Pular para o conteúdo

A filosofia de Epicuro e os efeitos colaterais dos prazeres vazios

A filosofia de Epicuro remonta há 2.300 anos aproximadamente, mas muito do que ele disse sobre a natureza, a física, a história, o amor, a morte e a religião permanece relevante até hoje.

Muitos filósofos antes e depois dele se dedicaram a tentar compreender o que é o Bem, ou o que é a Justiça.

Mas ele foi movido pela miséria e pelo medo das pessoas ao seu redor e, em vez disso, se concentrou apenas em descobrir o que faz as pessoas felizes.

Continue a leitura para saber mais.

Efeitos colaterais de uma vida hedonista

Epicuro era essencialmente um humanista. Claramente, era óbvio que as pessoas seriam mais felizes com menos dor e mais prazer, mas simplesmente aumentar o número de experiências prazerosas não era a resposta.

Até porque entregar-se ao prazer no sentido hedonista trazia efeitos colaterais nada agradáveis.

“Nenhum prazer é uma coisa ruim em si. Mas as coisas que proporcionam prazer, em certos casos, acarretam perturbações muitas vezes maiores do que os próprios prazeres”, dizia o filósofo.

Beber álcool é prazeroso, e Epicuro era conhecido por beber uma taça de vinho, mas beber álcool em excesso, como todos sabem, tem consequências desagradáveis.

A manhã seguinte costuma ser acompanhada de um desconforto enorme. O mesmo se aplica a empanturrar-se de comida. Na hora, excita os sentidos, mas depois vem a dor de estômago e possivelmente, a longo prazo, problemas de saúde.

O argumento de Epicuro era que certos prazeres produziam consequências muito piores do que o prazer original. A solução para tornar as pessoas mais felizes consistia mais em remover as fontes de dor, em não se entregar aos prazeres sensuais para satisfação momentânea.

Tipos de Prazer segundo a filosofia de Epicuro

Prazer cinético

É aquele que nos estimula e nos deixa agitados ou excitados. O prazer cinético ou móvel pode nos colocar em situações inesperadas, causar turbulência interior e dor mental.

Prazer catastemático

É estável e nos mantêm calmos e imperturbáveis, como: curtir a companhia de amigos, assistir a um lindo nascer do sol ou saborear um alimento. O prazer catastemático mantêm nosso estado de ataraxia (tranquilidade).

3 Tipos de desejos segundo Epicuro

Visto que o prazer é a sensação que ocorre quando um desejo é satisfeito, Epicuro explicou que era útil examinar os nossos desejos para ver que prazeres eles procuram. Para isso, classificou os desejos desta forma:

1. Naturais e Necessários

Desejos são aqueles que surgem das nossas necessidades físicas básicas, como as necessárias à manutenção da vida, como água e comida. Deveríamos reduzir nossos desejos apenas a esses.

2. Naturais e Desnecessários

Desejos que estão na natureza humana, mas não são necessários para a sobrevivência, como alimentos exóticos e roupas extravagantes. Poderíamos tê-los, mas devemos ter cuidado para não ficarmos viciados neles.

3. Vãos e Vazios

Os desejos vãos e vazios não têm limite natural e são difíceis de satisfazer. Baseamos esses desejos em opiniões falsas. Deveríamos eliminá-los.

Embora os epicuristas acreditem que os seres humanos foram dados as suas vidas para procurar o prazer e evitar a dor, devemos ser éticos e garantir que não procuramos os próprios prazeres à custa dos outros.


Epicureus Sobre Amor, Morte e Deus

O amor reconhecido por Epicuro proporciona um prazer imenso e também nos causa uma dor terrível. Mas a dor que causa, como o ciúme e a ansiedade da separação, é uma parte inevitável da experiência.

Não podemos experimentar o amor em toda a sua glória sem sentir alguma dor. Como a própria vida, isso não acontece sem a morte.

Embora a morte seja a pior coisa que já aconteceu a qualquer um de nós, não é algo a temer ou criticar. Não podemos ter direito às alegrias da vida enquanto escolhemos escapar da agonia da morte.

Como tudo no universo, a morte é o limite máximo da vida humana. E quando chegarmos a esse ponto final, dizem os epicuristas, devemos aceitar com calma a lei inevitável da natureza, ainda mais na velhice.

A morte não deveria nos causar tristeza, desde que possamos dizer que vivemos uma vida feliz.

Eles não tinham nada de significado cósmico que estivesse esperando para acontecer depois que deixarmos de existir. Depois que morremos, nossos átomos se apagam e se recombinam em outra coisa. Esse é o nosso fim absoluto.

Os epicuristas também argumentavam que os deuses, se existissem, não tinham interesse na vida dos humanos. Os deuses são seres perfeitos e por isso vivem suas vidas em ataraxia.

Se interviessem em vidas humanas, isso perturbaria a sua ataraxia divina. Portanto, não há necessidade de temer a ira dos deuses.

Assim, também, não existe um sistema cósmico de vida após a morte ou de um dia de julgamento. E isso nos dá mais motivos para viver uma vida de prazeres na terra enquanto ainda podemos.

CURIOSIDADE: Epicuro recebe o crédito por ter desenvolvido uma das primeiras teorias do átomo, chamada atomismo epicurista. Ele professou que tudo é composto de partículas minúsculas, indivisíveis e invisíveis chamadas átomos. No entanto, a filosofia atomista foi proposta pela primeira vez por Demócrito.

13 Ensinamentos de Epicuro para uma vida feliz

  • Escolha o que te deixa feliz e satisfeito.
  • Evite tudo o que faz você sentir alguma dor.
  • Não deixe que os outros sofram para seu prazer.
  • Evite o excesso de prazeres corporais.
  • Deseje principalmente o que é natural e necessário.
  • Não persiga os desejos “vão e vazios”.
  • Encontre alegria nas coisas que você tem em sua vida.
  • Faça amigos que confiem e ajudem uns aos outros.
  • Livre-se das superstições sociais.
  • Liberte-se do medo da sua morte.
  • Pare de temer a ira e o julgamento divino.
  • Acredite na justiça social e comporte-se com justiça.
  • Viva uma vida de virtude , coragem e prazer racional.

Gostou de saber mais sobre a filosofia de Epicuro?

Aproveite para ler também:

CRÉDITOS DE IMAGEM: FREEPIK


Por Monique Gomes

Marketing, Copywriting & Assessoria