O fanatismo implacável em O Diabo de Cada Dia

O filme adaptado do livro O Mal Nosso de Cada Dia, de Donald Ray Pollock, entrou recentemente no catálogo da Netflix com o título: O Diabo de Cada Dia  — roteiro e direção de Antonio Campos. 

O Diabo de Cada Dia | SEM SPOILERS

A história começa com Willard Russell (Bill Skarsgard) no campo de batalha da Segunda Guerra Mundial topando com a visão aterrorizante de um oficial americano escalpelado e crucificado. 

Antes de ele voltar para casa na Virgínia Ocidental, para em um restaurante na pequena cidade de Ohio e lá se apaixona por Charlotte (Haley Bennett), uma garçonete adorável.

Tudo parece normal quando uma sequência milimetricamente calculada de horrores começa a acontecer. O mal é um veneno que se infiltra na vida de todos em nível hard. Seja por zelo piedoso, fanatismo ou perversão.

Ninguém é poupado do redemoinho infinito de brutalidade e loucura: nem a gente!!!

O Diabo de Cada Dia | CONTÉM SPOILERS E INDIGNAÇÃO

Willard e Charlotte se casam e têm um lindo bebê chamado Arvin (interpretado mais tarde por Tom Holland, o Homem Aranha da nova geração). O pai acostuma o garoto a conversar com Deus no morro da oração, local onde instalou uma enorme cruz de madeira pra essa finalidade.  

Quando Charlotte fica gravemente doente, o marido, acreditando que será atendido, sacrifica um animal no esforço de convencer Deus a poupá-la. Enquanto isso, o pregador Roy (Harry Melling), casado com a jovem Helen (Mia Wasikowska), fica obcecado com a ideia de que pode trazer os mortos de volta à vida.

Como você pode imaginar, isso dá merda. 

Após o primeiro teste drive de ressurreição sem sucesso ele foge, mas topa com um casal barra pesada que se diverte matando pessoas e fotografando cadáveres. Sim, esse filme é cheio de “cidadãos de bem”.

Anos depois, um charlatão espalhafatoso das escrituras sagradas aparece: o ministro atende pelo nome de Preston Teagardin, que é interpretado com louvor (literamente) pelo incrível Robert Pattinson.

Preston é uma mistura de João de Deus com Flordelis. Resumindo: precisa ter um estômago saudável pra digerir tamanha hipocrisia. É sempre impactante ver alguém usando o nome de Deus para influenciar pessoas, enganá-las e cometer crimes. Eu quase vomitei.

Fica evidente o ceticismo do autor sobre as manipulações da religião organizada. Muitas vezes me peguei concordando com a cabeça. Essa visão de mundo brutalmente pessimista não é novidade para o diretor de O Diabo de Cada Dia, cujos filmes anteriores incluem Afterschool, Christine e a série The Sinner, dramas psicológicos perturbadores.

 

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