WhatsApp, Fabíola e Leite Ninho zero lactose

2015 foi um ano esquisito. É, ainda não acabou, mas nessas últimas semanas de dezembro parece que alguém apertou o botão forward do mundo. Uma avalanche de coisas bizarras está acontecendo ao mesmo tempo e em velocidade acelerada – fora o fato da Nestlé ter lançado o Leite Ninho zero lactose (eu tenho intolerância a glúten, mas sou solidária).

Após uma decisão judicial que ordenou a paralisação do WhatsApp por 48 horas, os responsáveis declararam que a justiça brasileira estava pedindo uma informação que eles não tinham – mensagens de uma quadrilha de criminosos que eram investigados há dois meses. O aplicativo ficou fora do ar por 12 horas na quinta, 17/12, para desespero de muitos. O the end dessa história é que o perrengue será resolvido com uma multa e há quem afirme que o marco civil da internet não foi aplicado corretamente nesse caso.

É fato que o WhatsApp revolucionou a forma como a gente se comunica, mas o que pode acontecer quando alguém se torna dependente de um aparelho celular? O que pode acontecer quando centenas, milhares de pessoas se tornam dependentes de um aparelho celular? Certamente seríamos uma nação de zumbis. Nesse caso, os autores da série The Walking Dead seriam profetas moderninhos se divertindo como produtores de filme.

A internet não é má, no entanto, ela tem poder. Para o bem ou para o mal. Ela faz você conhecer uma história sem sequer ter lido a matéria na íntegra. Jéssica apanhou da amiga. Fabíola traiu o marido. Tudo vira meme. Não deixa de ser hilário, tamanha a criatividade e disponibilidade de tempo para produzir esse tipo de conteúdo.

Nessas horas é importante fazer uso daquela característica que nos diferencia dos seres inanimados: inteligência (apesar de muita gente fazer questão de economizar). Os memes são divertidos, mas é bom que exista a percepção de que a menina Jéssica sofreu uma agressão física e moral publicamente.

Fabíola também foi agredida quando teve sua intimidade exposta na internet, mas esse detalhe não foi percebido, uma vez que ela mentiu dizendo que ia fazer as unhas, quando, na verdade, foi ao motel. Sempre que uma mulher trai é comum que os holofotes apontem apenas para ela. Fabíola mentiu, Fabíola traiu. O homem com quem Fabíola estava é um mero coadjuvante. É como se a moça tivesse apontado uma arma na cara do amante, vociferando: Dirige até o motel senão eu te mato!. Pobre homem. Vítima de uma mulher sedutora.

Freud se reviraria no túmulo diante do comportamento do marido que, na febre da ira, publicou o vídeo que mostra o flagra do casal saindo do motel nas redes sociais. Que espécie de homem leva um chifre e não se aguenta até contar pra todo mundo? Talvez Freud explicaria.

Enquanto escrevo essas mal traçadas linhas para ilustrar o quanto 2015 foi um ano esdrúxulo (e nem entrei no tema político), a polícia apreendeu um submarino que estava em construção no nordeste do Pará que seria utilizado para o tráfico de drogas. Bebês estão nascendo com microcefalia por causa de um mosquito. Na China, as pessoas estão comprando ar puro engarrafado, já que respirar o ar de Pequim é o mesmo que fumar 40 cigarros por dia.

Certo está o filósofo quando concluiu que o inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo.


Monique Gomes é jornalista freelancer, blogueira, cinéfila, isenta de glúten e certificada em Marketing de Conteúdo pela Rock Content.

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s