A verdade por trás da lenda

igreja

Durante muito tempo, a história de que Genoveva foi a primeira moradora do local que hoje é ocupado pelo município de Bela Cruz foi transmitida oralmente de geração a geração. Diz a lenda que Genoveva era uma mulata idosa, que benzia e rezava para diferentes mazelas. Morava em uma casinha em cima da colina, nas proximidades da igreja matriz. Contam que ela tinha o dom de adivinhar o futuro e, com isso, sua popularidade cresceu e o local ficou conhecido como Alto da Genoveva.

Segundo o pesquisador Vicente Freitas, autor do livro Bela Cruz – biografia do município, “na verdade, Genoveva não era mulata, nem rezadeira, nem velha e tampouco foi a primeira a habitar o solo belacruzense”.

Baseado em incansáveis pesquisas nos registros paroquiais da região e em publicações da Revista do Instituto Ceará, entre outras fontes, o escritor chegou aos seguintes fatos: Genoveva Maria de Jesus se casou com Martinho do Prado Leão no dia 22 de julho de 1793. O casal passou a morar nas proximidades da Capela de Santa Cruz. Como forma de referência geográfica, os populares passaram a chamar aquele determinado local (e não o município, como muitos acreditavam) de Alto da Genoveva.

Conforme registro, em 1683 os primeiros habitantes se instalaram no Sítio Santa Cruz, atual Bela Cruz, através do sistema de sesmarias (área de terra doada para cultivo). A primeira sesmaria foi concedida a Manoel de Goes e seus companheiros nessa época, o que torna infundada a hipótese de que Genoveva seria a primeira moradora de Bela Cruz, uma vez que ela passou a morar naquele local após o seu casamento, em 1793.

“Embora não seja nossa intenção desprezar a importância da lenda, esta biografia, devidamente pesquisada, documentada, precisa e em ordem cronológica, procura apresentar uma versão racional da história deste município”, escreveu Vicente Freitas em seu livro, ressaltando ainda que “… escrever história não é apenas compilar. É, sobretudo, conhecer e confrontar. Porém, o que queremos mostrar, aqui, não é a polêmica, ou a controvérsia. Não é a história com os seus enganos e equívocos. É a história revista, pensada e emendada”.

vicente_freitasVicente Freitas de Araújo é autor dos livros: Almanaque poético de uma cidade do interior (1999), O carpinteiro das letras (2005), Bela Cruz, famílias endogâmicas (2010) e Bela Cruz – biografia do município (2011). Participou de várias antologias publicadas, foi merecedor da Medalha do Mérito Cultural, em 1996, pelo Conselho Editorial da Revista Brasília; medalha de bronze, no II Festival Nacional Literário, no Rio de Janeiro, em 1999 e foi um dos finalistas do prêmio nacional de poesia Menotti del Picchia 2000, e do internacional Von Breysky 2001. Os livros de Vicente Freitas podem ser comprados pela internet, através dos sites Books Editoras, Clube de Autores e AG Book (impresso ou eletrônico) ou no endereço: Rua Pe. Odécio, 620. Centro de Bela Cruz. O autor disponibilizou ainda um link para a leitura do livro em formato digital, acesse aqui. Fale com o escritor: vincentfreitas@yahoo.com.br.

REPORTAGEM DE MONIQUE GOMES

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3 comentários sobre “A verdade por trás da lenda

  1. Claramente Genoveva Maria de Jesus não é a mesma Genoveva que acreditava-se ser a primeira habitante, Pois a velha mulata rezadeira já estava no alto que recebeu seu nome em 1730 o qual três anos depois pelo Frade franciscano João de Maria o local recebeu o nome de Santa Cruz porque as pessoas passaram a conhecer a igrejinha do local como Igreja da Genoveva. Se em 1733 já mudaram o nome de Alto da Genoveva para Santa Cruz, não há logica de ser a mesma Genoveva que casou em 1793. Ou se for a mesma, com que idade casou?

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    1. Concordo Marcos Aurélio. Mas outra dúvida me inquieta: Independente de a Genoveva Maria e a Genoveva rezadeira serem ou não a mesma pessoa, por que nos dados históricos, excluindo-se os relatos passados verbalmente entre as pessoas “A LENDA”, não há menção, segundo a pesquisa do Vicente, à Genoveva rezadeira? OU, apesar de não ter lido o livro todo ainda, mas a Genoveva Maria também era rezadeira? Fica pra vcs ai a descoberta, até porque fiquei curioso agora… Abraço! Admiro os dois!

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  2. Não sei se existe um documento comprobatório que confirme o que o MARCOS AURELIO disse, sobre o fato da igreja ter sido conhecida por “Igreja a Genoveva”, mas se o que ele diz faz sentido, talvez Genoveva fosse um nome comum na época e que essa tal negra bezendeira, tivesse vindo junto ao regime das sesmarias. Como ela era mais velha e rezasse para diversos males, sua fama se espalhou e isso fez com que seu nome fosse lembrado!

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