A história real por trás de Judas e o Messias Negro

Judas e o Messias Negro (indicado ao Oscar 2021) é baseado na história real de como o presidente e ativista do Partido dos Panteras Negras, Fred Hampton, foi traído por um informante do FBI chamado William O’Neal na década de 1960. 

O filme é estrelado por Daniel Kaluuya como Fred, LaKeith Stanfield como O’Neal, com direção de Shaka King. Continue a leitura para conhecer os fatos que resultaram em uma trama desonesta.

Por que “Judas e o Messias Negro”?

Na Bíblia, Judas é o discípulo que entrega Jesus, o Messias, às autoridades para ser crucificado. O termo “messias” também se refere ao fato de que o FBI queria evitar o surgimento de um messias dos direitos civis que pudesse influenciar multidões e, potencialmente, começar uma revolução.

Quem foi Fred Hampton?

Fred Hampton foi um ativista dos direitos humanos e um dos líderes dos Panteras Negras. O filme o acompanha desde a época em que o informante do FBI William O’Neal se infiltrou nos Panteras Negras no final de 1968. 

Quando um comício organizado por ele em 1967 se tornou violento depois que a polícia lançou gás lacrimogêneo na multidão, tanto a polícia local quanto o FBI começaram a vigiá-lo.

Em 1968, Fred foi acusado de agredir um caminhoneiro, roubar 70 dólares em sorvete e distribuir para as crianças, acusação que ele negou. O filme não entra em detalhes do julgamento criminal, mas insinua que tudo foi uma armação para tirá-lo das ruas. 

Em 26 de novembro, o recurso dele foi negado. Antes de retornar à prisão, aos 21 anos, foi morto a tiros pela polícia em seu apartamento na manhã de 4 de dezembro, enquanto dormia, como visto no filme.

Quem foram os Panteras Negras?

Uma organização socialista revolucionária formada em Oakland, Califórnia. O partido foi criado em meio ao Movimento da Liberdade Negra, que teve início em meados da década de 1950, segundo o livro Encyclopedia of Southern Culture.

Os panteras acreditavam que a morte de Martin Luther King Jr. era a prova de que o avanço dos direitos civis por meio da não-violência não funciona.

O grupo é conhecido por seu uniforme característico de boina preta e punho levantado, bem como a ideologia de autodefesa armada. Mas suas realizações menos conhecidas incluíram programas de combate à fome, melhorias no acesso à educação e serviços de saúde às comunidades negras.

Quem foi William O’Neal?

William O’Neal, o informante do FBI que forneceu as informações usadas para organizar o assassinato de Fred Hampton, deu apenas uma entrevista sobre o tempo que esteve entre os Panteras — parte da transcrição é mostrada no início do filme.

Em 1967, ele e um amigo roubaram um carro, dirigiram até Michigan, deixaram seus nomes e endereços reais em um salão de bilhar para jogar e, em seguida, bateram o carro. Três meses depois, o agente do FBI Roy Mitchell contatou O’Neal, disse que sabia do roubo e ofereceu-lhe a oportunidade de evitar a prisão trabalhando como informante. 

A verdadeira história de Judas e o Messias Negro

Como membro do Partido dos Panteras Negras, Fred Hampton negociou um pacto de não agressão entre as gangues. Ele enfatizou que as lutas internas apenas os manteriam presos no mesmo ciclo de opressão. Formou uma aliança multicultural que incluía diversas gangues e grupos políticos da comunidade negra. 

Fred também organizou manifestações, deu aulas de educação política, foi fundamental no estabelecimento do Programa Café da Manhã Grátis do BBP e desenvolveu uma iniciativa que capacitou as comunidades a monitorar a polícia em busca de casos de brutalidade.

Com a ajuda dos membros do FBI, William O’Neal tentou ativamente sabotar as fusões entre o Partido dos Panteras Negras e gangues locais, interrompendo os planos do ativista de se unir a eles sob o mesmo objetivo de mudança social. 

O personagem de Jesse Plemons, o agente do FBI Roy Mitchell, é baseado em uma pessoa real. Mitchell trabalhou em uma série de casos de alto perfil, incluindo o assassinato de três trabalhadores dos direitos civis, que se tornou a base para o filme Mississippi em Chamas. 

O FBI invadiu o apartamento de Hampton em uma tentativa de atacá-lo sob o pretexto de apreender armas. Isso foi baseado nas informações que receberam do informante, que também deu a eles um desenho das divisões do apartamento de Fred.

Além da morte de Fred Hampton, o Pantera Mark Clark foi baleado e morto. Quatro outras pessoas ficaram feridas. Satchel foi atingido quatro vezes, Brewer e Anderson duas vezes e Harris uma vez. Três outros sobreviventes ilesos foram presos.

A evidência mais convincente de que o ativista foi assassinado é que, depois de inicialmente ferido, ele levou dois tiros na cabeça enquanto estava deitado, totalmente inconsciente quando a operação começou. Tudo indica que foi drogado pelo informante naquela noite.

Um inquérito do legista que ocorreu em janeiro de 1970 determinou as mortes de Fred Hampton e Mark Clark como homicídio justificável. No entanto, o júri baseou o veredicto exclusivamente nas informações apresentadas no inquérito, sendo que os únicos depoimentos ouvidos foram da polícia e de peritos.

Os sete Panteras sobreviventes optaram por não testemunhar porque enfrentavam acusações de tentativa de homicídio e agressão agravada. Portanto, até certo ponto, o júri ouviu apenas um lado da discussão.

Os sobreviventes e parentes de Fred Hampton e Mark Clark ganharam um processo civil. Eles argumentaram que Fred Hampton foi morto sem provocação ou justificativa e que a invasão foi uma violação dos direitos constitucionais dos Panteras contra busca e apreensão irracionais.

Um acordo foi finalmente concedido em 1983 a partir do processo de 1970, que resultou no governo federal, na cidade de Chicago e no Condado de Cook pagando cada um um terço dos $ 1,85 milhão dados aos parentes do falecido, Fred Hampton e Mark Clark, bem como os sete sobreviventes. 

O que aconteceu com William O’Neal?

O informante do FBI, William O’Neal, entrou no programa federal de proteção a testemunhas em 1973, depois que seu disfarce foi descoberto. Ele usou o pseudônimo William Hart e se mudou para a Califórnia, mas voltou para Chicago em 1984.

O tio de O’Neal, Ben Heard, disse em entrevista que o sobrinho sempre foi torturado pela culpa nas mortes de Fred Hampton e Mark Clark. Em 16 de janeiro de 1990, nas primeiras horas da manhã, O’Neal saiu do apartamento e correu para a Avenida. Foi atropelado e morto por um carro. Antes, já havia tentado suicídio correndo para a via expressa. 

 

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