“Num minuto estou tendo um ataque de pânico e no outro estou chapada de caos.” – Daphne
A revelação de flashbacks mostra Daphne sendo drogada, abusada e possivelmente estuprada pelo ex-chefe. Então, com essa informação, podemos entender que o término com Adrian não foi simplesmente uma questão de “insatisfação” ou “falta de conexão”.
O trauma do abuso a abalou profundamente, levando-a a questionar tudo em sua vida, incluindo o relacionamento. O término pode ter sido uma tentativa de se distanciar de tudo que a lembrava do período anterior ao trauma, buscando um recomeço completo.
Adrian, mesmo sem culpa, fazia parte dessa vida “anterior”, e o fim se torna uma forma de cortar laços com essa fase. Terminar o relacionamento, parar de beber e pedir demissão são tentativas de retomar o controle sobre sua própria vida e seu corpo.
Sue, a mãe de Daphne (Wendie Malick) teve uma vida amorosa marcada por relacionamentos passageiros e instáveis. Essa dinâmica contrasta com seu desejo por estabilidade e segurança emocional. Ela observa o padrão da mãe e, em certo nível, o rejeita.
No entanto, Daphne também demonstra uma certa dificuldade em lidar com seus próprios sentimentos, o que sugere uma influência, mesmo que inconsciente, do exemplo materno.
Depois que ela engravidou, a relação entre mãe e filha melhorou. Daphne percebe que, apesar de suas diferenças, ambas compartilham algumas características, principalmente a dificuldade em lidar com as emoções e a busca por amor e aceitação.
O trauma do abuso sexual sofrido por Daphne é um elemento fundamental aqui. A proximidade temporal entre o abuso e a descoberta da gravidez levanta a possibilidade de o abusador ser o pai. Isso traz mais complexidade ao trauma dela.
A chance do ex-namorado ser o pai do bebê existe, já que eles tiveram um relacionamento sexual. Depois, Daphne se envolve com Jack e Frank simultaneamente. A relação com Jack é mais estável e representa uma busca por segurança e estabilidade emocional.
Com Frank o relacionamento é mais impulsivo. No entanto, o filme inteligentemente não está preocupado em responder quem é o pai da criança, mas mostrar a jornada emocional de uma mulher que está tentando se encontrar.
Jack e Frank oferecem a Daphne duas opções diferentes: a estabilidade e a segurança de um relacionamento calmo e baseado em afinidades intelectuais (Jack), ou a intensidade e a paixão de um relacionamento impulsivo e marcado pela imprevisibilidade (Frank).
A indecisão de Daphne entre os dois reflete o próprio conflito interno entre a busca por segurança e a atração pelo caos. Ela se sente dividida entre o desejo de um futuro estável e a necessidade de viver o presente intensamente.
É importante notar que nenhum dos dois representa uma “solução perfeita”. A jornada dela não se resume a escolher um parceiro, mas aprender a se amar e a se priorizar. O filme usa a dinâmica entre Jack e Frank para explorar a autodescoberta de Daphne.
Jack foi o primeiro a saber que Daphne estava grávida. No início ele ficou feliz, mas ela revelou que, quando ele estava viajando, passou um fim de semana com Frank. Sem pensar duas vezes, ele terminou o relacionamento sem nem se importar com o bebê.
Frank só fica sabendo da gravidez quando encontra Daphne pessoalmente, ele está com uma namorada, então marca um encontro pra depois. Nesse encontro, ele demonstra alegria pela chegada de um bebê, pergunta se o filho é dele, ela diz: ‘ele é meu”.
As cenas finais mostram Daphne mais segura de si e focada em construir um futuro para ela e o filho, independentemente de um relacionamento romântico. Ela demonstra ter aprendido a se priorizar e a lidar com suas próprias questões.
A mensagem central é que ela encontra a força e a felicidade dentro de si mesma, e não necessariamente em um relacionamento amoroso. A ênfase está na jornada de autodescoberta e na sua capacidade de seguir em frente como mãe solo.
A revelação do abuso sexual sofrido por Daphne transforma Amor A Três em uma história sobre trauma, recuperação e resiliência. O filme não se limita a um simples triângulo amoroso ou a uma crise de identidade. Ele aborda temas complexos e delicados.
A indecisão de Daphne entre Frank e Jack passa a ser vista sob outra ótica: ela não está apenas indecisa entre dois homens, mas tentando se encontrar e se curar após um evento traumático. O filme convida o espectador a olhar além da superfície para compreender as complexidades da experiência humana.
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Informação | Detalhes Técnicos |
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Filme: | Amor A Três Ano: 2024 |
Título Original: | Endings, Beginnings |
Diretor: | Drake Doremus |
Gênero: | Drama, Romance |
Avaliação IMDB: | 5.6 |
Classificação etária: | 14 |
Duração: | 1h 51min |
Elenco: | Shailene Woodley, Jamie Dornan, Sebastian Stan, Matthew Gray Gubler, Lindsay Sloane, Noureen DeWulf, Shamier Anderson, Penny O’Brien, Kelly Albanese, Sherry Cola, Pia Shah, Presciliana Esparolini, Ben Esler, Julian Works, Anais Lilit, Ny Oh, Wendie Malick. |
Onde assistir: | Netflix |
Erradíssimo o comentário que fala quem é o pai do filho dela, não pode ser o abusador e o ex namorado. Quem viu o filme sabe que teve uma passagem de tempo.
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