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A filosofia de Epicuro e os efeitos colaterais dos prazeres vazios

A filosofia de Epicuro remonta há 2.300 anos aproximadamente, mas muito do que ele disse sobre natureza, física, história, amor, morte e religião permanece relevante até hoje.

Diversos filósofos antes e depois dele se dedicaram a tentar compreender o que é o Bem, ou o que é a Justiça.

Mas ele foi movido pela miséria e pelo medo das pessoas ao seu redor e, em vez disso, se concentrou apenas em descobrir o que faz as pessoas felizes.

>>> O que você vai ler neste artigo:

  • Efeitos colaterais de uma vida hedonista
  • Tipos de Prazer segundo a filosofia de Epicuro
  • 3 Tipos de desejos segundo Epicuro
  • Teoria de Epicuro sobre Amor, Morte e Deus
  • O que é o paradoxo de Epicuro?
  • 13 Ensinamentos de Epicuro para uma vida feliz

Efeitos colaterais de uma vida hedonista

Epicuro era essencialmente humanista. Claramente, é óbvio que as pessoas seriam mais felizes com menos dor e mais prazer, mas simplesmente aumentar o número de experiências prazerosas não é a resposta.

Até porque entregar-se ao prazer no sentido hedonista traz efeitos colaterais nada agradáveis.

“Nenhum prazer é uma coisa ruim em si. Mas as coisas que proporcionam prazer, em certos casos, acarretam perturbações muitas vezes maiores do que os próprios prazeres”, dizia o filósofo.

Beber álcool é prazeroso, e Epicuro era conhecido por beber uma taça de vinho, mas beber álcool em excesso, como todos sabem, tem consequências desagradáveis.

A manhã seguinte costuma ser acompanhada de um desconforto enorme. O mesmo se aplica a empanturrar-se de comida. Na hora, excita os sentidos, mas depois vem a dor de estômago e possivelmente, a longo prazo, problemas de saúde.

O argumento de Epicuro era que certos prazeres produziam consequências muito piores do que o prazer original. A solução para tornar as pessoas mais felizes consistia mais em remover as fontes de dor, em não se entregar aos prazeres sensuais para satisfação momentânea.

Tipos de Prazer segundo a filosofia de Epicuro

Aqui estão os tipos definidos pelo filósofo:

Prazer cinético

O prazer cinético ou móvel pode nos colocar em situações inesperadas, causar turbulência interior e dor mental. É aquele que nos estimula e nos deixa agitados ou excitados.

Prazer catastemático

É estável e nos mantêm calmos e imperturbáveis, como: curtir a companhia de amigos, assistir a um lindo nascer do sol ou saborear um alimento. O prazer catastemático mantêm nosso estado de ataraxia (tranquilidade).

3 Tipos de desejos segundo Epicuro

Visto que o prazer é a sensação que ocorre quando um desejo é satisfeito, Epicuro explicou que é útil examinar os nossos desejos para ver que prazeres eles procuram. Para isso, classificou os desejos desta forma:

1. Naturais e Necessários

Desejos são aqueles que surgem das nossas necessidades físicas básicas, como as necessárias à manutenção da vida, como água e comida. Deveríamos reduzir nossos desejos apenas a esses.

2. Naturais e Desnecessários

Desejos que estão na natureza humana, mas não são necessários para a sobrevivência, como alimentos exóticos e roupas extravagantes. Poderíamos tê-los, mas devemos ter cuidado para não ficarmos viciados neles.

3. Vãos e Vazios

Os desejos vãos e vazios não têm limite natural e são difíceis de satisfazer. Baseamos esses desejos em opiniões falsas. Deveríamos eliminá-los.

Embora os epicuristas acreditem que os seres humanos querem procurar o prazer e evitar a dor, devemos ser éticos e garantir que não buscaremos os próprios prazeres à custa dos outros.

Teoria de Epicuro sobre Amor, Morte e Deus

O amor reconhecido por Epicuro proporciona um prazer imenso e também nos causa uma dor terrível. Mas a dor que causa, como o ciúme e a ansiedade da separação, é uma parte inevitável da experiência.

Não podemos experimentar o amor em toda a sua glória sem sentir alguma dor. Como a própria vida, isso não acontece sem a morte.

Embora a morte seja a pior coisa que já aconteceu a qualquer um de nós, não é algo a temer ou criticar. Não podemos ter direito às alegrias da vida enquanto escolhemos escapar da agonia da morte.

Como tudo no universo, a morte é o limite máximo da vida humana. E quando chegarmos a esse ponto final, dizem os epicuristas, devemos aceitar com calma a lei inevitável da natureza, ainda mais na velhice.

Depois que morremos, nossos átomos se apagam e se recombinam em outra coisa. Esse é o nosso fim absoluto. A morte não deveria nos causar tristeza, desde que possamos dizer que vivemos uma vida feliz.

Os epicuristas também argumentavam que os deuses, se existissem, não tinham interesse na vida dos humanos. Os deuses são seres perfeitos e por isso vivem suas vidas em ataraxia.

Se interviessem em vidas humanas, isso perturbaria a sua ataraxia divina. Portanto, não há necessidade de temer a ira dos deuses.

Assim, também, não existe um sistema cósmico de vida após a morte ou de um dia de julgamento. E isso nos dá mais motivos para viver uma vida de prazeres na terra enquanto ainda podemos.

CURIOSIDADE: Epicuro recebe o crédito por ter desenvolvido uma das primeiras teorias do átomo, chamada atomismo epicurista. Ele professou que tudo é composto de partículas minúsculas, indivisíveis e invisíveis chamadas átomos. No entanto, a filosofia atomista foi proposta pela primeira vez por Demócrito.

O que é o Paradoxo de Epicuro?

O Paradoxo de Epicuro, também conhecido como o “problema do mal”, é uma questão filosófica clássica que aborda a aparente incompatibilidade entre a existência do mal e a existência de um deus benevolente e onipotente.

O argumento de Epicuro é formulado da seguinte maneira:

  • Deus é onipotente (todo-poderoso).
  • Deus é benevolente (todo-bondoso).
  • O mal existe.
  • A questão é como conciliar a existência do mal com a presença de um Deus que é simultaneamente onipotente e benevolente.

A tentativa de resolver esse paradoxo leva a diversas reflexões e discussões na teologia e filosofia da religião. Algumas respostas comuns incluem:

Livre Arbítrio

Algumas correntes de pensamento argumentam que o mal é resultado do livre arbítrio concedido por Deus aos seres humanos.

Teste ou Propósito Divino

Algumas visões sugerem que o mal serve a um propósito maior, seja como um teste para o crescimento moral, uma lição para a humanidade ou parte de um plano divino mais amplo.

Limitação Divina

Algumas interpretações afirmam que Deus pode ser benevolente, mas não pode impedir todo mal devido a limitações inerentes à existência humana.

O Paradoxo de Epicuro continua a ser um tema de discussão e reflexão, abordado por teólogos, filósofos e estudiosos ao longo da história.

Cada resposta proposta levanta questões adicionais e desafia a compreensão tradicional da natureza divina.

13 Ensinamentos de Epicuro para uma vida feliz

  • Escolha o que te deixa feliz e satisfeito.
  • Evite tudo o que faz você sentir alguma dor.
  • Não deixe que os outros sofram para seu prazer.
  • Evite o excesso de prazeres corporais.
  • Deseje principalmente o que é natural e necessário.
  • Não persiga os desejos “vão e vazios”.
  • Encontre alegria nas coisas que você tem em sua vida.
  • Faça amigos que confiem e ajudem uns aos outros.
  • Livre-se das superstições sociais.
  • Liberte-se do medo da sua morte.
  • Pare de temer a ira e o julgamento divino.
  • Acredite na justiça social e comporte-se com justiça.
  • Viva uma vida de virtude , coragem e prazer racional.

Gostou de saber mais sobre a filosofia de Epicuro?

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Por Monique Gomes

Empreendedora digital, copywriter,
analista de SEO on-page, gestora de tráfego.