ROBERTO DENSER: Definitivamente. É impossível ignorar a possibilidade de um futuro sombrio quando paramos para observar as consequências óbvias das atuais mudanças climáticas, não acha?
Nós estamos destruindo ativamente o nosso planeta, mas o que piora tudo é que estamos divididos entre aqueles que sabem disso, mas negam por conveniência ou imediatismo, numa política íntima de “não é problema meu, mas das pessoas do futuro”; aqueles que sabem disso e o afirmam, porém não possuem o poder necessário para fazer uma diferença substancial; e aqueles que negam todas as evidências apenas porque não querem acreditar nelas.
É uma coisa curiosa que aprendi sobre a crença: ela é muito mais oriunda de uma necessidade de acreditar em determinada coisa do que de uma busca honesta por uma verdade de fato.
ROBERTO DENSER: Acho que de todas as minhas experiências pessoais, a que mais ajudou na construção do livro foi a do trabalho como açougueiro (risos).
ROBERTO DENSER: Meus personagens costumam aparecer de forma muito vívida para mim. Às vezes me sinto como se não tivesse nenhum controle sobre eles então, via de regra, eu apenas os deixo seguirem seus destinos. A ambiguidade moral à qual você se refere se deve principalmente ao fato de que inevitavelmente contrastamos a moral dos personagens com a nossa própria moral, mas ao fazer isso não podemos esquecer que eles pertencem a um contexto onde certos valores podem não só enfraquecê-los como também colocá-los em perigo mortal.
ROBERTO DENSER: Não, eu não me sinto otimista em relação ao futuro da humanidade, sobretudo em relação aos problemas ambientais. A esperança à qual me referi é outra, muito mais circunstancial, digamos assim, e acho que o leitor que conseguir atravessar todas as páginas sombrias do livro vai acabar chegando a uma conclusão parecida.
ROBERTO DENSER: Há pistas espalhadas por todo o livro, prefiro deixar os leitores especulando o que pode ter acontecido. Não acha mais divertido assim?
ROBERTO DENSER: Quem sabe? É uma possibilidade que não descarto, mas vai depender muito mais do interesse dos leitores e da editora do que do meu próprio interesse.
ROBERTO DENSER: Eu acredito que a literatura nordestina vive, sim, um ótimo momento. Comparável ao boom do início do século XX, com autores do chamado “regionalismo”, mas confesso que não sei exatamente quais as causas disso.
Se minha obra desempenha algum papel nesse sentido? No momento em que respondo essa entrevista, provavelmente não, mas me pergunte de novo dentro de dez anos e eu talvez tenha uma resposta diferente.
De minha parte, sendo bem honesto, eu sou apenas um cara querendo levar uma vida tranquila e, entre as obrigações do dia a dia, escrever boas histórias que sejam lidas por uma base sólida de leitores. Só isso.
ROBERTO DENSER: Antes de mais nada, espero que eles se divirtam. Não quero dizer como o livro deve ser lido porque desconfio que o autor, ao falar de sua obra, inevitavelmente a enfraquece, sobretudo quando diz de que modo a obra deve ser interpretada.
ROBERTO DENSER: Ah, naturalmente tenho alguns atores em mente, mas quanto a isso eu prefiro ser surpreendido (risos).
Empreendedora digital, copywriter,
analista de SEO on-page, gestora de tráfego.
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