A quem interessa a morte de Marielle Franco?

Não tenho vergonha de falar que desconheço o que é ser de direita ou esquerda. Na minha cabeça as coisas não devem funcionar dessa forma por vários motivos, principalmente porque isso limita muito a nossa liberdade de pensamento.

Por exemplo, acho Michel Temer uma farsa. Um sobrevivente político. Um articulador corrupto. Várias denúncias já foram feitas contra ele, inclusive com provas de áudios gravados. Por muito menos uma presidente eleita foi tirada do poder bem rapidinho.

Ainda assim, o que eu penso sobre o meu malvado favorito não influencia em nada na minha opinião sobre as ações do governo.
Uma pessoa que se posiciona do lado esquerdo vai rejeitar cegamente todas as ações dos políticos de direita. Aquele que é de direita vai se posicionar cegamente a favor do presidente, sem ao menos questionar.

Eu, não. O meu barato é escacaviar, refletir, questionar. Sobre a decisão da intervenção militar, eu me vi como a Glória Pires comentando o Oscar: “não sou capaz de opinar”. Desculpe o meme, mas foi inevitável.

A morte de Marielle me chamou atenção pra uma coisa: ela e o motorista foram executados dias depois de ela dizer isto:

“Precisamos gritar para que todos saibam o que está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana, dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior. Compartilhem essa imagem nas suas linhas do tempo e na capa do perfil!”

Segundo a Revista Isto É, em 2011 a juíza Patrícia Acioli (responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a grupos de milícia e extermínio) foi atingida com 21 disparos em uma emboscada, quando chegava em casa. Onze policiais foram condenados.

Ainda de acordo com a revista, o batalhão é acusado de truculência pelos moradores. De 2013 a 2016 (último dado disponível), o total de autos de resistência (quando o policial mata supostamente em legítima defesa) passou de 51 para 117. Em 2016, a equipe foi recordista de ocorrências como essa no Estado.

Em tempo: a grande maioria dos policiais brasileiros são verdadeiros heróis!!! Não existe unanimidade. Nem todo policial é uma boa pessoa. Nem todo médico é uma boa pessoa. Nem todo padre é um bom cristão. O Roberto Carlos não come carne e a Xuxa Meneghel não usa Monange.

Acho que a pergunta não é “Quem matou Marielle?”, mas “Quem tinha interesse na morte dela e por quê?”. Outra pergunta que não quer calar: “Quem vai substituir Marielle na comissão que fiscaliza a intervenção militar?”. Sim, porque quem ia fiscalizar morreu, né? Não vejo ninguém falar sobre isso.

Enfim, viva a liberdade de pensamento e expressão.

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