Verdades inconvenientes sobre o Teleférico de Ubajara

Afastada de Ubajara há mais de 9 meses, não pude conter a vontade em escrever essas linhas desde que fiquei sabendo que o teleférico, maior patrimônio turístico de Ubajara e região da Serra da Ibiapaba, o meio de transporte que leva os turistas para a majestosa Gruta de Ubajara, está desativado mais uma vez.

Em 2007, ou seja, há 5 anos, fiz um alerta a esse respeito na edição impressa do Jornal Folha Ubajarense, e hoje pretendo refrescar a memória da sociedade diante do fato, pois muito tempo já se passou.

Naquela época, o bondinho ficou paralisado no mês de julho, em pleno período de férias. A matéria registrou a visita do técnico responsável pela manutenção da parte mecânica do teleférico. Ele relatou que o equipamento é composto por peças que foram produzidas há mais de 40 anos por uma fábrica italiana que atualmente não existe mais, o que inviabiliza a reposição das peças originais.

De 2007 para cá, o teleférico vem respirando com ajuda de um balão de oxigênio. Sempre que dá defeito, a solução é demorada, porque os caras tem que fazer uma gambiarra dos diabos para moldar a peça. Segundo o técnico entrevistado (não lembro o nome dele), aqui no Brasil temos boas empresas que podem oferecer esse material, mas TODA A INFRAESTRUTURA MECÂNICA tem que ser SUBSTITUÍDA. Nesse caso, as chances de dar algum defeito seriam quase nulas e, se houvesse algum problema, a peça seria imediatamente substituída pelo fato da disponibilidade da empresa brasileira que forneceria a peça. É como se você tivesse um carro italiano velho e fora de linha: sempre que ele ficar no prego, você vai ter que se virar para adaptar uma peça para ele.

Quando o teleférico estava funcionando normalmente, levava até 15 pessoas no passeio do bondinho, mas desde 2010 o percurso começou a ser feito com apenas 7 pessoas, para não  forçar o equipamento. Isso deixa muitos turistas na fila de espera e inviabiliza o bom atendimento.

A Secretaria de Turismo do Estado – SETUR viabilizou um orçamento de R$ 1,42 milhões para uma revitalização no teleférico quanto à infraestrutura de acesso. O projeto contempla uma concepção arquitetônica moderna. A plataforma superior terá estrutura metálica em arco e pele em vidro laminado incolor. Na plataforma inferior, será instalada uma estrutura metálica complementar para suporte e fixação de placas em vidro temperado laminado incolor. A obra deveria ter sido iniciada em 2011, mas desconheço o motivo pelo qual ainda não foi feita. O GRANDE PROBLEMA É QUE ESSE PROJETO CONTEMPLA APENAS A INFRAESTRUTURA DE ACESSO, E NÃO A REVITALIZAÇÃO DA PARTE MECÂNICA.

E então? Teremos um Teleférico lindo, modernizado, mas que vive quebrando?  O Turismo da Ibiapaba vai ganhar o quê com isso?

Uma palavra define esse problema: NEGLIGÊNCIA. Sabemos que a responsabilidade do Teleférico é do Estado, mas quem são as pessoas que deveriam se posicionar, tomar uma atitude, articular, viabilizar para que as coisas aconteçam? Se os políticos ficarem de braços cruzados a sociedade deve fazer o mesmo?

Eu sempre fiz a minha parte em manter vocês informados com um jornal que mantive a duras penas. Ganhei alguns inimigos, mas insisto: SÓ A VERDADE É CAPAZ DE TRANSFORMAR.

[HUMOR] Leia também: A surpreendente história de Uba e Jara
Reza a lenda que foi numa tarde ensolarada de janeiro que Uba e Jara se conheceram. Uba, o índio, tomou o último gole do chá da folha de bamburral, porque estava se recuperando de uma terrível diarreia. Conheça a surpreendente história que origem ao topônimo UBAJARA.

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13 comentários sobre “Verdades inconvenientes sobre o Teleférico de Ubajara

  1. Sempre achei você uma pessoa coerente. Você tem toda razão. Eu sou
    Fernando Parente, Ubajarense residente em Fortaleza, mas que sempre interessado pela sua cidade natal.

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  2. Retificando o comentário anterior::
    Sempre achei você uma pessoa coerente. Você tem toda razão. Eu sou
    Fernando Parente, Ubajarense residente em Fortaleza, mas sempre interessado pela sua cidade natal.

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  3. Ubajara perdeu muito com sua saída.
    Ainda bem que, generosamente, você permanece antenada com a nossa cidade e disposta a pelejar por seus lídimos interesses.
    Sua inteligência e cultura são raras e, invejáveis, são sua veia jornalística e seus posicionamentos imparciais.
    Não sei de suas metas, mas a você, esteja onde estiver, sempre é devida uma posição de destaque.

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  4. Sinto muito a falta do Jornal folha ubajarense. Concordo plenamente com o comentario do sr Amilcar, mais digo mais , voce è muito corajosa.
    Desejo um futuro esplendido para voce

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  5. Concordo com todos os companheiros anteriores,apesar de não ser ubajarense de nascimento me considero de coração!! Mas infelismente o “povo´´não sabe reinvidicar
    seus direitos e não valoriza o seu voto,a hora está chegando e temos mais uma oportunidade de colocar pessoas realmente comprometidas com o social como um todo,
    sejamos tod@s concientes nessa hora,não a corrupção!não a hipocrisia,obg!

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  6. Monique; como você faz falta a essa cidade, “Ubajara”. O jornal Folha Ubajarense, foi uma das coisas que melhor aconteceu em termos de notícia, exemplo de transparência e democracia. Além de despertar a consciência crítica. A política (no sentido amplo) ubajarense precisa de você! Tdo de bom!

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  7. Oi, queridos amigos. Obrigada pelo carinho de vocês. Nessa época em que o facebook é a vedete do momento, é muito difícil chamar a atenção do leitor para um assunto sério como esse, mas vejo que o artigo teve muitos acessos e muito obrigada por dedicar um minuto do tempo de vocês para registrar um comentário, isso é muito gratificante mesmo. O assunto teleférico sempre foi um tabu, porque os administradores têm receio de que a verdade espante os turistas, mas a mentira causa um dano ainda maior: os turistas chegam lá e a viagem se torna uma frustração com o teleférico em manutenção. Não adianta empurrar com a barriga, tem que solucionar o problema. E, pra solucionar qualquer problema, temos nos valer dos fatos, dos reais fatos.

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  8. É isso aí, Monique. O turismo é um grande potencial econômico de Ubajara, cidade bonita por natureza, mas bastante maltratada por sucessivas administrações municipais. O bondinho é o seu cartão postal e merecia dos gestores municipais um tratamento à altura de sua importância para o turismo da região. Mais importante que apregoar o prestígio com o governador e sua família, trazendo-os inclusive para as campanhas eleitorais, é conseguir da SETUR que um equipamento tão importante para a cidade e região esteja sempre em condições de atender os visitantes que nos procuram

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  9. Olá, Monique.

    Ratifico o que nossos colegas comentaram acima acerca de sua saída de Ubajara, terra poética, bonita, mas que infelizmente tem sido muito mal governada nas últimas décadas. Fato está comprovado pelo pouco crescimento econômico, expansão turística, projeção no Estado.
    Nesse caso relatado por você está toda a comprovação do que o tempo, o descuido e a falta de força política são capazes de produzir numa comunidade, acarretando atraso e refletindo o despreparo das autoridades por nós eleitas para nos representar perante as outras instâncias políticas de nosso país.
    E sei que não bastam estas poucas linhas para fazer uma mudança significativa. E talvez até mesmo nós façamos parte desse ciclo que, assim como em Ubajara, reflete a condição de uma nação cujos hábitos estão irrigados ainda pelo coronelismo e sede de poder. Mas é preciso, sim, não nos omitirmos quando se trata de divulgar informações relevantes e verdadeiras.

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