[Humor] Você conhece o point mais badalado de Ubajara?

Quando eu era adolescente, o point mais badalado de Ubajara era o calçadão da Casa Loreto, ali na Avenida dos Constituintes. A gente ia pra lá rever os amigos ou fazer novas amizades. Jogar conversa fora. Hoje, muita coisa mudou – o que é perfeitamente natural.

Agora, o lugar que se tornou mais popular pra quem deseja conhecer pessoas, fazer networking e treinar a prática do altruísmo é a agência do Banco do Brasil. O processo começa logo na entrada, com o desatendimento nos caixas eletrônicos.

Se você ainda não conhece o temperamento de cada máquina, precisa passar por todas elas até descobrir qual é a que faz depósito; a que diz que faz saque, mas não faz; a que trava quando você tecla determinados números; enfim, a que realmente funciona.

Entre o pulo de uma fila para outra, sempre tem alguém que divide a própria experiência:

“Moça, essa aí não imprime comprovante”.

“Moça, nessa máquina não tem dinheiro”.

Algumas horas depois, você já é um expert na ciência comportamental das máquinas, um verdadeiro psiquiatra que entende a psiquê da tecnologia. Conhece cada uma como se ela fosse sua irmãzinha mais nova.

Inclusive uma delas sofre de pneumonia, porque em vez de entregar o dinheiro do saque ela só tosse, tosse, tosse enquanto o usuário fica igual àquele gif do John Travolta em Pulp Fiction…

Quando você se dá conta, está em outra fila ajudando um desconhecido que começou a fazer uma operação que você sabe que não vai dar certo:

“Ei, essa máquina não tá aceitando depósito”.

É o início de um diálogo que perdura. De repente, a conversa evolui para temas como família, futebol, cinema.

Não há dúvidas de que tudo isso faz parte de uma estratégia de marketing pra fazer com que as pessoas se libertem um pouco mais da dependência de seus smartphones e passem a conversar presencialmente, como autênticos seres humanos.

Além de rever amigos e fazer novos, o atendimento nos caixas eletrônicos funciona como uma espécie de exercício de solidariedade, como você pode perceber. Além do mais, a parte interna do BB é uma área exclusiva de acesso à purificação espiritual. Também é o momento da provação mais difícil: o teste que vai medir o seu nível de paciência e compaixão.

Aí a gente observa que a missão do atendente também é árdua, pois ele está sozinho, tentando vencer a última batalha de Jogos Vorazes. Além de dar conta de uma multidão de almas purificadas, ele é responsável por todos os pepinos ao mesmo tempo e ainda se desculpar pela empresa.

Lá dentro também é permitido fazer amizades. Com um pouco de sorte é possível conseguir um lugar para sentar. E você fica lá… fica lá… fica lá… durantes horas, manhãs e tardes à deriva. Sem água potável, cafezinho ou direito a um xixi.

Recomendo levar um livro pra desfrutar, físico ou digital. Sem esse recurso, abri a página off-line do Google para jogar o game secreto do dinossauro.

Depois de acumular muitos pontos e morrer inúmeras vezes naqueles cactos malditos até a bateria descarregar totalmente, resolvi bater um papo com a desconhecida ao lado que, em algumas horas, se transformou na minha melhor amiga. 

 

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