A surpreendente história de Uba e Jara

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Imagem produzida em novembro de 2015 / Texto produzido em junho de 2009

[Atenção: Contém humor e ficção] A história completa ainda não está pronta, mas devido aos insistentes pedidos que não param de chegar, resolvi disponibilizar o primeiro capítulo dessa saga fascinante que narra a história de Ubajara – a cidade recebeu esse nome em homenagem aos índios Uba e Jara. A conclusão dessa pesquisa só será possível com estudos minuciosos, principalmente por culpa de Jara. Essa índia tem uma mente muito complexa, necessita conhecimentos de física quântica, astrologia, astronomia, filosofia, budismo, entre outras coisas. É muita responsabilidade… Leia agora o capítulo que conta como Uba e Jara se conheceram:

Numa pequena vila de moradores denominada “Jacaré”, situada no interior do Estado do Ceará, viviam os últimos remanescentes indígenas da Tribo Tabajara, que foram colonizados pelos nativos. Décadas depois, o vilarejo se elevaria à categoria de cidade e receberia o nome de “Ubajara” em homenagem a Uba e Jara, um casal de índios que viveu na caverna onde hoje é o principal ponto turístico da cidade: a Gruta de Ubajara.

Reza a lenda que foi numa tarde ensolarada de janeiro que Uba e Jara se conheceram. Uba, o índio, tomou o último gole do chá da folha de bamburral, porque estava se recuperando de uma terrível diarreia. Ainda abatido e mesmo cheio de assaduras (ele não tinha uma pomada hipoglós), resolveu sair para caçar próximo a uma caverna que ficava a poucas horas dali.

Enquanto isso, Jara – a formosa índia de longos cabelos cor de burro quando foge, preparava sua maquiagem com urucum quando sabiamente percebeu que naquela tarde aconteceria a revoada das tanajuras. Espalhou protetor solar fator 50 pelo corpo todo, calçou um par de havaianas e saiu com as irmãs à caça das formigas.

Jara estava certa. As tanajuras começaram a sobrevoar o lugarejo e muitas voavam tão alto que serviam de alimento para os pássaros. Ela olhava para o céu, abestalhada, observando a poesia daquela cena. No mesmo instante o índio Uba, desastrado, porém destemido, perseguia com valentia uma tanajura que sobrevoava ali perto, quando de repente topou numa pedra e se estabacou no chão.

__ Égua! – exclamou, caindo aos pés de Jara, que imediatamente pensou: “quem é esse lesado?”.

Ainda no chão, percebeu a presença de Jara e ficou desnorteado diante de tamanha beleza. Logo desmaiou, pois a pancada na cabeça foi muito forte (antes se arrependeu por não ter usado seu desodorante Rexona, assim evitaria aquela inhaca no sovaco perceptível a quilômetros de distância).

Ao despertar, imaginou que estivesse passado dessa para melhor. Só que não. Estava numa caverna cheia de adereços curiosos: uma almofada da Hello Kitty, um vinil dos Beatles, uma revista de saúde que estampava um prato de macarronada com os dizeres “intolerância a glúten” (no qual ele leu “glúteos”) e livros, muitos livros espalhados pelo chão. Olhou à sua direita e visualizou a índia Jara, que estava ali pacientemente cuidando de seu ferimento.

Jara ofereceu a ele uma cumbuca com um líquido amarelado. Era maracuchaça, uma bebida motivacional que mistura as propriedades medicinais do maracujá com a cachaça serrana. Os dois ficaram se olhando por alguns segundos. Ele, encantado com ela. Ela, curiosa para saber se havia vida inteligente ali dentro.

Para quebrar o gelo, ele fez um comentário sobre os olhos dela, que mais ‘pareciam uma constelação’. Ela sorriu e pensou: “Da minha lista de cantadas ruins essa é a pior”. O silêncio se instaurou na caverna e Uba sentiu que era hora de ir embora. Na verdade, ele precisou sair correndo em busca da primeira moita que encontrasse. Maldita diarreia.

Os dias se passaram e ele não conseguia tirar Jara da cabeça. Resolveu consultar o Pajé Tupã, índio mais feio que o cão chupando manga, porém, sábio. Essas foram as palavras do Pajé: Índia difícil. Índia rebelde. Não quer casar. Filho precisa conquistar índia. Aprenda a cozinhar. Agradar. Índia gosta.

Depois dessa incrível revelação, Uba, o guerreiro destemido, arregaçou as mangas e resolveu partir para o ataque. Comprou um livro de receitas da Ana Maria Braga. Confiante, mandou um recado para a amada no qual sugeria um encontro embaixo do pé de jaca, atrás da caverna. Jara mandou dizer que não tava a fim. Falou com ela pessoalmente, mandou poemas, cartas, e-mails, fax, sinal de fumaça. Nada. Jara estava tão irredutível quanto um jumento impacado (… continua…)

[Leia também] Tanajuras, as formigas comestíveis

Na Serra da Ibiapaba é assim… no início do ano, logo no primeiro dia de sol depois de um período de chuvas, acontece a manifestação das tanajuras – enormes formigas voadoras que possuem um ferrão capaz de beliscar com força qualquer um que as ameace. Sim, elas possuem personalidade forte (seriam feministas?)… Leia Mais

Monique Gomes é jornalista certificada em Marketing de Conteúdo e Co-fundadora do Projeto TM Fácil.

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7 comentários sobre “A surpreendente história de Uba e Jara

  1. Gostei do time com o humor. rssrsrsr.

    Jara é a primeira feminista moderna que morre de inveja pq homem consegue mijar em pé. Todas as feministas, no fim, só querem mijar em pé. Não ligam para igualdade de salários, liberdade, etc…

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    1. Aê, Denes. Uma curiosidade: em que passagem dessa história você identificou que Jara é feminista?

      Olha só esse trecho que Xico Sá escreveu em seu último artigo:

      “Sem essa da inveja do pênis, doutor Sigmund (as fêmeas continuam invejando essa nossa insignificância?), sem essa, se liga, hoje em dia elas têm mais pau do que nós. O pau moral, o pau da pronúncia, o pau do discurso…”

      O que você acha? Leia na íntegra aqui http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/13/opinion/1447411428_613755.html

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  2. Muito bom! Imaginava um final já com indiozinho(a)s correndo atrás de tanajuras, mas sabendo tratar-se da primeira parte, possivelmente terá um desfecho plausível e que venha trazer orgulho ao povo da nossa cidade, e que venha enriquecer ainda mais sua história. Orgulho ser de Ubajara-CE.

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