestores municipais, mas que desencadeia uma série de situações danosas é a ineficiência na comunicação. Os erros que os prefeitos cometem tem como principais consequências a inoperância dos serviços prestados, a frustração da sociedade e o declínio da popularidade do gestor. Como dizia o ex-presidente dos EUA, John Kennedy: “…todos os princípios nos quais a democracia política se baseia dependem em grande parte da comunicação”. 6 Erros que os PREFEITOS cometem na COMUNICAÇÃO Confira a lista de erros e identifique se você está cometendo algum. 1. Não ter uma assessoria de imprensa Uma assessoria proativa divulga informações sobre planos e procedimentos do governo para a imprensa e para a sociedade por meio de sites, entrevistas coletivas, redes sociais, e-mail, etc. Ela deve estar preparada para gerenciar os temas mais polêmicos que possam causar conflitos. Quando as informações não estão acessíveis, abre-se um universo de oportunidades para achismos e boatos que interferem diretamente na imagem do político. É importante lembrar que a equipe responsável por essa ponte direta com o público precisa ser especializada na área. Mensagens inconvenientes, textos mal redigidos e erros ortográficos não são toleráveis e transmitem falta de profissionalismo. 2. Nomear alguém que já possui outras atividades Comunicação e marketing andam sempre de mãos dadas. A equipe deve se dedicar exclusivamente a essa atividade. Um funcionário que possui outras ocupações certamente não dispõe de tempo e provavelmente não tem o conhecimento e nem as habilidades necessárias para a função. O resultado é óbvio: a coisa não anda. Ou melhor, anda para trás. 3. Não se reunir com a própria equipe A comunicação interna é fundamental para a interação, alinhamento de ideias e o planejamento das ações. Quando as pautas são discutidas em conjunto, cada membro do grupo trabalha com visão e objetivo comuns. Essa irmandade permite que todos caminhem no mesmo sentido, fato que aumenta a motivação e a produtividade. Quando não acontece dessa forma, surgem as famosas falhas na comunicação, abrindo um precedente para o marketing negativo. 4. Desprezar o uso do marketing digital na comunicação O atual presidente dos EUA já respondeu perguntas em uma reunião no Facebook através de transmissão ao vivo. Essa ferramenta está disponível para todos os usuários do site. O bom administrador vê a importância da comunicação na era digital e se cerca de pessoas capazes de colocar tudo isso em prática. Ele sabe que esse tipo de estratégia vai aproximá-lo ainda mais da sociedade e ajudá-lo a manter a sua popularidade. Muitos gestores nem sequer mantêm o site da prefeitura atualizado, talvez porque ainda não perceberam que isso é motivo de frustração para a sociedade. As pessoas têm interesse em saber o que de fato estão fazendo com o dinheiro público. É preciso estar atento e obedecer a Lei de Acesso à Informação. Outro erro bastante comum é direcionar toda a comunicação da prefeitura às redes sociais. Trabalhar comunicação e marketing é muito mais que jogar um texto no Facebook. “Se você não está se comunicando com as mídias sociais, está deixando uma parcela cada vez maior da população fora da conversa. No entanto, se você só se comunica pelas mídias sociais, deixa de fora uma parcela significativa da população”. Anita Dunn, ex-diretora de Comunicação da Casa Branca no governo do presidente Obama. 5. Contratar um porta-voz, mas não mantê-lo informado dos acontecimentos Quando o porta-voz ou secretário do governo não sabe prestar nenhuma informação relevante sobre uma situação, o sentimento que a instituição transmite nesse momento é de baderna, desorganização. Se quem deveria saber não tem conhecimento, quem busca pela verdade vai continuar sem saber. Entra em cena o famoso diz-que-diz de mitos e verdades. Para manter um funcionário como porta-voz, é preciso conceder autoridade a ele. De que maneira? Fazendo com que ele participe das reuniões e discussões, dialogando diariamente com ele. 6. Apresentar as realizações da administração apenas no final do mandato No último ano de mandato, o gestor se dá conta que trabalhou muito, no entanto muitos não têm conhecimento das realizações que ele promoveu – por conta dos erros listados acima. Organizar um informativo ou revista impressa no final da gestão pode ajudar a montar um registro, mas não vai contribuir para a gratidão da sociedade se o objetivo for a reeleição. Por último, é importante valorizar as necessidades da comunidade. Os erros que os prefeitos cometem na comunicação não se limita apenas a transmitir informações, mas também ouvir as preocupações da população.

Bandido ou mocinho? A fascinante história de Chateaubriand

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Jornalista, Comunicador, Visionário, Dinâmico, Empreendedor, Advogado, Destemido,  Político, Chantagista, Oportunista,  Cético, Corrosivo, Irônico. Implacável. Parece improvável que todas essas características tenham coexistido em uma mesma pessoa, mas foi a soma desses predicados que fez de Assis Chateaubriand o homem mais influente do Brasil durante décadas. Quem é Assis Chateaubriand? Nascido em 1892 no interior da Paraíba, Chatô, como era chamado, passou parte da infância tentando vencer uma limitação: era completamente gago. Seu pais, Francisco José Chateaubriand e Maria Carmem, faziam de tudo para curar o menino. O caso parecia mesmo sem solução, até que resolveram matricular o filho em uma escola, na esperança dele se desenvolver interagindo com outras crianças. Vítima de deboche entre os colegas, de gago passou a ficar mudo. “Os pais se renderam. Muito mais grave que ter um filho analfabeto era ter um filho infeliz”, como conta Fernando Morais no livro Chatô, o rei do Brasil (1994). Ninguém sabia, mas a gagueira de Chateaubriand estava com os dias contados. Tudo aconteceu quando ele foi morar um tempo na fazenda, com o avô paterno. Diante do problema do neto, o avô propôs o desafio: “Gagueira é vergonha. O único jeito de curar isso é falar sozinho. Falar até cansar, até secar a saliva. De hoje em diante você vai passar algumas horas do dia sentado na pedra Preta, na beira do rio, falando consigo mesmo. Se isso não o curar, pode desistir que é porque Deus quis que você ficasse desse jeito para o resto da vida”. E assim o menino se desenvolveu e começou a se interessar pelas letras. Aos 17 anos, precisou vencer outras limitações que, na opinião dele, atrapalhavam sua vida social: era extremamente tímido e não tinha nenhum desempenho físico. Acreditava que podia consertar os próprios defeitos se alistando no serviço militar. Desta vez, ele mesmo se desafiou, mas um obstáculo estava bem adiante: foi desaprovado por ‘saúde insuficiente e estatura física inferior’. Muitos garotos teriam comemorado o acontecido, mas não Chateaubriand. Indignado, falou com um amigo influente e conseguiu a anulação do resultado. Em poucos dias, estava no recrutamento e, na primeira maratona de exercícios achou que ia morrer, mas não desistiu. Nesse mesmo período, começou a trabalhar como redator no Diário de Pernambuco – recebia um salário de cem mil réis. O periódico era editado por Veríssimo e tinha como colaboradores nomes como Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Graça Aranha e Sílvio Romero. Através de empréstimos, com o tempo fundou seus próprios jornais e comprou outros. Não escondeu de ninguém a época da fartura: “O dinheiro nos chega por três únicas vias: a publicidade, as assinaturas e a venda avulsa”, relatou, afirmando que 12 mil contos de réis era a sua renda anual, o que equivale hoje a mais de oito milhões de reais. Na década de 30, os escritórios dos Diários Associados foram modernizados com novos equipamentos: máquinas de impressão e serviços fotográficos. Chateaubriand festejava: “Três dias após um acontecimento em qualquer continente, seja um crime, um desastre, a posse de um ministro, uma festa, uma greve, dados os recursos de aparelhagem e a rapidez das comunicações, inclusive a telefoto, estamparemos o flagrante”. Daí, não demorou para que investisse também em emissoras de rádio e televisão, mesmo quando as pessoas ainda não tinham TV (para isso ele deu um jeitinho brasileiro e trouxe centenas de aparelhos de forma ilícita para o país). Tamanho sucesso não se deveu apenas ao fator empreendedorismo. Chatô abusava de sua influência para chantagear clientes que se negavam em anunciar. Quem, por algum motivo, o desagradasse, sofria retaliações com uma notícia falsa estampada na capa de um jornal. Seu temperamento era implacável. Na vida pessoal não foi diferente. Separado da segunda mulher, sequestrou a própria filha – não por querer bem à menina, mas por capricho. Chegou a exigir do Presidente Getúlio Vargas que mudasse a lei, pois a justiça devolveu a guarda da criança para a mãe. Chateaubriand se transformava em um monstro colérico sempre que era contrariado. Sua trajetória de vida e seu comportamento contrastam com a contribuição cultural que promoveu para o país, o que faz dele nosso herói politicamente incorreto. Chateaubriand é nosso Deadpool. Chatô, o Rei do Brasil O filme Chatô, o Rei do Brasil, disponível para assinantes Netflix, tem a direção de Guilherme Fontes. A polêmica dessa obra é que ela durou mais de 20 anos para ficar pronta, devido a complicações legais envolvendo as finanças da produção. A história é contada numa narrativa circular – começa pelo fim: Chateaubriand sofre uma trombose e fica totalmente paralisado em uma cadeira de rodas. O homem que dedicou a vida para a comunicação ficou incomunicável. O Bispo Dom Helder Câmara, ao visitá-lo no hospital, falou aos jornalistas: “De Chateaubriand se pode dizer o melhor e o pior. Haverá quem diga horrores pensando nele, mas como não recordar as campanhas memoráveis que ele empreendeu? Dentro do maquiavélico, do chantagista, do cínico, o Pai saberá encontrar a criança, o poeta. Deus saberá julgá-lo”. Assis Chateaubriand faleceu em 1968 com uma notícia de meia página no New York Times intitulada “Morre Chateaubriand, o brasileiro que construiu um império”. Aproveite para ler também:

Por que você deveria assistir As Sufragistas?

Elenco do Filme As Sufragistas

Já ouviu falar no filme As Sufragistas? Hoje, o fato de uma mulher votar ou se candidatar a um cargo público é um acontecimento comum, mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que nós não tínhamos esse direito. O governo contestava : “As mulheres são bem representadas por seus pais, irmãos e maridos”. No século 19, durante décadas elas lutaram por meio de manifestações pacíficas na região da Inglaterra e Estados Unidos com o objetivo de conquistar o sufrágio, que é o direito de votar e ser votado nas eleições. Mas seus argumentos sempre eram ignorados. As Sufragistas: conheça o filme O filme As Sufragistas (2015) dirigido por Sarah Gavron, apresenta o ápice da revolução feminina – desta vez, usando estratégias mais radicais como quebrar vidraças ou explodir caixas de correios para vencer a luta contra o sexismo e o preconceito. “Nunca subestime o poder que as mulheres têm de definir os próprios destinos”, diz Emmeline Pankhurst, líder interpretada por Maryl Streep. A história é baseada em fatos reais e ocorre no ano de 1912, em Londres. Maud Watts (Carey Mulligan), uma jovem ingênua, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. O fato do enredo ser focado na perspectiva de alguém que despertou para a verdade evidencia de forma bem didática a importância e a grandiosidade desse movimento que transformou o mundo. Maud Watts ainda não sabia, mas era uma feminista. Infelizmente essa cegueira ainda é predominante nos dias atuais e isso se torna um problema, porque a cultura sexista é transmitida de geração a geração – as consequências são relacionamentos rasos, dor e sofrimento – tanto para homens e especialmente para as mulheres. Durante muito tempo, as mulheres foram consideradas incapazes de pensar por si mesmas ou de exercer uma atividade além das tarefas domésticas. No entanto, isso se deve ao fato de que elas eram oprimidas desde o momento em que nasciam. A história da opressão No Livro do Amor, Regina Navarro Lins conta que na Grécia antiga, enquanto as meninas eram confinadas em casa do nascimento até o casamento – sem aprender absolutamente nada além das tarefas domésticas – os meninos frequentavam a escola desde os 7 anos. Aprendiam gramática, poesia, música, aritmética, mitologia e esportes. Quando se tornavam adolescentes, as meninas eram obrigadas a se casar, pois os pais logo arrumavam um matrimônio. Casadas, não podiam fazer nenhuma refeição com os maridos – se tivesse convidados, jamais. Qualquer mulher vista numa reunião de homens era considerada prostituta. O casamento tinha como finalidade apenas o aumento da prole e os cuidados com o lar. Em 1918, o voto foi concedido às mulheres com idade superior a 30 anos. Em 1925, a lei reconheceu o direito das mães sobre seus filhos. Nós devemos muito às sufragistas. O governo patriarcal é opressor, no entanto existem outras formas de opressão, que pode estar dentro da sua casa, no relacionamento com o seu pai, irmão, namorado ou marido. Pense nisso! “Nunca se renda. Nunca desista da luta.”

3 filmes que parecem bobos, mas você vai se surpreender

Menino loiro de óculos escuro assistindo a filmes que parecem bobos comendo pipoca

A metáfora que diz “Não julgue o livro pela capa” é verdadeira. Nesse caso, não julgue o filme pela capa, nem pela sinopse. Abaixo listei três filmes 3 filmes que parecem bobos, e por isso podem ter passado despercebidos por você que adora um filme diferente. Recomendo! Férias Frustradas (2015) Gênero: Comédia / Classificação: 14 anosO humor ácido e politicamente incorreto desse filme vai fazer você dar boas gargalhadas. Não chega a ser um remake do filme homônimo estreado na década de 80, mas uma versão tipo estendida que conta a saga de uma família que viaja em busca de lazer e entretenimento. Longe de ser mais uma comédia tipo Sessão da Tarde, Férias Frustradas foge do humor convencional e conduz o telespectador a uma aventura hilariante. Impossível desgrudar os olhos da tela. Rusty Griswold (Ed Helms) é casado com Debbie (Christina Applegate) e tem dois filhos que se odeiam: James (Skyler Gisondo) e Kevin (Steele Stebbins). Percebendo a insatisfação da esposa em passar as férias sempre no mesmo lugar, Rusty tem uma grande ideia para fazer uma viagem inesquecível com a sua família. Ele aluga um carro albanês bem descolado e conduz todos ao parque de diversões Wally World. É o início de uma série de desventuras… * * * Não sou louca (2013) Gênero: DramaSão cinco curtas-metragens que narram o drama de pessoas que sofrem de doenças mentais, mas, espera. Definitivamente, não é exatamente sobre patologias, mas sobre emoções. Esse filme é um perfeito raio-x do ser humano. Único, delicado, sublime. Apesar de ser produzida inicialmente para a televisão, talvez essa obra não tenha ganhado a importância que deveria. Eu me atrevo a sugerir que esse conteúdo poderia ser repassado nas escolas, para que os adolescentes desenvolvessem empatia e respeito ao próximo. Lucy (Brittany Snow) é uma estudante de Direito que é surpreendida pelo diagnóstico de esquizofrenia. Quando ela desiste de concluir os estudos pelo fato de que “esquizofrênicos não se tornam advogados porque são vistos como mendigos”, a psicoterapeuta lhe entrega um livro e diz: “então prove o contrário”. Uma história de superação que requer força para vencer a si mesma, a doença e o preconceito. Outros quatro personagens são apresentados nessa trama, entre eles um humorista que sofre de depressão. Encontro Marcado (2015) é um dos filmes que parecem bobos, mas não é Gênero: Comédia, Romance Se você for do tipo muito conservador, eu aconselho não ver este. Engraçado que eu jamais redigiria uma sinopse tão água com açúcar como esta que publicaram para esse filme. Nem sei o que me fez assistir. Curiosidade, talvez, e a possibilidade de apertar o stop. A verdade é que existe algo de muito especial em Encontro Marcado: o choque entre duas culturas. De um lado, um homem conservador que deseja um amor exclusivo, monogâmico. Do outro, uma mulher casada que quer apenas um relacionamento extraconjugal. Um filme para pensar na força das coisas que acreditamos. Brian (Anton Yelchin) é um escritor em início de carreira. Arielle (Bérénice Marlohe) é uma mulher misteriosa com quem ele encontra na porta de um restaurante. Ambos começam um diálogo qualquer e o flerte conduz ao romance. Brian luta contra seus sentimentos quando descobre que ela é casada, mas decide romper as suas crenças participando de um jantar na casa dela, ao lado de marido e filhos. Uma história envolvente. No Prime Video você encontra vários filmes que parecem bobos, mas são bons! Aproveite para ler também: 20 Filmes estranhos para quem adora esquisitice

Afinal, o que é Marketing de Conteúdo?

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Esqueça tudo o que você aprendeu sobre marketing até agora. Rasgue todas as apostilas da faculdade. A era digital caminhou para um futuro muito mais criativo no marketing de conteúdo, mais interativo e mais relevante. O que é Marketing de Conteúdo? Se antes a única estratégia era gritar nos meios de comunicação tradicionais, hoje o diferencial é somar, cativar, engajar – tudo isso de forma inteligente e sustentável através de informações reais, objetivas e mensuráveis sobre o comportamento do lead (potencial cliente) e todas as ações da empresa. A verdade é que a internet transformou completamente o jeito de fazer marketing. O motivo pelo qual você busca e encontra uma informação de qualidade na internet é porque existe o trabalho do profissional de Marketing de Conteúdo, uma estratégia que utiliza a nutrição de leads como principal ferramenta. Nutrir o lead significa basicamente abastecer pessoas com informações relevantes sobre pautas que fazem um gancho com o seu nicho de negócios. Nutrir o lead é ajudar pessoas na solução de problemas. Feito isso, uma coisa mágica acontece no mundo encantado do conteúdo: você constrói a sua autoridade, se torna referência no mercado e o lead se converte em cliente. “Anunciar é o que você faz quando não consegue conversar com alguém”. Fairfax Cone Marketing é ciência Enquanto o marketing tradicional age com base no empirismo, o marketing de conteúdo é pura ciência. No ambiente digital é possível trabalhar com hipótese, teoria, prática, comprovação, quebra de mito, informação, conclusão. Enquanto o velho modelo é invasivo, porque interrompe o consumidor a todo momento (a exemplo do rádio e televisão), o moderno é au-to-ri-za-do. Se você produz conteúdo original e relevante para o seu blog/site, as pessoas vão te encontrar, seguir você nas redes sociais, acompanhar seus vídeos, assinar a sua newsletter e, por opção delas, a audiência é sua. Hoje, sites populares de cultura e entretenimento, a exemplo do Youtube, estão tomando um espaço que antes era exclusivo da TV. O consumidor tem fome de conhecimento e quem escolhe a opção no cardápio é ele. No Youtube, o usuário pode assistir o que quiser na hora que bem entender. Pode optar em não ver uma publicidade: basta fechar um banner ou pular o conteúdo comercial. Manter um diálogo personalizado com o seu público nos mais diversos canais e atingir bons resultados exige a construção da persona – um conceito parecido com o de público-alvo, só que mais específico. Mulher é um tipo de público-alvo se o seu produto ou serviço é voltado especialmente para o sexo feminino. Mulher na faixa de 30 a 45 anos que trabalha como redatora em escritório home office, administra a casa, cuida dos filhos e gosta de se manter bem informada a respeito de moda e beleza são informações mais detalhadas que formam a construção de uma persona. Essa informação é o que faz você manter um diálogo direto com elas – e não para elas. Marketing de conteúdo é resultado “O que pode ser medido pode ser melhorado”. Peter Drucker Mensurar os resultados da gestão do seu negócio é uma das características de um marketing mais inteligente. Através de indicadores reais, você será capaz de saber quantas pessoas estão acessando o seu blog/site, que artigo foi mais lido ou comentado, quais os vídeos mais assistidos e aqueles que não foram vistos até o final, enfim, você estará cercado de informações relevantes para uma administração sustentável e de sucesso. Em uma cidade do interior, fui editora chefe em um jornal impresso antes de migrar para a versão digital. Vivenciei as deficiências e potencialidades de cada um. No impresso, os leitores não interagiam com o jornal. Como enviar um comentário? No máximo, eu ouvia a sugestão de um leitor que encontrava na padaria. Uma vez lido, o destino do meu trabalho seguia por dois caminhos: era guardado numa gaveta ou usado para embrulhar sabão no mercado. Na versão digital, surgiu um universo de possibilidades. Os leitores deixavam seus comentários, participavam efetivamente dos debates e isso, além de informações como posts mais acessados, entre outras, serviam  para guiar o gerenciamento de novas pautas. Diferente do impresso, os artigos são vistos até hoje mesmo se eu estiver dormindo, trabalhando ou passeando com meu cachorro – as estatísticas de acesso me dizem isso diariamente. Que outro meio de comunicação pode oferecer essa longevidade? Lembre-se: “As pessoas não gostam que você venda para elas, mas elas adoram comprar” –  essa pérola dita por Jeffrey Gitomer precede a ideia de estratégia. Vender requer estratégia. E uma delas é fazer marketing de conteúdo relevante para cada etapa do funil de vendas, sem atropelar a cronologia do processo. É uma atividade complexa, que exige habilidades e conhecimentos específicos.

Mary and Max: a ingenuidade sobrevive ao caos

Filme Mary And Max

Se você ainda não a conhece prepare-se para se apaixonar por Mary Dinkle, uma menininha de 8 anos que vive nos subúrbios de Melbourne, na Austrália, no ano 1976. Sob os cuidados de um pai ausente e de uma mãe alcoólatra, a garotinha solitária de Mary and Max se corresponde por carta com Max, um homem de 44 anos que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. É o início de uma linda e duradoura amizade que tem como destaque a ingenuidade de ambos. Ela, curiosa para saber como nascem os bebês. Ele, com as limitações por ser diferente. O impacto de Mary and Max É baseado em uma história real e foi estreado em 2009. Produzido com massinha de modelar, é praticamente todo narrado. Temas como amizade, autismo, alcoolismo, suicídio, ansiedade, obesidade, cleptomania, diferença sexual, confiança, perdão e diferenças religiosas são abordados nessa animação. Sim, é programa pra gente grande. A fotografia do filme utiliza apenas duas cores predominantes: o marrom, para o mundo de Mary – sua cor favorita – e o cinza, para o universo de Max, refletindo tudo que ele considerava caótico. Curioso é que os objetos que simbolizam a amizade deles contrastam com o cenário porque são os únicos que aparecem coloridos, como o autorretrato de Mary que foi presenteado ao amigo e o pompom vermelho que Max usava em cima do quipá. Síndrome de Asperger, um dos temas do filme É um assunto que muitos ficam com medo de se envolver, principalmente por falta de conhecimento: Asperger. Infelizmente, tornou-se um assunto quase ‘tabu’. Mary & Max’ não se desculpa em suas representações da vida de Max com Asperger, e deve ser aplaudido por simplesmente tornar isso um fato. Max considera isso um aspecto de quem ele é. É uma representação honesta e tragicamente leva aos eventuais problemas de Max com saúde mental, problemas sociais e eventual colapso na depressão. Mary and Max  não é fácil de assistir, pode ser desagradável, mas o fato é que, apesar de sua natureza animada, esta é talvez uma das peças corpóreas mais acessíveis do cinema para a saúde mental cotidiana. Phillip Seymour Hoffman oferece grande parte da caracterização de Max, reforçando a caricatura das esculturas de Darren Bell. Há uma franqueza, uma honestidade inocente e não filtrada em como Hoffman interpreta o papel, o que é preciso para um personagem que vive com Asperger, que não vê defeito em como ele fala ou interage com as pessoas, apesar de seus abusos e repreensões. Onde assistir Mary And Max No momento, o filme não está disponível em nenhum streaming, mas talvez você o encontre no Youtube.

Precisamos mais de psicólogos que de Deus

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Por favor, não se ofenda. Deus, mesmo se não existisse, teria uma importância incontestável na vida das pessoas. Mas isso é assunto pra outro dia, ok? Reflita comigo. Diante de tantos avanços na ciência, procurar ajuda psicológica ainda é um tabu para a sociedade. Se você aconselha alguém a procurar um psicólogo, ele reage como se isso fosse uma ofensa. Por quê? Acontece que o senso comum associa psicologia com psiquiatria. E psiquiatria é sinônimo pejorativo de doido, louco, lelé da cuca. Essa fama perdura pelo fato de que, no século 18, os primeiros psiquiatras trabalhavam em hospícios. Só depois, quando a psiquiatria adotou conceitos da psicologia, é que os casos mais moderados foram para os consultórios. É um equívoco catastrófico ignorar a importância de um tratamento psicológico. Não deveria ser vergonhoso procurar ajuda para suportar e encarar as frustrações da vida. Ruim é ficar mais doente ainda. Ruim é fugir da realidade e se entregar ao alcoolismo ou a outras drogas – nesse caso, o sofrimento é extensivo a todos os membros da família e o prejuízo emocional é muito maior. Todos nós conhecemos pessoas que precisam de ajuda psicológica, e podemos também nos incluir nessa lista. Por que precisamos dos psicólogos? Todos nós conhecemos pessoas com dificuldade de relacionamento. Pessoas com ansiedade. Com depressão. Com crises de estresse ou vivenciando traumas por um acidente, estupro, sequestro, etc. Todos nós conhecemos mães dominadoras, que implicam com todos os relacionamentos amorosos do(a) filho(a). Sofrem horrores. A vida delas é um martírio. Infelizes, trabalham pela infelicidade da prole. Todos nós conhecemos mulheres que sofrem violência doméstica em silêncio diante de uma plateia inocente, os filhos. Elas estão perdidas, sem saber que rumo tomar na vida. Todos nós conhecemos alguém que saiu de um relacionamento amoroso amargurado, revoltado. Perturbado(a) emocionalmente, trabalha incansavelmente para destruir a vida do(a) ex-companheiro(a). Todos nós conhecemos pessoas que conseguiram se livrar de algum tipo de dependência porque um amigo indicou uma determinada igreja e, após se recuperar do vício, adotou outro. Talvez pelo fato de que a religião ajuda, mas não cura. Todos nós conhecemos crianças que não superaram a morte ou a separação dos pais. A criança merece atenção especial, porque muito dificilmente ela vai conversar sobre o assunto que está incomodando. O sofrimento poderá se manifestar de diversas maneiras. É preciso saber enxergar esses sinais, pois o comportamento e as atitudes dela serão o indício de que existe sim a necessidade de ajuda psicológica. Levanta a mão quem nunca perdeu um amigo ou parente por suicídio. Uma morte que poderia ter sido evitada. Há algum tempo, a ideia de procurar um profissional na área de psicoterapia estava longe da realidade financeira de muita gente. Hoje, é possível encontrar esse serviço gratuito até mesmo nas pequenas cidades do interior, através do CREAS – Centro de Referência Especializada de Assistência Social ou CAPS – Centro de Atenção Psicossocial. Se você está precisando de ajuda ou conhece alguém que está, não hesite. Procure ou indique a unidade mais próxima no seu bairro. Aproveite para ler também:

A Origem dos Guardiões: qual é o seu cerne?

A Origem dos Guardiões Explicado para a Revista de Entretenimento Blog da Monique

Em algum lugar que não lembro a fonte, nesse vasto mundo internético, eu li que a ideia do filme A Origem dos Guardiões (2012, Prime Video) nasceu de uma pergunta feita pela filhinha do autor da obra. Ela perguntou se o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa se conheciam… own … imagine o que uma mente criativa é capaz de fazer com uma pergunta dessas! Os Guardiões do título do filme são a força unida de Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, o Homem da Areia e a Fada do Dente (cada um apropriadamente estilizado). Diante da ameaça iminente de Boogeyman e seu desejo de preencher os sonhos dos jovens do planeta com pesadelos, eles se encontram com um novo recruta, na forma de Jack Frost. E, a partir daí, surge uma batalha entre o bem e o mal, que em última instância repousa na crença dos filhos, ou não. O que é A Origem dos Guardiões? A Origem dos Guardiões é um filme de animação de 2012 produzido pela DreamWorks Animation. O filme segue um grupo de personagens icônicos, como Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada do Dente e Jack Frost. O grupo se une para proteger as crianças do mundo contra o vilão Pitch Black, o Bicho-Papão. Quem são os guardiões da Infância? São figuras míticas responsáveis por proteger as crianças: Norte (Papai Noel), Coelho da Páscoa, Fada do Dente, Sandman e Jack Frost, que é convidado a se juntar ao grupo durante o filme. Cada Guardião tem um papel na manutenção da esperança e alegria no mundo infantil. Qual é a principal missão dos protetores? A missão dos Guardiões é proteger as crianças do medo e do desespero causados por Pitch Black, o vilão que tenta espalhar pesadelos e fazer com que elas percam a fé e a esperança. A equipe luta para preservar a imaginação e a alegria das crianças. Quem é Jack Frost e qual é sua importância na história? Jack Frost é o protagonista do filme e o mais novo Guardião. Ele é o espírito do inverno, mas inicialmente não entende seu propósito. Ao longo da história, Jack descobre que seu papel é trazer felicidade às crianças através da neve e do inverno. Ele também se sacrifica para proteger as crianças e encontra sua verdadeira vocação como Guardião. Qual é o papel de Pitch Black em A Origem dos Guardiões? Pitch Black, também conhecido como o Bicho-Papão, é o antagonista do filme. Ele tenta apagar a luz da esperança das crianças, substituindo-a por pesadelos. Pitch quer que as crianças parem de acreditar nos Guardiões e, assim, se fortaleçam no medo. Quais são os temas principais de A Origem dos Guardiões? Os temas principais do filme incluem esperança, coragem, sacrifício e a importância da crença infantil. O filme também aborda a luta entre a luz (esperança, alegria) e a escuridão (medo, desespero), com os Guardiões representando a luz que protege as crianças. Como A Origem dos Guardiões conecta o Natal e a Páscoa? Embora tenha sido lançado próximo ao Natal, A Origem dos Guardiões também celebra a Páscoa, destacando que essa festa é uma das mais importantes do calendário cristão. A história se passa pouco antes da Páscoa e inclui uma caça aos ovos organizada pelo Coelho da Páscoa, reforçando símbolos de renovação e esperança. Quem é o Homem na Lua e qual é seu papel no filme? O Homem na Lua é uma figura simbólica que age como um guia espiritual para os Guardiões. Ele é o responsável por escolher os Guardiões e é visto como uma espécie de divindade ou força maior que supervisiona o bem-estar das crianças e dos próprios Guardiões. Quais são as lições que o filme A Origem dos Guardiões ensina às crianças? O filme ensina lições importantes sobre coragem, a importância de acreditar em si mesmo e nos outros, e o valor da esperança. Além disso, destaca que mesmo diante de desafios e do medo, a alegria e a imaginação podem ajudar a superar as dificuldades. Quais são as principais críticas e elogios ao filme? O filme recebeu elogios por sua bela animação, suas mensagens inspiradoras e por abordar temas complexos de uma maneira acessível para crianças. No entanto, alguns críticos mencionaram que o filme pode ser longo demais e possui um enredo que pode ser confuso em certos momentos, especialmente para o público mais jovem. Quem são os dubladores de destaque em A Origem dos Guardiões? O filme conta com um elenco de vozes talentoso, incluindo Chris Pine como Jack Frost, Alec Baldwin como Papai Noel (Norte), Hugh Jackman como Coelho da Páscoa, Isla Fisher como Fada do Dente e Jude Law como Pitch Black (Bicho-Papão). A Origem dos Guardiões é baseado em livro? Sim, o filme é baseado na série de livros The Guardians of Childhood, de William Joyce. A adaptação cinematográfica toma liberdades criativas, mas mantém os temas principais dos livros, como a proteção das crianças e a importância de heróis imaginários. Quais são os efeitos visuais e de animação em A Origem dos Guardiões? A Origem dos Guardiões é amplamente elogiado pelos impressionantes efeitos visuais e a animação detalhada. A criação dos personagens, especialmente Jack Frost e Pitch Black, destaca o uso sofisticado de luz, sombra e cores para enfatizar o contraste entre a esperança e o medo no filme. Qual é a mensagem final de A Origem dos Guardiões? A mensagem final do filme é que a esperança, a fé e a alegria são essenciais para superar o medo. Além disso, o filme reforça a importância de acreditar, mesmo quando tudo parece sombrio, e como essa crença pode transformar vidas e realidades. Qual é o seu cerne? O ponto alto dessa história é a busca do autoconhecimento. “Qual é o seu cerne?” é a pergunta retórica do filme. O cerne é a nossa essência, o âmago, o coração, a parte mais essencial do nosso caráter. É a característica primordial que nos define como únicos. A Origem dos Guardiões foi filmado pelo vencedor

Em defesa das vírgulas excluídas

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Eu acredito que não é só o fato de eu ter estudado letras, nem jornalismo, mas o meu gosto pela leitura e a paixão por escrever instalaram uma espécie de corretor ortográfico 24 horas na minha pobre mente. Isso, é claro, inclui as vírgulas. Claro que eu estou sujeita a errar quando escrevo, mas sou cautelosa. Noite dessas, depois da segunda caipirinha, estava eu de frente para o ônibus do cantor Vicente Nery em uma festa qualquer aí. Bati os olhos na frase que estampava a tatuagem no braço esquerdo dele e… pimba! Senti falta da vírgula. A frase é a seguinte: “Obrigado meu Deus!”. Trata-se de um vocativo, portanto, a vírgula não deve ser ignorada. Era para ser escrita assim, então: “Obrigado, meu Deus!”, assim como: ‘Meus Deus, obrigado!’. A ausência da vírgula no vocativo já está se tornando comum no meio da internet, por isso que eu estou aqui para levantar essa bandeira. A bichinha ainda não foi abolida da pontuação, não, viu? Respeito é bom e ela gosta! 😉 A Língua Portuguesa possui uma variedade de sinais de pontuação, que desempenham papéis essenciais na coesão, coerência e ritmo do texto. Entre eles estão o ponto final (.), a vírgula (,), o ponto e vírgula (;), dois pontos (:), reticências (…), ponto de exclamação (!), ponto de interrogação (?), aspas (“”) e travessão (—). O uso correto desses sinais é essencial para uma compreensão clara do conteúdo e para evitar ambiguidades. Isso também torna o texto mais atraente e agradável para leitura. Por que usar vírgulas? A vírgula é um sinal de pontuação versátil com várias funções, sendo amplamente utilizada nos textos. Geralmente, ela separa elementos dentro de uma frase e orações dentro de um período. Embora muitos acreditem que a vírgula deve indicar pausas respiratórias durante a leitura, esse conceito é equivocado e pode prejudicar o raciocínio durante a prova. Algumas regras podem ajudar a empregar a vírgula corretamente: Quando Usar a Vírgula À medida que escrevemos mais e praticamos a pontuação, torna-se mais fácil usar a vírgula corretamente. Enquanto isso não se torna automático, é aconselhável praticar. Na redação, não é necessário pressa; é fundamental prestar atenção e avaliar se a vírgula está sendo empregada de maneira apropriada. Separar elementos em listas Exemplos: “No dia da prova, lembre-se de trazer seu documento, caneta preta, cartão de confirmação impresso, lanche e água.” “Durante minhas férias, visitei Holanda, Espanha, França e Inglaterra.” “Eles caminharam, pararam, sentaram-se e partiram novamente.” A vírgula é usada quando se menciona algo ou alguém que requer uma explicação para contextualizar o leitor – um aposto. Exemplos: “Ana Clara, a recém-contratada, faltou no primeiro dia de trabalho.”“Jorge, o professor de português, ministrou uma aula incrível no cursinho.” A vírgula é empregada ao chamar a atenção do interlocutor, indicando um vocativo.Exemplos: “Jorge, não venha me dizer que você faltou à escola.”“Professor, desculpe o atraso.” Quando você deseja expressar uma ideia de oposição, usando termos como “mas”, “entretanto”, “porém”, “todavia” e “contudo”, criando uma oração adversativa, é necessário usar a vírgula. Exemplos: “Não gosto de chocolate, mas essa torta está deliciosa.”“Consegui ir à praia finalmente, porém choveu.” Quando Não Usar a Vírgula Há duas situações em que não se deve usar a vírgula de forma alguma: para separar o sujeito do predicado ou para separar o verbo do complemento. Por exemplo: “A aula on-line foi essencial durante a quarentena”. Nesse caso, o sujeito “a aula on-line” e o verbo “foi” não são separados. E você, também é a louca das vírgulas? Aproveite para conferir:

A mulher que escreveu a Bíblia

Mulher se olha no espelho

A beleza feminina é costumeiramente venerada e explorada em todos os veículos de comunicação, a ponto de provocar na sociedade um comportamento machista capaz de impor a beleza como algo necessário para a sobrevivência da mulher. E isso não é bom, principalmente quando a vítima não se dá conta disso. Por isso uma passagem do livro A mulher que escreveu a Bíblia, obra de Moacyr Sciliar, me chamou atenção. Antes de tudo… Sinopse | A Mulher que Escreveu a Bíblia A Mulher que Escreveu a Bíblia é um romance histórico do escritor brasileiro Moacyr Scliar, publicado originalmente em 1999. O livro conta a história de uma mulher chamada Diná, que viveu na Babilônia durante o período do exílio dos judeus. Ela é uma escriba, ou seja, uma pessoa responsável por escrever e copiar documentos importantes. Diná é uma personagem fictícia, mas o livro é baseado em fatos históricos e traz diversas referências à vida dos judeus durante o exílio babilônico. A história é narrada por meio de uma série de cartas que Diná escreve para sua neta, relatando suas experiências e reflexões sobre sua vida e seu papel como escriba. O livro aborda temas como a relação entre os judeus e os babilônios, a importância da escrita na cultura judaica, a condição da mulher na sociedade antiga e a luta pela liberdade e pela identidade cultural. A Mulher que Escreveu a Bíblia é uma obra rica em detalhes históricos e literários que oferece uma visão única sobre um período importante da história da humanidade. Ela viu sua imagem refletida em um espelho: Eu não podia acreditar no que estava vendo. Meu Deus, sou essa aí? Não havia ali nenhuma simetria, naquela face, nem mesmo a temível simetria do focinho do tigre; eu buscava em vão alguma harmonia. Não era a grande harmonia das esferas que eu pretendia, um pequeno ser harmônico já me seria suficiente, mas nem isso eu obtive porque havia um conflito naquele rosto, a boca destoando do nariz, as orelhas destoando entre si. E os olhos, que poderiam salvar tudo, eram estrábicos, um deles mirando, desconsolado, o espelho, o outro com o olhar perdido, fitando desamparado o infinito, talvez para não ter de enxergar a cruel imagem. Detalhe (mas ainda é preciso detalhar? É, sim, é preciso ir ao detalhe, é preciso descer até o fundo do melancólico poço): sinais. Disseminados pela face, eu tinha – não contei, mas acho que duas dezenas é uma estimativa até conservadora – sinais. Sinais às pencas, um despropósito de sinais, um surto inflacionário de sinais. Pela variedade, poderiam se constituir no objeto de um tratado de dermatologia. Havia-os de variado tamanho e matiz. Um deles me incomodava particularmente; de tão protuso; era quese sessil, balançando desamparado no ar. A um vento mais forte, e ventos fortes em nossa região não eram incomuns, se desprenderia e seria levado para longe dali. Se caísse entre pedras feneceria, se caísse na areia do deserto feneceria, se caísse na cratera de um vulcão feneceria – e ele fenecendo eu só me alegraria, mas se caísse em terra fértil… Se caísse em terra fértil germinaria, e sabe Deus que planta nasceria dali, que estranha árvore de galhos secos e retorcidos. Se a esse espécime dessem, mesmo que por intuição, o epíteto de árvore da feia, eu não poderia me queixar; o máximo que poderia fazer era tentar abatê-la na calada da noite. Resumindo, era isso o que eu via: a) assimetria flagrante; b) carência de harmonia; c) estrabismo (ainda que moderado); d) excesso de sinais. Falta dizer que o conjunto era emoldurado (emoldurado! Essa é boa, emoldurado! Emoldurado, como um lindo quadro é emoldurado! Emoldurado!) por uns secos e opacos cabelos, capazes de humilhar qualquer cabeleireiro. O que o espelho me mostrava era algo semelhante a uma paisagem estranha, atormentada, na qual os acidentes (acidentes: muito apropriado, o termo) geográficos não guardavam a menor relação entre si. Uma catástrofe tinha ocorrido em minha face, um cataclisma que seguramente antecedera de muito o meu nascimento; o que eu estava vendo era a feiura arcaica, a feiura ancestral, uma feiura consolidada pelos anos, pelos milênios, talvez.

Bem-me-quer, malmequer: o papel do hífen na nova regra ortográfica

Como se escreve bem me quer e mal-me-quer?

Por que será que bem-me-quer tem hífen, mas malmequer não? Desde 2013 o uso das novas regras ortográficas é obrigatório. Calma. Não é o fim do mundo como a civilização Maia previu. Entretanto, essa mudança marca o apocalipse oficial da ortografia que conhecemos desde o tempo em que nos reconhecemos como gente. As regras de acentuação não são difíceis de memorizar. Basta um pouco de tempo pra gente se acostumar com ideia, feiura, joia, enjoo, etc. O não uso do trema é a regra mais fácil, claro, é só abolir. Mas o uso do hífen, esse é cruel. Cruel porque são muitas as exceções que fogem da regra. Enfim… continue a leitura para descobrir as mudanças no hífen. Bem-me-quer x Malmequer Conheça os motivos pelos quais uma palavra tem hífen e a outra, não. Bem-me-quer “Bem-me-quer” é escrito com hífens porque é uma frase que significa “quer-me bem“. Vamos dividir para entender melhor: Quando juntamos essas palavras com hífens, temos a ideia de que alguém ou algo nos quer bem, nos deseja coisas boas. Malmequer “Malmequer” é uma palavra só e não tem hífens. É o nome de uma flor. O nome da flor vem de “mal me quer”, que é o contrário de “bem-me-quer”. Então, “malmequer” é uma palavra única que usamos para falar sobre essa flor que, na brincadeira, significa que algo não é bom para nós. Por que a diferença? Bem-me-quer é uma frase: Cada palavra tem um significado e, ao juntá-las, usamos hífens para manter o sentido de cada uma. Malmequer é uma palavra só: O nome da flor foi juntado para formar uma palavra única, sem precisar de hífens. Isso ajuda a manter a linguagem clara e fácil de entender, mostrando que uma é uma frase com palavras que se relacionam entre si e a outra é um nome específico para algo. Conheça outras regras do hífen As regras do hífen são complexas, mas é fácil memorizar. Prefixos terminados em vogal + palavras começadas por R ou S antessala, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirrival, autorregulamentação, autossugestão, contrassenso, contrarregra, contrassenha, extrarregimento, infrassom, ultrassonografia, semirreal, suprarrenal. Prefixo + palavras com a mesma vogal anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus. Prefixo + palavras com vogal diferente autoafirmação, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiárido, semiautomático. A regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por h: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo. Gostou de saber a diferença dos hífens em bem-me-quer e malmequer? Aproveite para ler também: 115 anos sem Machado de Assis: relembre os clássicos

“É muito azar do nego, maluco!”

Boneco Tizil Nas Garras da Patrulha: é muito azar do nego, maluco!

Você já deve ter ouvido a frase: “É muito azar do nego, maluco!” O Programa As Garras da Patrulha, exibido pela TV Diário, tem um estilo muito próprio de fazer humor. Sempre com muita sagacidade, originalidade, mostra a identidade e o regionalismo do povo cearense. Isso tudo somado a muita criatividade e simplicidade: os bonecos são feitos de pano, os atores geralmente não aparecem e o cenário é artesanal. Entre os vários personagens do Programa, um em especial se destaca por ser um transgressor da lei que vive com o pé na cadeia. Francisco da Silva, conhecido como Tizil, é um meliante que só se dá mal em todos os delitos que pratica. A malandragem contrasta com a ingenuidade e ele usa um vocabulário único, quase musical. O nome do quadro é Rabo de Foguete e os episódios deixam explícito que o ‘crime não compensa’. Tizil nas garras da Patrulha Enquanto Tizil apronta pelas ruas de Fortaleza, o apresentador ‘Marcelo Revende’ vai interagindo com o telespectador durante as cenas e muitas vezes com o próprio Tizil em tempo real… Quando o meliante tentou assaltar por engano um grupo de ladrões que estavam se organizando para iniciar um arrastão, o apresentador relatou que “peia pra dez, Tizil comeu sozinho…” – linguagens que só um cearense é capaz de entender. Para completar a maré de azar do personagem, nesse episódio ele foi atropelado pela única viatura do Honda que trafegava naquele dia, em plena greve dos policiais. ‘É muito azar do nego’ Diversos são os delitos cometidos por Tizil. Ele já “merendou” em uma lanchonete e saiu sem pagar, planejou a explosão de um caixa eletrônico, roubou um colchão que secava na calçada da vizinha e até um cavalo. “Pra azar de Tizil, o cavalo era tão ensinado que sabia que tava levando um meliante no seu espinhaço, e por isso ele seguiu no caminho da delegacia…e rebolou Tizil na mesa do delegado…”, conta o apresentador Marcelo Revende. O final é sempre trágico. Tizil acaba em uma enfermaria de hospital antes de seguir para a cadeia. A redação das histórias é feita por Ery Soares, o humorista que dá vida ao boneco (foto). A camaradagem entre os presidiários é costumeiramente retratada. Certa vez, quando Tizil saiu do presídio, um dos colegas de quarto, com a certeza que o veria novamente, soltou essa: “Tizil, chapa, meu irmão, quando tu voltar, passa no sinal e compra uma raquete daquelas de matar muriçoca pra gente!”, no que ele respondeu: “Só uma dá?”. Ery Soares: a voz do nego Tizil Ery Soares é humorista, redator e produtor na TV Diário. Seu primeiro emprego profissional foi na Rádio Cidade 95,5 Fortaleza, onde teve a oportunidade de trabalhar em parceria com os humoristas: Skolástica, Rossicléia, Wellington Muniz (O Ceará) e outros. Também participou como ator em comerciais de TV e integrou o elenco do filme “A Maldição da Sogra Coral”, ao lado de humoristas importantes, como: Zé Modesto, Augusto Bonequeiro, Aurineide Camurupim, Alex Nogueira e Papudim. Ery integra o elenco de humoristas do programa “Nas Garras da Patrulha”, na Rádio Verdes Mares e TV Diário. Nesse programa, ele cria diversos personagens, incluindo Seu Grossélio, Dudu Gasguito, Panelada, Repórter Gonzaga e o popular Tizil. Não é difícil imaginar o motivo do sucesso do personagem Tizil. Ele é uma figura real, popular. Ele existe, está nas ruas, convivendo entre nós. O problema é que o Tizil da realidade não se dá mal como o da ficção. No mundo real as coisas são bem diferentes. A impunidade e o falso paternalismo de soltar quem deveria cumprir pena, são fatos vergonhosos para nós, brasileiros. Aproveite para ler também: Alerta de sátira: Como se tornar um líder de seita Suspense paranormal com terror e comédia Por que esta comédia fez sucesso no exterior?

Parque Nacional de Ubajara hospeda testemunha viva

pau brasil

Localizado na Serra da Ibiapaba, no noroeste do Ceará, o Parque Nacional de Ubajara é uma joia natural que encanta os visitantes com uma combinação de belezas naturais, biodiversidade rica e um clima ameno. Criado em 1959, o parque abrange uma área de 6.299 hectares e oferece trilhas deslumbrantes, cachoeiras refrescantes e a famosa Gruta de Ubajara, uma caverna repleta de formações rochosas impressionantes. Além de ser um refúgio para aqueles que buscam contato com a natureza, o parque tem importância ecológica e histórica: abriga diversas espécies da fauna e flora típicas do bioma Mata Atlântica, além da experiência única de convivência com a natureza preservada. Para os aventureiros, as trilhas oferecem vistas panorâmicas da serra e, para quem prefere um passeio mais leve, o bondinho que desce até a gruta é uma atração imperdível. Parque Nacional de Ubajara hospeda testemunha viva da ação do homem Ela foi vítima e, ao mesmo tempo, testemunha da ganância do homem nas idades mais remotas da civilização brasileira. Presenciou a vida e os costumes dos povos indígenas. Participou do domínio dos portugueses no terreno brasileiro. Nome científico: Caesalpinia echinata, mas todos a conhecem como Pau-Brasil, árvore majestosa que mede até 15m de altura, com generosas folhagens e tronco avermelhado. O ano era 1515, uma época em que não havia nenhum tipo de manejo florestal ou preocupação em preservar o meio ambiente. Segregadas pelo desmatamento desenfreado, as florestas de pau-brasil foram o registro da primeira atividade econômica dos portugueses em território brasileiro. Das árvores eram extraídas a brasileína, um pó avermelhado para o tingimento de tecidos, enquanto a madeira era propícia para a fabricação de móveis. Portugal, que antes adquiria a brasileína por intermédio dos mercadores que vinham do Oriente, visualizando um futuro promissor pela frente, tornou a exploração do Pau-Brasil posse exclusiva da Coroa. Os índios eram facilmente convencidos a trabalhar na extração das árvores, pois o homem branco, se aproveitando da ingenuidade deles, os seduziam com presentes, quinquilharias ou objetos como espelhos, facões, machados, entre outras coisas, como forma de pagamento. O pau-brasil foi considerado extinto, quando em 1928 verificou-se a existência de uma árvore na Estação Ecológica da Tapacurá, em Pernambuco. O Parque Nacional de Ubajara, unidade de conservação na Serra da Ibiapaba, mantém algumas dessas testemunhas vivas no Centro Administrativo do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade – ICM BIO. Lá, os visitantes podem apreciar o paisagismo do pau-brasil e outras árvores majestosas que ajudam a vivenciar a História do Brasil. Aproveite para ler também:

Ubajara – Sugestões para formação de um atrativo turístico

Acontece nos dias 10,11 e 12 de julho o Festival Municipal de Quadrilhas de Ubajara. O evento é realizado pela Secretaria de Turismo e mobiliza grupos de diversas comunidades, além de convidados de outras regiões. É muito gratificante assistir a alegria contagiante dos brincantes, a criatividade das coreografias e dos cenários. Esse Festival já se consolidou como evento anual no calendário das festividades do município, por isso é possível fazer dele um atrativo turístico. A primeira coisa a ser feita é dar uma turbinada na programação, que ora oferece apenas a apresentação dos grupos de quadrilha, quando deveria ter um show grande no dia da abertura com uma artista do nível da Elba Ramalho, por exemplo. No segundo e terceiro dias, bandas regionais. O mesmo público que assiste as belas, porém intermináveis apresentações, também gosta de dançar – e um show com um artista conhecido nacionalmente atrai gente de outros estados. Pessoas de outros estados são possíveis turistas. Turistas são seres animados, bípedes, geralmente carnívoros, que costumam viajar sozinhos ou em grupo. Eles se hospedam nos hotéis da região que desejam conhecer e contribuem para a economia local porque consomem, gastam uma grana na cidade. Grana na cidade gera o efeito multiplicador, que por sua vez gera o desenvolvimento. Outro fator importante é disponibilizar uma página na internet com a programação do evento, além de investir em outras mídias, claro – de preferência meses antes dele acontecer, isso é importante e requer planejamento. Essa página não precisa ter um domínio próprio, basta que ela esteja hospedada no site da Prefeitura que já existe: www.ubajara.ce.gov.br. Isso é uma coisa muito simples de fazer e que gera resultados, porque é a informação que se torna pública. O calendário anual de eventos deve romper as barreiras do marketing de boca. É vergonhoso reconhecer que Ubajara, assim como outras cidades da Serra da Ibiapaba, ainda não fazem bom uso da internet. Isso me lembra muito o Mito da Caverna de Platão, pois é como se estivéssemos vivendo na escuridão. O marketing moribundo e a falta de informação fazem parte de um lado sombrio que aprisiona, cega, retrocede. Recentemente a Câmara de Vereadores entrevistou a Secretária de Turismo, Socorro Pessoa. Esse convite foi feito insistentemente por diversas vezes, pois o dia da sessão não batia com a agenda da Secretária, enfim, o dia tão esperado chegou e a bendita entrevista transcorreu sem que nenhum vereador abordasse o tema TURISMO. O assunto em pauta foi a respeito da fiscalização de uma obra e falaram ainda sobre o futebol, pois a pasta de esportes também faz parte dessa secretaria. É lamentável saber que o turismo seja visto com tanta indiferença por aqueles que estão com a caneta na mão. Ao mesmo tempo, sei que há outras vertentes capazes de gerar desenvolvimento e Ubajara felizmente terá a satisfação de testemunhar o início de uma nova era com a conquista do Centro de Especialidades Odontológicas e do Centro Federal de Educação Tecnológica, mas não vamos esquecer que a natureza foi muito generosa com essa cidade e que ser indiferente ao turismo é renegar o nosso potencial. [HUMOR] Leia também: A surpreendente história de Uba e Jara Reza a lenda que foi numa tarde ensolarada de janeiro que Uba e Jara se conheceram. Uba, o índio, tomou o último gole do chá da folha de bamburral, porque estava se recuperando de uma terrível diarreia. Conheça a surpreendente história que origem ao topônimo UBAJARA.

O Ciúme, por René Descartes

René Descartes

No tratado Ciúmes, parte de suas reflexões sobre as paixões, René Descartes mergulha profundamente nos sentimentos humanos, explora as raízes e os impactos dessa emoção tão comum, mas muitas vezes incompreendida. Ele aborda o ciúme como uma combinação complexa de amor, medo e inveja, oferecendo uma perspectiva filosófica da vida emocional das pessoas. Neste post, vamos navegar nas ideias dele sobre o tema. O Verdadeiro e o Falso Ciúme de René Descartes “O ciúme é uma espécie de temor, que se relaciona com o desejo de conservarmos a posse de algum bem; e não provém tanto da força das razões que levam a julgar que podemos perdê-lo, como da grande estima que temos por ele, a qual nos leva a examinar até os menores motivos de suspeita e a tomá-los por razões muito dignas de consideração.  E como devemos empenhar-nos mais em conservar os bens que são muito grandes do que os que são menores, em algumas ocasiões essa paixão pode ser justa e honesta. Assim, por exemplo, um chefe de exército que defende uma praça de grande importância tem o direito de ser zeloso dela, isto é… …de suspeitar de todos os meios pelos quais ela poderia ser assaltada de surpresa; e uma mulher honesta não é censurada por ser zelosa de sua honra, isto é, por não apenas abster-se de agir mal como também evitar até os menores motivos de maledicência. Mas zombamos de um avarento quando ele é ciumento do seu tesouro, isto é… …quando o devora com os olhos e nunca quer afastar-se dele, com medo que ele lhe seja furtado; pois o dinheiro não vale o trabalho de ser guardado com tanto cuidado. E desprezamos um homem que é ciumento de sua mulher, pois isso é uma prova de que não a ama da maneira certa e tem má opinião de si ou dela. Digo que ele não a ama da maneira certa porque se lhe tivesse um amor verdadeiro não teria a menor inclinação para desconfiar dela. Mas não é à mulher propriamente que ama: é somente ao bem que ele imagina consistir em ser o único a ter a posse dela; e não temeria perder esse bem se não julgasse que é indigno dele, ou então que a sua mulher é infiel. De resto, essa paixão refere-se apenas às suspeitas e às desconfianças; pois tentar evitar algum mal quando se tem motivo justo para temê-lo não é propriamente ter ciúmes”. Análise Olha só, Descartes traz uma visão super interessante sobre o ciúme. Ele começa explicando que o ciúme nasce do medo de perder algo que consideramos muito importante. Não é tanto sobre a certeza de que vamos perder, mas sobre o quanto a gente valoriza aquilo – e aí, qualquer coisinha já vira motivo de desconfiança. Agora, o que achei legal é que ele diz que, em alguns casos, esse ciúme pode até ser “justo” ou “honesto”. Tipo, quando um general está defendendo um território importante. Ele tem todo o direito de ser cuidadoso, porque o que está em jogo é algo grande. Mas Descartes também critica os excessos, como o ciúme de um avarento com seu tesouro. Ele deixa claro que, nesse caso, o valor que a pessoa dá ao dinheiro é exagerado. E aí vem a parte mais interessante, na minha opinião: ele fala sobre o ciúme entre casais. Ele é direto em dizer que, se um homem sente ciúmes da mulher, isso significa que o amor dele não está sendo do jeito certo. E por quê? Porque ele não está amando a pessoa, mas a ideia de “possuir” ela. Ele tem medo de perder, não porque se preocupa com ela, mas porque acha que está em jogo o próprio ego, a própria insegurança. Essa insegurança é a chave aqui. Descartes aponta que, se o ciumento tivesse confiança em si mesmo e no relacionamento, ele não teria motivos para desconfiar. Quando ele coloca a suspeita em primeiro lugar, isso mostra que ele vê a parceira como algo que ele “tem” e não como uma pessoa com quem ele compartilha o amor de forma genuína. Então, a mensagem final do Descartes é bem clara: o ciúme surge das nossas próprias inseguranças e da forma errada como a gente enxerga o outro. Quando tem uma suspeita real, é uma coisa, mas esse ciúme que vem da desconfiança infundada não é saudável e só revela que, no fundo, a gente precisa trabalhar mais no amor próprio e no respeito pelo outro. Aproveite para ler também:

A surpreendente história de Uba e Jara

moni indio blog

A Surpreendente História de Uba e Jara é um projeto que nasceu em 2009, lancei um e-book com o conto completo, mas tirei do ar por enquanto para fazer uma nova edição. A história de Uba e Jara Jara, a índia de longos cabelos cor de burro quando foge, não era virgem, tampouco tinha lábios de mel. Ativista, destemida e avançada para o tempo, muitas vezes falava sobre um futuro que os outros não compreendiam. Autodidata: aprendeu a ler e escrever sozinha. Devorava temas sobre filosofia e ciência, principalmente. Boatos corriam que era filha de Tupã, o espírito do trovão, o grande criador dos céus, da terra e dos mares. Isso porque desconheciam a origem daquela erudição. Quando bebê, foi abandonada próximo ao sumidouro, no sítio Suminário, enrolada em um pano branco, ainda suja de sangue — certamente em consequência de parto recente. Chorava feito um bezerro desmamado. O pajé Ferdinando Tadeu, curandeiro que explorava fauna e flora na região, foi quem a encontrou. Comovido, o bom homem a levou para a aldeia dos tabajaras, na gruta de Ubajara. Lá, a pequenina recebeu cuidados e educação conforme os costumes da tribo. Desde cedo, ela o ajudava a colher plantas medicinais para o preparo de banhos, chás, xaropes e vários remédios. Adquiriu diversos conhecimentos, curou muitos enfermos e se tornou indispensável na aldeia. Ano 1884. Em uma tarde ensolarada, Jara preparava a habitual make de urucum para realçar o olhar quando sabiamente percebeu que, naquele momento, aconteceria a revoada das tanajuras. Espalhou protetor solar fator 50 pelo corpo, calçou um par de Havaianas e saiu à caça das famosas formigas comestíveis. Os vizinhos Cauã, Anahi e Tainá também fizeram o mesmo. Todos entoavam o mantra sagrado: “Cai, cai, tanajura, que teu pai tá na gordura…” Aproveite para ler também: Na Serra da Ibiapaba é assim… no início do ano, logo no primeiro dia de sol depois de um período de chuvas, acontece a manifestação das tanajuras – enormes formigas voadoras que possuem um ferrão capaz de beliscar com força qualquer um que as ameace. Sim, elas possuem personalidade forte (seriam feministas?)… Leia Mais

João Ribeiro Lima, uma história de vida

Senhor João Ribeiro Lima de Ubajara

* Texto produzido em 2009 por ocasião da comemoração dos 80 anos de vida do Sr. João Ribeiro Lima. Por Monique Gomes com colaboração de Humberto Ribeiro Lima. Quem foi João Ribeiro Lima? No dia 6 de janeiro de 1927 nascia em Ubajara o menino João Ribeiro Lima. Filho de Juventina Perdigão e Flávio Ribeiro Lima, teve mais 16 irmãos. Naquela época, muitas crianças não resistiam e morriam com poucos dias de vida. O fato aconteceu na família Ribeiro, que aos poucos perdeu 15 dos seus 17 filhos. Saúde A mortalidade infantil na década de 1920 foi influenciada por diversos fatores, como: condições sanitárias, nutrição, políticas públicas e condições socioeconômicas. A assistência médica também era precária e muitos bebês e crianças acabavam morrendo por doenças que hoje são facilmente tratáveis ou preveníveis. Mas João Ribeiro se desenvolveu, assim como o seu irmão, Humberto. E foi aos 8 aninhos de idade que começou a trabalhar no comércio do pai, em Olinda, uma comunidade distante a poucos quilômetros de Ubajara. A família morou lá por 3 anos. Em seguida, o Sr. Flávio se desfez do comércio para lidar na agricultura, atividade que prosperava na cidade. Assim, a família se mudou para uma nova casa, no Sítio Paus Altos, em Ubajara. O menino João arava a terra, plantava e ajudava na colheita, além de levar o alimento aos trabalhadores. Educação Na década de 40 não havia escolas em Ubajara. Os irmãos João e Humberto estudavam em casa com a própria mãe, Juventina Perdigão. Alguns ubajarenses, movidos pela sabedoria e pelo prazer de ensinar, ofereciam aulas em suas casas. Foi assim que João Ribeiro concluiu os estudos, seguindo à pé, todos os dias, do sítio para o centro da cidade, ao lado do pai. Clima de Serra O clima em Ubajara era extremamente frio. No período de inverno as famílias mais ricas migravam lugares mais quentes por seis meses, até o verão chegar. A Família Ribeiro passou alguns desses invernos no Estado do Piauí e outros no Sítio Jaburu, zona rural de Ubajara. Não havia energia elétrica e nenhum meio de comunicação como tevê ou rádio. Para evitar desperdício, os alimentos eram conservados em sal grosso. Mesmo com aspecto de férias, o retiro das famílias no inverno era também de muito trabalho. O pequeno João ajudava na lida de casa, tirava leite da vaca, combatia as pragas das plantações e cuidava dos animais. Nos fins de tarde, se juntava com o irmão Humberto e, assim, faziam arapucas para pegar preás, uma espécie de roedor. Tecnologia No ano em que o rádio chegou, foi a alegria geral. Enquanto uma bateria funcionava, a outra ficava pegando carga. Do lado de fora da casa, uma antena gigantesca fazia parte do cenário: só assim o bendito rádio funcionava… Na primeira metade do século XX, os rádios eram grandes e pesados. Exigiam baterias volumosas para funcionar. Isso fazia com que os aparelhos fossem caros e inacessíveis para muitas pessoas. À noitinha, a família Ribeiro se reunia na sala com os vizinhos para ouvir os programas e as notícias do Brasil e do mundo. Era revolucionário ter acesso a informações e entretenimento que antes permaneciam limitados a jornais e revistas. Empreendedorismo Aos 18 anos, incentivado pelas experiências que teve quando criança com o pai, João Ribeiro Lima montou sua própria loja no centro da cidade, a Casa de Variedades Ltda. Com muito trabalho e dedicação, em apenas um ano conseguiu cobrir as despesas do investimento inicial: 10 contos de réis que pediu emprestado a um amigo. (Segundo consulta ao ChatGPT, 10 contos de réis equivalem a aproximadamente R$ 2.750 reais nos dias de hoje, considerando a taxa de conversão do cruzeiro para o real ). João Ribeiro Lima contribuiu muito com o desenvolvimento econômico e social de Ubajara. Casamento Em 1957, João Ribeiro casou-se com Maria Antonieta e desse enlace matrimonial nasceram seus três filhos: Maria Tereza, João Filho e Tereza Cristina. Hoje, os frutos do seu trabalho são notórios, pois a família perpetuou o legado. Esse é João Ribeiro Lima (in memoriam), um ser humano que teve a grandeza e a dignidade de vencer na vida com o suor do seu trabalho. Um homem com princípios baseados no respeito ao próximo e vínculos familiares, honesto, trabalhador. Aproveite para ler também: