A vida é inventada e descoberta

Nesse início de ano me veio uma vontade de escrever sobre vários temas, como: “A importância das pilhas AAA”, ou “Como sobrevivi todos esses anos sem um pendrive” ou ainda “Tudo o que você queria saber sobre o seu palm top, mas tinha medo de perguntar” ( ahahahah ). Mas o grande barato é escrever sobre nós mesmos, nossas invenções e descobertas e sobre nossa incessante busca pelo auto-conhecimento, conscientes ou não. E enquanto o céu nos observava, escrevi algumas linhas:

Em uma manhã de janeiro na pacata Ubajara o céu estava completa e extremamente azul, absolutamente sem nuvens, não fosse por um rastro branco, espesso e quilométrico que descaradamente cortava o azul, formando um lindo arco. Parei perplexa com a beleza do cenário e me perguntei o que poderia ter causado aquilo, se um avião ou o dedo de Deus. Pessoas iam e vinham, umas com conversas alegres, outras caladas. Pedestres, ciclistas, motoqueiros. O fato de ninguém, nenhuma alma, um terráqueo sequer perceber o que estava acontecendo, durante os 25 minutos que estive lá, me deixou em estado de choque e por um momento duvidei de que havia mesmo aquela imagem no céu. Foi quando chamei uma pessoa que passava e apontei para cima, não só para compartilhar com ela, mas para me certificar de que era mesmo verdade que ninguém, além de mim, percebeu aquele rastro gigantesco rasgando o azul do céu – porque, de tão extenso e vivo, não era preciso olhar para cima para percebê-lo. E ela ficou alguns instantes comigo, contemplando admirada.

Os dias se passaram e em uma manhã de fevereiro, centenas de borboletas amarelas sobrevoavam o céu num percurso de ponta a ponta da avenida principal da cidade. Jamais tinha visto algo parecido e isso novamente me paralisou. Mais uma vez pessoas iam e vinham, olhando e não vendo a beleza que foi a dança daquelas borboletas. E a palhaça que existe em mim pensou: “se fossem tanajuras, seria um alvoroço”. Em vão, fotografei. Mas já desconfiava que nada retrataria com fidelidade aquele momento.

Fatos como esses deixam a convicção de que nenhum dia é igual ao outro, que cada instante é especial e absolutamente único. Que uma vida inteira ainda seria pouco para refletir sobre o milagre que é a vida.

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