Pular para o conteúdo

O Mundo Depois de Nós: entenda o final do filme

O Mundo Depois de Nós (Netflix), thriller psicológico de suspense de Sam Esmail (mesmo criador de Mr. Robot), tem a mecânica comum do gênero pós-apocalíptico.

Muitos dizem que não entenderam o filme, mas na verdade, ele tem muito mais a dizer do que se pode imaginar. Acompanhe uma interpretação detalhada.

Qual a história do filme O Mundo Depois de Nós?

A história é sobre um ataque cibernético bizarro que muda as férias de uma família e o país inteiro. Imagine de repente ficar sem energia, sem internet, sem telefone, sem TV…

O filme é baseado no livro “O Mundo Depois de Nós” e também é dividido em capítulos. Aliás, o escritor trabalhou junto com a equipe de roteiristas.

Existe a família pretensiosa apanhada em circunstâncias típicas. “Eu odeio as pessoas”, diz Amanda Sandford ( Julia Roberts ), enquanto olha cansada pela janela do apartamento.

E então Amanda e o amável marido Clay ( Ethan Hawke ) levam os filhos Rose ( Farrah Mackenzie ) e Archie ( Charlie Evans ) para passar o fim de semana em uma luxuosa mansão em Long Island.

Mahershala Ali interpreta GH Scott, o dono do imóvel que volta para casa com a filha Ruth (Myha’la) porque deseja escapar do misterioso caos que ocorre na cidade. As duas famílias são forçadas a existir – e sobreviver – sob o mesmo teto, à medida que ocorrem eventos cada vez mais estranhos.

Semelhante a outras obras de desastre, O Mundo Depois de Nós percorre personagens excêntricos, interessa-se pela desintegração da sociedade e pela tensão que surge de pessoas díspares, pressionadas a sobreviver umas com as outras.

O livro também é ambíguo?

Livro de Rumaan Alam, O Mundo Depois de Nós.

A adaptação de ficção científica do filme faz alguns desvios do livro, principalmente no que diz respeito ao final. Mas, segundo portais de notícia, o produtor executivo sinalizou que essas mudanças foram “emocionalmente fiéis ao livro”.

“Houve um final que era realmente inevitável”, disse ele , cujo romance O MUNDO DEPOIS DE NÓS foi a fonte do mais recente thriller apocalíptico da Netflix. “O livro termina com um ponto de interrogação”, finalizou.

Crítica Social

Personagem de Júlia Roberts quer se isolar das pessoas

Uma das observações críticas do filme é apresentada por meio da personagem interpretada por Julia Roberts. Ela cria uma narrativa fictícia sobre férias em família, mas, na realidade, o objetivo é se isolar no campo devido ao desgosto pelas pessoas.

Fica evidente que ela não aprecia a convivência social e busca um refúgio. Conforme a trama se desenrola, essa característica se acentua, pois a protagonista revela dificuldades em ser amigável.

Esse aspecto levanta a reflexão sobre se não estamos, de certa forma, nos tornando indivíduos incapazes de lidar efetivamente com outros. É uma provocação do filme.

A ironia é que a própria tecnologia separa as pessoas

Outra crítica inicial no enredo surge quando uma família viaja de carro para uma casa de campo. A dinâmica da viagem é reveladora: a mãe está ao telefone, o pai sintonizado no rádio, o filho absorto em um videogame e a filha mergulhada em séries.

Mesmo compartilhando o mesmo espaço físico, a comunicação entre eles é quase inexistente. Todos estão fisicamente presentes, mas emocionalmente distantes, envolvidos no entretenimento proporcionado pela tecnologia. O filme sugere que a tecnologia está prejudicando a dinâmica familiar, preparando-nos para as consequências da falta de interação humana.

Essa crítica revela como a tecnologia tem o poder de alienar as pessoas próximas umas das outras. Quem nunca se viu em um restaurante com a família, sentindo a necessidade de chamar a atenção para que todos deixem os celulares de lado?

Críticas à Sociedade Atual

O Mundo Depois de Nós destaca, de maneira marcante, a dependência emocional da personagem Rose, interpretada pela filha, em relação à série “Friends”. Essa conexão não é estranha: muitas pessoas encontram consolo em séries específicas.

Em uma cena, Rose expressa que o programa é sua fonte de felicidade, refletindo um comportamento comum de buscar refúgio na familiaridade proporcionada pela repetição de conteúdos.

A prática de maratonar séries extensas, retornar incessantemente ao mesmo conteúdo ou passar horas imerso em um único jogo são formas de escapismo, estratégias para evitar a realidade e se refugiar em um mundo alternativo.

O filme também explora a falta de confiança entre as pessoas como um ponto de conflito. A personagem interpretada por Julia Roberts, por exemplo, leva considerável tempo para confiar nos donos da casa, gerando tensão em um ambiente que deveria proporcionar segurança.

A ausência de confiança é apresentada como um elemento agravante do caos, suscitando reflexões sobre como as relações humanas são impactadas em momentos de crise.

O filme utiliza diversas estratégias para evocar angústia, como cenas de transportes descontrolados, como o navio chegando à praia, o avião caindo à beira do mar e os Teslas colidindo na estrada.

Essas cenas compartilham a falta de controle humano sobre os meios de transporte, os quais dependem da tecnologia para funcionar.

Além disso, o filme explora a possibilidade de uma guerra tecnológica envolvendo satélites, internet e armas sonoras e de radiação. Ele delineia um plano realista em três fases:

  1. isolar uma nação;
  2. criar confusão;
  3. permitir que a própria população destrua a sociedade por meio do medo, desconfiança e falta de empatia.

A mensagem final do filme sugere que, quando confrontados com o pior cenário, a humanidade frequentemente age de forma egoísta, revelando um ponto fraco que pode levar à ruína.

Você percebeu as mudanças no cenário?

A mudança constante na decoração da casa ao longo do filme foi um fato observado pelo Canal Ei, Nerd. A pintura abstrata na sala de estar, apesar de parecer a mesma, revela nuances progressivas, como pontos brancos que aumentam.

Isso transmite sutilmente a ideia de desbotamento e envelhecimento, simbolizando a transformação irreversível da narrativa.

O painel com uma foto do mar no quarto segue uma trajetória similar, passando de ondas calmas para um mar agitado, denuncia a crescente atmosfera de caos.

Outro elemento que contribui para o desconforto visual são os artifícios dos ângulos de câmera, com imagens aéreas invertidas e movimentos estranhos ao redor da cena. Essa técnica é uma artimanha intencional para causar desconforto.

Os recursos da trilha sonora também desempenham um papel importante na criação de sensações. Mesmo em cenas aparentemente tranquilas, a trilha sonora contribui para uma atmosfera de suspense, indicando que algo está fora do lugar.

Explicação do final: O Mundo Depois de Nós

Rose, a menininha que ficou no bunker todo equipado com diversão e comida no final do filme O Mundo Depois de Nós

O desfecho acontece em um bunker equipado na casa dos vizinhos, onde a menininha Rose encontra conforto no entretenimento — o que ressalta a importância da arte e diversão para manter a sanidade.

A narrativa não oferece esperança para os personagens, exceto Rose, que encontra alegria no episódio final de “Friends”. Isso mostra a desconexão entre felicidade e dependência da internet. O filme, embora da Netflix, critica a sociedade conectada.

A trama joga com a frustração de Rose ao não assistir o final da série, refletida na ausência de resolução no filme. “O Mundo Depois de Nós” provocou reflexões sobre tecnologia e relações humanas, apresentando uma cena final imersiva que nos deixa com a mesma sensação de frustração de Rose.

Aproveite para ler também:


Por Monique Gomes

Jornalista, blogueira, copywriter, analista de SEO on-page, gestora de tráfego. Fundou e editou dois jornais nas versões impressa e online. Trabalhou na Rock Content, maior agência de marketing das galáxias.