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Tarantino e seus efeitos tarantinescos inconfundíveis

Quentin Tarantino nasceu em 27 de março de 1963 e começou a carreira no cinema em 1975 como roteirista. Seus primeiros roteiros vendidos, “True Romance” e “Natural Born Killers”, tiraram-no do anonimato.

Hoje estou aqui para revisitar o trabalho desse grande ator, roteirista e diretor, e falar sobre suas peculiaridades cinematográficas que batizei de EFEITO TARANTINO, presentes em todos os filmes que assisti com a assinatura dele.

Explicando o Efeito Tarantino

Em todos os filmes de Quentin Tarantino, como Django Livre (2012), Pulp Fiction (1994), Kill Bill (2003), Bastardos Inglórios (2009), entre outros, percebi coisas bem específicas:

1. Efeito flow

Quem já assistiu a mais de um filme do Tarantino percebe que nestes filmes o roteiro e os eventos não são nem lentos demais, nem rápidos demais.

Filmes lentos demais são aqueles melancólicos, dramáticos, com uma trama arrastada que parece que vai começar ali e terminar daquele jeito.

Por outro lado, temos os filmes agitados demais, em que a trama estava indo bem, mas nos últimos minutos simplesmente TUDO acontece ao mesmo tempo para o desfecho.

No entanto, percebe-se uma trama centralizada, onde os filmes chegam aos detalhes sem uma agitação extrema, havendo, é claro, momentos de ação, mas sem deixar de lado os detalhes da trama.

2. Efeito dos Detalhes

Filme Um Drink no Inferno, de Quentin Tarantino.
Cena de Um Drink no Inferno

Percebe-se um pouco (mas necessário) da psique dos personagens nos filmes de Tarantino. Como exemplo, cito o filme Um Drink no Inferno onde o roteiro de Tarantino deixa extremamente nítido que o personagem que ele mesmo interpreta (Richard Gecko) é simplesmente um tarado sexual perturbado.

No entanto, durante o filme, cria-se apenas um suspense após essa informação, mas ele não faz nada com a filha do senhor Jacob Fuller (Harvey Keitel), Kate Fuller (Juliette Lewis), que os criminosos sequestram.

Isso faz com que nos aproximemos mais da trama para mexer e envolver emocionalmente quem assiste.

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3. Cenas de Ação Fora do Padrão

Cena de Kill Bill
Cena de Kill Bill

Quando assistimos filmes de ação convencionais, os diretores e roteiristas sempre colocam uma “música épica” de fundo para as cenas de tiro, porrada e bomba.

Mas, nos filmes de Tarantino, a ação acontece de forma meio silenciosa, sem forçar a barra com música de fundo.

Em alguns momentos, fica algo extremamente engraçado, onde percebe-se um toque de humor ácido, ironia e violência. Esses ingredientes deixam as cenas mais realistas e interessantes.

4. Efeito Tragicômico Equilibrado

Segundo a própria Wikipedia, e também pelo que eu frisei acima, algo que alavancou a carreira do Tarantino e deixa seus filmes muito mais interessantes é a ironia, o humor e o tragicômico.

Em “Pulp Fiction”, por exemplo, temos a cena da overdose, a morte estúpida do personagem X, os diálogos aleatórios antes da dupla dinâmica cobrar alguém e também a parte onde o protagonista explode a cabeça de um cara no banco de trás do carro SEM QUERER!

E se for para citar as cenas só em “Pulp Fiction” com essa pegada, onde o equilíbrio do tragicômico fica excelente, seria necessário escrever um artigo sobre isso.

Com certeza existem vários filmes anteriores ao estrelato de Tarantino com esses efeitos. No entanto, como citei anteriormente, os chamo de “efeito Tarantinos” por consistirem em praticamente todas as obras dele. Até uma próxima, querido(a) leitor(a)!

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Por Luis Gustavo

Natural de Ubajara-CE, cria histórias e multiversos desde criança, é apaixonado por arte, especialmente teatro, música, plástica, artes fotográficas, cultura geek e um monte de outras coisas.