Querido professor, coordenador, diretor e outros profissionais da educação…

Em tempo, adianto que admiro demais você e a profissão que escolheu. Sei que o trabalho na sala de aula é muito dinâmico, mas posso perguntar uma coisa?

Você não fica incomodado quando um grande número de pessoas coloca em dúvida o seu profissionalismo e divulga isso de forma cruel nas redes sociais?

Não vamos falar de política, mas de educação

O livro que aquele candidato mostrou em rede nacional foi produzido na França e o Ministério da Educação nunca adquiriu e nem distribuiu nas escolas.

A campanha eleitoral desse ano foi marcada por um verdadeiro histerismo coletivo a esse respeito nas redes sociais. Por que algumas pessoas se comportam como se você estivesse ensinando sexo a uma criança de 5 anos?

Grande parte dos protestos é de pais desesperados que acreditam que a educação está caminhando para o ensino da promiscuidade. Você também pensa assim? Quero acreditar que não.

Em primeiro lugar, não existe kit gay

O material que apelidaram de “kit gay” é um projeto de 2011 que não foi aprovado e, por isso, não foi distribuído nas escolas. A ideia era combater a homofobia entre os alunos do 6º ao 9º ano.

Vamos deixar a polêmica sobre os detalhes desse conteúdo de lado.

É importante que o profissional da educação e a sociedade levem em consideração que hoje, muitos jovens estão sofrendo com o preconceito e a discriminação por se sentirem “diferentes”.

Será que todos os meninos deveriam gostar de jogar futebol no pátio da escola? É justo que esse garoto seja motivo de piadas por isso? Bulliyng não é mimimi do mundo moderno. Bulliyng é coisa séria. Muito séria.

Segundo o estudo de uma universidade nos EUA, a chance de um jovem homossexual se suicidar é cinco vezes maior que a de um heterossexual.

Os pesquisadores descobriram que os homossexuais apresentam uma maior incidência de distúrbios psicológicos não por serem gays, mas porque não se sentem compreendidos. Ou seja, falta um ombro amigo.

Você não acha que passou da hora de fazer alguma coisa?

A sexualidade faz parte do tema transversal

Conversar sobre sexo com adolescentes não é fácil, mas necessário. Até porque na puberdade o corpo está em constante mudança e eles já começam a ter curiosidade sobre o assunto.

Como você sabe, em 1996 a orientação sexual entrou nos PCNs como tema transversal. A ideia é fazer com que todos aprendam com a realidade as questões da vida moderna. Ou seja, não é uma disciplina, mas uma abordagem por meio de debates, palestras, oficinas e cartilhas por meio das diversas áreas do conhecimento.

A necessidade de incluir esse tema se deveu ao fato do crescimento de casos de gravidez indesejada entre adolescentes e risco de contaminação por HIV, sífilis e outras doenças venéreas.

Nada é pior que a falta de informação. O adolescente tem dúvidas. Sente atração por alguém e começa a se relacionar. Leva para a cama, não usa camisinha e a menina engravida. E aí?

Professor, é bem provável que nem os seus pais, tampouco a escola, tenham dialogado sobre sexualidade com você durante a sua adolescência.

Isso torna a sua missão ainda mais nobre, porque é preciso ser uma metamorfose ambulante, como diz o poeta, para vencer as dificuldades e se adaptar à novas realidades. É óbvio que você deveria ser muito mais valorizado, ter um salário digno. Eu sou 100% solidária a você.

Fiz essa foto num parque infantil que está instalado aqui no bairro. Infelizmente não deu para mostrar a sereia simulando um orgasmo porque o pessoal responsável pelo parque chegou bem na hora. Não é na escola que a criança aprende sobre erotização ou objetificação da mulher, mas nas ruas, em alguns programas de TV ou na internet.

A sexualidade também inclui a identidade de gênero

Alguns políticos estão usando o termo “ideologia de gênero” para ganhar votos. Eles se comportam como alguém que vai proteger as crianças de uma educação promíscua.

Ninguém tem obrigação de ser expert em um assunto, mas quem trabalha com educação tem o dever de se manter informado. Um leigo que compartilha inverdades em redes sociais é compreensível. Um profissional da área, inadmissível.

Existe uma enorme confusão sobre isso. Se você fizer uma pesquisa no Google, dificilmente vai encontrar um material confiável. São muitas páginas com textos alucinógenos e vídeos sem noção no Youtube.

Provavelmente, você deve conhecer ou ser leitor da Revista Nova Escola. Dê ouvidos para os especialistas, não para os religiosos, leigos ou aproveitadores.

“Ideologia de gênero” não é o mesmo que identidade de gênero. Não existe ideologia quando o assunto é gênero.

“A educação para a diversidade não é uma doutrinação capaz de converter as pessoas à homossexualidade, como se isso fosse possível. O objetivo é criarmos condições dentro das escolas para que professores e alunos possam aprender e ensinar o convívio com as diferenças que naturalmente existem entre todos”, disse a professora e pesquisadora Viviane Mendonça. Fonte aqui.

Embora se manifestem contra o que chamam de “ideologia”, grupos religiosos atuam para frear e interromper a consolidação de valores básicos da democracia, como o tratamento igual aos indivíduos, o respeito à pluralidade e diversidade que caracteriza a sociedade moderna.

Frases como “superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção de igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual” foram retiradas do Plano Nacional da Educação e substituídas por “erradicação de todas as formas de discriminação”.

O motivo: protestos, chiliques, histeria coletiva.

Na verdade, o objetivo de inserir o gênero na redação do PNE foi deixar facultativo a escolha da escola em trabalhar ou não com o preconceito e a discriminação na sala de aula no tocante ao gênero.

No ambiente escolar, discriminação, preconceito, desvalorização ao adolescente gay produzem dor, sofrimento, perpetuam o bulliyng, causam depressão e até suicídios.

A importância da educação para a igualdade e a diversidade é fundamental. Ela pode orientar a atuação de professoras e alunos de forma que diminua a opressão e o sofrimento dos indivíduos

É nosso papel criar caminhos para que as pessoas fiquem mais informadas a respeito dos estudos na área e percebam que não se trata de ideologia. Não podemos dialogar com o barulho causado pelo pânico das pessoas comuns. A escola pode ajudar a mudar isso.

Assim como não dá para combater o racismo sem falar que o negro existe,

não dá para combater a homofobia sem dizer que o gay existe.

Nenhum material é distribuído nas escolas sem a autorização dos órgãos oficiais de educação. Não permitam que denigrem a imagem de vocês com inverdades, por favor.

É bom lembrar que desde a década de 90 a homossexualidade não é reconhecida como uma doença. Ser homossexual não é uma escolha. Ninguém escolhe ser gay porque é mais legal. Muito pelo contrário: ser gay implica em sofrer preconceitos e lutar pelo direito de ser o que é. Isso dá muito trabalho!

A orientação sexual de cada um deve ser respeitada, não pode ser motivo de vergonha, nem de piadas ou humilhações.

O que a escola deve fazer, por exemplo, se um garotinho demonstrar que gosta mais das brincadeiras das meninas e quer se vestir com roupas de meninas? Isso pode acontecer. Essa criança tem que levar uma surra? Tem que ser expulsa da escola?

Ela não merece ser motivo de risos, nem ser agredida. Eu acho que ela merece ser tratada com amor, diálogo e compreensão. Leia uma matéria da Nova Escola sobre isso aqui. Precisamos falar sobre gênero e transexualidade. Isso não é sobre o PT, a rede globo ou o que quer que seja. É sobre a vida real.

 

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Monique Gomes é blogueira, jornalista freelancer certificada em Marketing de Conteúdo, odeia glúten mais que tudo, ama cinema e doguinhos.

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