“Prefiro julgar que bruxa é mulher honesta a julgar que mulher honesta é bruxa”

A literatura e o cinema adoram usar contos de bruxas em suas narrativas — para nossa diversão, é claro. Entretanto, poucas são as obras que focam na verossimilhança das histórias que ocorreram a partir do século XIII, pois preferem dar asas à imaginação da ficção.

Continue a leitura para saber por que Silenciadas (2021), filme que entrou no catálogo da Netflix recentemente, foge dessa regra.

Silenciadas, filme Netflix

O filme se passa em 1609 e segue a jornada de cinco mulheres que são falsamente acusadas de bruxaria e, como resultado, denunciadas para serem condenadas à morte. Então, elas elaboram um plano selvagem para escapar da fogueira ou, pelo menos, adiá-la, induzindo os inquisidores a testemunharem o Sabbah das Bruxas.

Tudo indica que o filme é parcialmente baseado em uma história verdadeira. Isso porque ele imita os eventos que aconteceram em Salem e ao redor do mundo, onde a prática da caça às bruxas se tornou frequente e, de fato, tirou a vida de muitas mulheres, crianças e até homens que se negaram a depor contra.

Saiba mais sobre as Bruxas de Salem

Dois erros: 1. Tomar tudo literalmente;
2. Tomar tudo espiritualmente
.
Blaise Pascal

1692. Durante um inverno rigoroso em Massachusetts (EUA), a sobrinha de um pastor começou a se contorcer e a urrar. Na pequena comunidade de Salem, a epidemia se espalhou em outras jovens. Os principais “especialistas” da época eram os padres e os médicos cujo kit de socorros da época eram: sangue de besouro, pulmão de raposa, lesmas, salitre e outros.

Nesse cenário, o diagnóstico foi: bruxaria… As bruxas eram definidas como “alguém capaz de fazer ou parecer fazer coisas estranhas, para além do poder conhecido da arte e da natureza comum em virtude de uma confederação com maus espíritos”(*).

Os aldeões ficaram fascinados enquanto uma das meninas falava de cães pretos, gatos vermelhos, pássaros amarelos e um homem de cabelos brancos que a mandou assinar o livro do diabo. Havia várias bruxas não descobertas, ela disse, e ansiavam por destruir os puritanos.

Dezenove “bruxas” condenadas foram enforcadas. Um dos réus foi torturado até a morte enquanto se recusava a entrar com um argumento em seu julgamento. Cinco outras pessoas, incluindo uma criança, morreram na prisão. A partir daí, a caça às bruxas tomou conta de outros lugares no mundo todo.

“Prefiro acreditar que uma bruxa é uma mulher honesta
a julgar que uma mulher honesta é bruxa.”
Increase Mather

As melhores bruxas na Amazon

A jornalista Stacy Schiff, autora de As Bruxas: Intriga, Traição e Histeria em Salem, o primeiro grande livro de não ficção sobre o tema em décadas, relata que, de acordo com o Malleus, ou Martelo das Feiticeiras, mesmo na ausência de um poder oculto, as mulheres eram “um antagonista da amizade, um castigo inescapável, um mal necessário, uma tentação natural, uma calamidade desejável, um perigo doméstico”. 

Em Mulheres e Caça às Bruxas, Silvia Federici mostra como as acusações e a punição de ‘bruxas’ se repete hoje, no mundo atual, principalmente em países como Congo, Quênia, Índia, Gana e Nigéria. É difícil ser mulher em qualquer lugar. “No passado e no presente, mulheres são perseguidas, torturadas, aprisionadas e assassinadas como resultado direto ou indireto de práticas que ditam sua função”.

“Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres.
Mulheres que eram vistas como:
Muito bonitas,
Muito cultas e inteligentes,
Porque tinham água no poço,
uma bela plantação (sim, sério),
Que tinham uma marca de nascença,
Mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia,
Muito altas,
Muito quietas,
Muito ruivas,
Mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza,
Mulheres que dançavam,
Mulheres que cantavam,
ou qualquer outra coisa, realmente.
Qualquer mulher estava em risco de ser queimada nos anos 1600.
Mulheres eram jogadas na água e se podiam flutuar,
eram culpadas e executadas.
Se elas afundassem e se afogassem, eram inocentes.
Mulheres foram jogadas de penhascos.
As mulheres eram colocadas em buracos profundos no chão.
Por que escrevo isso?
Porque conhecer nossa história é importante quando estamos
construindo um novo mundo.
Quando estamos fazendo o trabalho de cura de nossas
linhagens e como mulheres.
Para dar voz às mulheres que foram massacradas, para dar-lhes
reparação e uma chance de paz.
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres.”
Fia Forsström

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