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O filme A Sociedade da Neve é real?

A Sociedade da Neve (Netflix/2024), recente filme do diretor espanhol JA Bayona, é um drama humano visceral que retrata um acidente de avião nos Andes e a subsequente provação sofrida pelos sobreviventes.

“O que acontece quando o mundo abandona você? Quando você não tem roupa e está congelando? Quando você não tem comida e está morrendo? A resposta está na montanha” diz o narrador.

Enquanto a história oferece uma versão ficcional dos eventos, se inspira em uma tragédia muito real: a queda do voo 571 da Força Aérea do Uruguai nos Andes em 1972 e suas consequências: 72 dias de reclusão, 29 mortos, 16 sobreviventes.

>>> O que você vai ler neste post:

  • A Sociedade da Neve é uma história real?
  • Sobreviventes ouviram a notícia do acidente pelo rádio
  • Canibalismo X Antropofagia
  • Canessa, Nando Parrado e Antonio Vizitín exploram a montanha
  • O que causou a queda do voo 571 da Força Aérea Uruguaia?
  • Onde A Sociedade da Neve foi filmada?
  • É verdade que os sobreviventes participaram do filme?
  • Frases do personagem de Numa Turcatti
  • LIVRO: A Sociedade da Neve de Pablo Vierci

A Sociedade da Neve é uma história real?

Sim, o filme da Netflix “Sociedade da Neve” é baseado em eventos relacionados ao voo 571 da Força Aérea Uruguaia. O avião sofreu um acidente nas montanhas dos Andes enquanto viajava de Uruguai para o Chile em 1972.

As duas asas e a cauda foram perdidas durante a queda, enquanto o restante da aeronave veio parar em um vale isolado.

Em uma entrevista ao The Guardian, Nando Parrado, um dos sobreviventes, recordou vividamente o momento inicial ao perceber a complexidade da situação:

“Eu vi a magnitude do lugar em que estávamos. Era horrível. Como vamos sair daqui? Eles não nos encontrarão aqui.”

Durante o acidente e nos momentos seguintes, um total de 16 passageiros e tripulantes perderam a vida, deixando 29 pessoas para encontrar uma maneira de sobreviver. Foi nesse momento que o verdadeiro pesadelo começou.

Após alguns dias, tornou-se evidente que ninguém sabia exatamente onde localizá-los. Apesar das equipes de resgate sobrevoarem a região, permaneceram invisíveis no vale devido à cobertura de neve.

Sobreviventes ouviram a notícia do acidente no rádio

Dez dias depois do acidente, os sobreviventes receberam, por meio de um rádio (única conexão com o mundo exterior), a notícia de que os esforços de resgate foram interrompidos devido às condições meteorológicas desfavoráveis.

Essas mesmas condições se tornaram uma ameaça séria para os sobreviventes. No dia 17, uma avalanche os atingiu, soterrando-os dentro da aeronave e resultando na morte imediata de oito passageiros.

Apesar desse revés, conseguiram sobreviver. Ao longo de dez semanas, enfrentaram condições extremas, com temperaturas abaixo de zero, enfrentando outra avalanche e lidando com a escassez de alimentos.

Canessa, Nando Parrado e Antonio Vizitín

Dois meses de provação, no dia 12 de dezembro, três sobreviventes tomaram a decisão corajosa de se aventurar no desconhecido em busca de ajuda.

Canessa, Nando Parrado e Antonio ‘Tintín’ Vizintín levaram mais de uma semana para avançar além das imensas montanhas cobertas de neve. A coragem foi recompensada.

No oitavo dia da jornada, à margem de um rio, encontraram gado e uma lata de sopa enferrujada. Em 21 de dezembro, foram encontrados pelo chileno Sergio Catalán.

Estavam em margens opostas de um rio, sem comunicação auditiva, o que fez Catalán retornar no dia seguinte com caneta e papel, lançados para que pudessem se identificar.

Nando Parrado escreveu a notável mensagem, posteriormente retratada no filme da Netflix – uma mensagem que se revelaria crucial para a salvação de suas vidas:

“Venho de um avião que caiu nas montanhas. Sou uruguaio. Estamos caminhando há 10 dias. Tenho 14 amigos feridos no local do acidente. Precisamos de ajuda. Não temos comida. Por favor, venha nos procurar.”

Catalán informou as autoridades, encerrando assim o pesadelo.

Carlos Páez Rodríguez, um dos sobreviventes, recordou o momento em que os helicópteros finalmente chegaram: “Eu os vi como dois pássaros gigantes, portadores de liberdade. Não consigo explicar a felicidade daquele momento”.

Canibalismo X Antropofagia

Com o resgate dos sobreviventes, começou o frenesi midiático, focando rapidamente em um aspecto particular da incrível saga de sobrevivência: a prática de canibalismo.

Canessa abordou repetidas vezes essa questão, esclarecendo que, na verdade, era uma forma de ‘antropofagia’. Em suas palavras de 2016:

“Tenho essas discussões há 40 anos. Não me importo. Tínhamos que comer esses cadáveres e pronto. A carne tinha proteína e gordura de que precisávamos, como a carne de vaca. Foi muito difícil. Sua boca não quer abrir porque você se sente muito infeliz e triste com o que tem que fazer“.

Para os sobreviventes, a questão era simplesmente a sobrevivência após o esgotamento das poucas provisões, enquanto os corpos congelados de seus amigos se acumulavam diante deles.

Enquanto ainda era estudante de medicina, Roberto Canessa assumiu a responsabilidade por muitas das lesões e pela administração dos cadáveres, recordando: “Tive que drenar infecções das pernas dos meninos e estabilizar fraturas, inclusive dos cadáveres, algo que algumas pessoas não suportavam.

“Ainda assim, pensei que, se eu fosse morto, ficaria orgulhoso de que meu corpo pudesse ser usado para que outros sobrevivessem. Sinto que compartilhei um pedaço dos meus amigos não apenas materialmente, mas espiritualmente, porque a vontade deles de viver foi transmitida a nós através de sua carne. Fizemos um pacto de que, se morrêssemos, ficaríamos felizes em colocar nossos corpos a serviço do resto da equipe.

“Não tínhamos comida. Pensamos que, se Jesus, na Última Ceia, distribuiu seu corpo e sangue a todos os apóstolos, estava nos indicando que deveríamos fazer o mesmo. E foi isso que nos ajudou a sobreviver”, explicou Pancho Delgado durante uma coletiva de imprensa na época, conforme apresentado no documentário ‘Naufragos de los Andes’.”

O que causou a queda do voo 571 da Força Aérea Uruguaia?

A queda do voo 571 da Força Aérea Uruguaia ocorreu porque a aeronave não conseguiu atingir a altitude de 26.000 pés para sobrevoar diretamente a Cordilheira dos Andes.

De acordo com informações da ABC News, os pilotos optaram por uma rota em forma de U, visando uma altitude inferior ao atravessar uma passagem na montanha.

Embora tenham recebido autorização do controle de tráfego aéreo, eles iniciaram a descida prematuramente, seguindo direto em direção aos Andes, o que resultou no impacto com a montanha.

Onde A Sociedade da Neve foi filmada?

A produção de Sociedade da Neve aconteceu em locações diversas, incluindo as montanhas de Sierra Nevada, na Espanha, nos Andes e no Chile. O diretor Bayona destacou o empenho em filmar nos mesmos lugares onde os eventos reais ocorreram, como mencionado ao THR.

Ele compartilhou:

“Fizemos um grande esforço para filmar no mesmo local onde aconteceu. Filmamos em uma estação de esqui na Espanha, mas fomos três vezes aos Andes para capturar cenas autênticas.”

É verdade que os sobreviventes participaram do filme?

Os sobreviventes e suas famílias desempenharam um papel significativo na produção do filme, inclusive com participações especiais.

Um exemplo notável é Fernando “Nando” Parrado, que, no filme, aparece abrindo a porta para o ator que o retrata durante a cena no Aeroporto de Carrasco, em Montevidéu.

Nando Parrado é conhecido por ter caminhado 38 milhas do local do acidente até os vales do Chile.

Outros sobreviventes, como Roberto Canessa, fizeram participações como figurantes em cenas no hospital, enquanto Carlos Páez Rodríguez, o homem mais jovem do acidente, interpretou seu próprio pai e leu os nomes dos sobreviventes no rádio.

De acordo com a Screen Rant, Joaquin de Freitas Turcatti, Daniel Fernandez Strauch, José Luis “Coche” Inciarte, Antonio “Tintin” Vizintín, Ramón “Moncho” Sabella e Gustavo Zerbino também foram creditados por suas aparições no filme.

O diretor Bayona compartilhou que dedicou mais de 100 horas conversando com os sobreviventes para garantir a fidelidade do filme. Ele explicou: Fizemos entrevistas com todos os sobreviventes. Todos os atores estiveram em contato com os sobreviventes e as famílias dos falecidos.”

Bayona acrescentou que, após assistir ao filme, os sobreviventes expressaram sua satisfação com a precisão e realismo da narrativa, sentindo-se transportados de volta às montanhas pela reconhecida geografia.

As pessoas perguntam: por que o xixi fica preto?

O fenômeno de o xixi dos sobreviventes do acidente do voo 571 da Força Aérea Uruguaia ficar preto está associado ao consumo de uma planta chamada Rhododendron, encontrada na região onde ocorreu o acidente, nos Andes.

Essa planta contém compostos químicos, como arbutina e andromedotoxina, que, quando ingeridos, são metabolizados pelo organismo e podem levar à formação de substâncias de cor escura, resultando na coloração escura da urina.

Quando os sobreviventes consumiram a carne de animais que haviam se alimentado dessa planta, os compostos químicos foram transferidos para o sistema deles, afetando a coloração da urina.

Esse fato é específico para a situação e não é comum em circunstâncias normais de alimentação.

Frases do personagem de Numa Turcatti

à esquerda: foto real de Numa Turcatti, à direita: ator que interpreta o sobrevivente no filme A Sociedade da Neve.
  • “Hoje é 30 de outubro. Hoje é meu aniversário. Estou completando 25 anos. Hoje é difícil não pensar em casa.” – Numa Turcatti
  • “Pela primeira vez, imagino a possibilidade cada vez mais real de não voltar para casa. Mas olho para o Nando e sinto esperança. Ele treina todos os dias, obcecado por uma ideia. Além dessa montanha ficam os vales verdes do Chile. Subir é suicídio, mas vou com ele.” – Numa Turcatti
  • “Quanto mais tentamos sair, mais a montanha resiste.” – Numa Turcatti
  • “Não há amor maior que dar a vida pelos amigos.” – Numa Turcatti
  • “Mas eles não se sentem heróis. Porque eles estavam mortos como nós, e só eles puderam voltar para casa.” – Numa Turcatti
  • “Continuem cuidando uns dos outros. E conte a todos o que fizemos na montanha.” – Numa Turcatti
  • “A cada dia que passa, perdemos mais forças.” – Numa Turcatti
  • “O que antes era impensável tornou-se rotina.” – Numa Turcatti
  • “Eu me pergunto para quem são essas fotos. Para nós? Eu nunca os verei. Talvez sejam para nossas famílias. Ou para outras pessoas que estão se lembrando de nós agora, olhando fotos nossas que foram tiradas no passado. E quando eles olharem para eles, viveremos novamente em suas imaginações. Porque eles farão a si mesmos as mesmas perguntas que fazemos: ‘O que aconteceu com eles? O quê aconteceu conosco? Quem éramos nós na montanha?’” – Numa Turcatti
  • “Marcelo foi enterrado. Ele parou de sentir frio porque não sentiu nada. E parar de sentir aqui é um alívio. Há 17 dias esperamos por um momento como esse. Um momento de calma. Um segundo de silêncio.” – Numa Turcatti
  • “Se a queda do avião não nos matou, o frio o fará.” – Numa Turcatti
  • “Nós nos reunimos o melhor que podemos. Vivos e mortos, como um só.” – Numa Turcatti
  • “Este é um lugar onde a vida é impossível. Aqui fora, somos uma anomalia.” – Numa Turcatti
  • “Aqueles de nós que não comem continuam olhando para o céu. Esperando por um sinal. – Numa Turcatti

Para saber mais:

Para saber mais detalhes, leia o livro A Sociedade da Neve, de Pablo Vierci

O filme A Sociedade da Neve foi a escolha da Espanha para Melhor Filme Internacional no Oscar e indicado para Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro deste ano.

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Por Monique Gomes

Empreendedora digital, copywriter,
analista de SEO on-page, gestora de tráfego.