Me puxa aê e vambora pro motel, minha filha

Eu tenho o hábito de consumir informações aleatórias enquanto faço as tarefas domésticas. Dessa forma, aproveito o tempo para aprender alguma coisa útil e alimentar a criatividade.

Numa dessas lavagens de louça da vida, tava ouvindo uma entrevista do Lázaro Ramos com a Mônica Iozzi. Não me pergunte o porquê.

Entre vários assuntos, a atriz e apresentadora falou sobre a primeira matéria que cobriu para o humorístico CQC, na Band. O evento era a festa de peão de Barretos.

Então, abriu parênteses para se posicionar contra os maus tratos de animais durante as competições. Ela também contou que os homens têm o direito de laçar (literalmente) qualquer mulher presente na festa.

É assim, os caras ficam bebendo, conversando, dançando, curtindo lá com um pedaço de corda na mão e, quando veem uma mulher que consideram bonita, arremessam o laço no pescoço da moça e a puxam.

Se você achou essa prática um absurdo, parabéns. Muita gente ficaria indignada com isso, mas não foi o que aconteceu com Lázaro, o entrevistador. Pelo contrário. Ele ficou curioso e perguntou:

___ Mas isso resulta em alguma coisa?

Mônica, que já foi laçada uma vez na festa da cidade natal, respondeu:

___ Em óóóódio!

Aí eu pensei. Caramba. Qual é a dificuldade de entender que laçar a mulher é uma atitude errada, ogra, machista? Fiquei tentando entender. É possível que alguns homens, incluindo ele, adorassem a ideia de serem laçados por alguém no meio da multidão.

Isso iria poupar o trabalho de tomar umas, paquerar, escolher a presa, conversar até altas horas, azarar. Nossa. Ser laçado é mais prático. “Me puxa aê e vambora pro motel, minha filha”. Otimiza tempo, economiza dinheiro e poupa diálogo.

É bom destacar que esse pequeno detalhe na conversa dos dois não diminui o profissionalismo do Lázaro Ramos: inteligente, antenado com as questões sociais, excelente ator, apresentador e escritor (ainda não li o livro dele, mas pretendo). Entretanto, acho saudável conversar sobre isso sempre que aparece uma oportunidade de desconstruir o machismo presente na maioria de nós (em maior ou menor grau).

Nenhuma mulher merece ser tratada como uma coisa. Infelizmente, os animais não podem reclamar quando são laçados e derrubados violentamente no chão. Por isso eu gosto daquela frase que diz: “o feminismo é a ideia de que mulher também é gente”. Essa é a verdadeira essência do feminismo. O resto é intriga da oposição.

Monique Gomes é blogueira, jornalista freelancer certificada em Marketing de Conteúdo, odeia glúten mais que tudo, ama cinema e doguinhos.

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