O forró pé de serra e a finada tertulha

No último sábado, 23 de Junho, aconteceu o Chitão no clube da AABB de Ubajara, animada pela Banda Memórias do Sertão, forró pé de serra. Pé, calcanhar, perna inteira: a banda se garantiu mesmo e teve até uma participação do Cristiano, vocalista da Banda Superid. Foi unânime a opinião de que esta foi uma das melhores festas que a AABB já realizou.

Quando a Banda entrou com música de quadrilha, subitamente vários grupos foram formados e se misturaram numa dança que não tinha regra nenhuma a não ser a diversão. Quando tocava forró, era difícil ficar parada. Mas eu parecia mais o Robocop em ritmo nordestino. Acho que enferrujei, desaprendi a dançar. Só que eu tenho uma estratégia infalível e aqui vai uma dica para quem ainda não está muito afiada no forró: use sempre saias ou vestidos, nunca, jamais vá ao forró de calça jeans. O balançar da saia sempre dá a ilusão de que você está arrasando!

Demorei muito tempo até ceder ao forró. Quando comecei a sair de casa, aproveitei por um tempo a Boate Paraíso, tocava muita discoteca – hoje acho que essa palavra nem se usa mais. O fato é que eu me acabava de dançar naquela pista. Sempre gostei de rock, tá no meu DNA. A Ana Lúcia era minha parceira nas coreografias mais malucas e o Neto, que hoje é dono de uma casa de shows em Fortaleza, muitas vezes se juntava para acompanhar a gente. Quando neguinho tentava me cantar se dava mal, porque eu só queria saber de dançar.

Mas a boate logo fechou. Com razão, porque só dava praticamente a gente mesmo. Então eu passei muito tempo sem ter uma diversão, mas ainda alcancei o finalzinho de umas festas que chamavam de TERTULHA. A tertulha era uma festa na casa de um amigo, então todo mundo ia, mesmo sem ser convidado… dava muito rock e baladinhas.

Certa noite eu estava dançando numa  tertulha na casas das gêmeas Cláudia e Patrícia. Tava tocando uma música que eu amava, um remix da Madonna. Um garoto chegou me perturbando pra conversar e eu nem aí. Como a música estava muito alta, eu tive que gritar a resposta para que ele pudesse ouvir: “Dá lincença que eu quero dançaaaarrrrr !!!” Eu era assim mesmo, curta e grossa, sem piedade. Eu só não esperava que a música fosse parar de tocar quando eu ainda estava no “Dá licença…”. Foi vexame. Todo mundo olhou para o menino e o fora foi registrado.

Com o fim das tertulhas, as festas com bandas de forró se intensificaram e quando eu participava de alguma era só pra ficar olhando, ou dando umas voltas no salão com as colegas. Era chato ter que ficar explicando que eu não sabia dançar quando um garoto me tirava. Além de não saber, eu não gostava de forró – ainda. Eu dizia, com sinceridade: “Eu não danço”. Só que os garotos não acreditavam e me contrariavam: “Não acredito! Acho que já vi você dançando.” “Impossível!”, eu dizia. E eu tinha que repetir a mesma resposta sempre que era convidada a dançar, além de ter que usar todo o meu poder de convencimento.

Enfim, com o tempo, eu usei aquela famosa tática: “se não pode com o inimigo, junte-se a ele”. Mas foi só aprender a dançar que a minha visão de forró mudou. É muito legal dançar forró, sobretudo o tradicional pé de serra. Precisa só colocar um óleozinho nas engrenagens, se não enferruja mesmo!

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