Precisamos falar sobre suicídio novamente

Em menos de 15 dias, pelo menos três pessoas cometeram suicídio na cidade de Tianguá, município da Serra da Ibiapaba, Ceará. Os fatos aconteceram agora, em plena véspera de Natal.

O tema é bastante desconfortável e cada caso é muito particular. No entanto, já passou da hora de falarmos sobre isso, não acha? 

Neste artigo, você vai conhecer o suicídio em números. Também vamos tentar entender o motivo pelo qual uma pessoa se mata, que doenças estão relacionadas a esse problema e o que nós podemos fazer. 

O suicídio em números

Para você ter uma ideia, segundo a Organização Mundial de Saúde, o mundo contabiliza um suicídio a cada 40 segundos. No Brasil, alguém tira a própria vida em intervalos de 45 minutos.

Se você acha que esses números são assustadores, espere para conhecer a nossa realidade aqui no Ceará: em 2014 foram registrados 488 casos; no ano seguinte, 533. 

Estamos em terceiro lugar no ranking com a maior taxa de suicídio do país — essa estatística está aumentando a cada ano. Será que a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada se entendêssemos melhor os fatores de risco? Vamos refletir sobre isso. 

Afinal, o que faz alguém se matar?

Atire a primeira pedra quem nunca pensou em morrer diante de uma dor terrível ou profundo desespero. Mas o que faz com que uma pessoa chegue ao extremo de se matar? Especialistas afirmam que esse problema acontece com público de várias faixas etárias e em todas as classes sociais.

O adolescente, por exemplo, não tem a mesma resiliência que um adulto diante das adversidades. Para ele, a dor beira o insuportável. O sofrimento é mais intenso e a vida se torna um fardo (faça um esforço e tente se lembrar do momento dramático que foi o fim do seu primeiro namoro).

Muitas vezes é difícil imaginar o que levou um amigo, membro da família ou uma pessoa pública a cometer tamanha violência contra si mesmo. Nem sempre há sinais de alerta e você pode se perguntar se deixou alguma pista escapar. 

Algumas doenças estão intimamente ligadas ao problema, mas não é regra geral. Os principais transtornos associados ao suicídio são: depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, dependência química, transtorno de personalidade — principalmente bordeline. 

Fatos como a desestruturação familiar e a ineficiência da rede de saúde para tratar essas doenças agravam ainda mais a situação.

Em grande parte dos casos, a pessoa não quer morrer exatamente. Logo, ela não sabe como pedir ajuda e deseja demonstrar ao mundo o quanto está sofrendo. Quem faz uma tentativa fracassada corre risco maior de repetir e as próximas vezes têm muito mais chances de serem letais.

O que podemos fazer para evitar o suicídio de alguém?

A primeira coisa é falar sobre isso. Ninguém em estado suicida ou com problemas de saúde mental deve se sentir calado ou envergonhado. O mesmo vale para quem está preocupado com um amigo ou parente.

Portanto, não tenha medo de abordar o assunto. Não ache que, ao conversar, vai acabar “colocando a ideia na cabeça da pessoa”. Existem muitos sinais de alerta para você identificar um potencial suicida: diálogos depressivos, isolamento, pensamentos de ódio, perda de interesse pela vida, uso abusivo de álcool ou outra droga etc.

o conhecermos esses sinais, podemos ter mais consciência, fazer perguntas e agir rapidamente quando alguém precisar e, se for possível, encaminhar a um psicólogo. Como ele ou ela conseguiu superar essas dor  anteriormente? Esteja pronto para falar pela perspectiva positiva de quem quer viver.

Cuidar mais uns dos outros é o mínimo que podemos fazer. Felizmente, nessa batalha do “bem contra o mal” existem anjos como os voluntários do Centro de Valorização da Vida. Eles realizam apoio emocional e prevenção ao suicídio gratuitamente em diversos canais como chat on-line, telefone, e-mail, skype e outros.

* Por Monique Gomes, jornalista freelancer certificada em marketing de conteúdo.

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s