Minha história

Minha paixão pelo jornalismo começou na adolescência. Eu editava o Diário do Pedestre, um jornal fictício totalmente escrito à mão em uma agenda pequena de capa cinza. Era uma sátira ao glorioso Diário do Nordeste, impresso aqui no Ceará. Os desenhos mal feitos ilustravam as matérias, produzidas com ajuda do imaginário repórter Babau. Ele era uma espécie de repórter investigativo – e essa se tornaria a minha profissão anos mais tarde.

Depois dessa fase, comecei a trabalhar e pude comprar o meu primeiro computador. Liguei alguns cabos conectando o modem à linha telefônica, depois de dias intermináveis lendo tutoriais e consegui conexão com a internet. Era 1998. Fiquei em êxtase quando a página do portal UOL abriu. Havia uma enorme facilidade de acesso a uma biblioteca infinita, sites de pesquisa, revistas, livros gratuitos. Também me apaixonei pela criatividade dos banners publicitários e a imensidão de gifs animados. Meu sonho era produzir um site e aprender a desenvolver gifs animados. Eu tinha uma pasta cheia deles, fazia download de tudo que via. Matuto é o cão.

Gastava 40% do meu parco salário com internet. Faltava enfartar quando a conta do telefone chegava. A conexão às vezes caía a cada três minutos e reconectava automaticamente. Cada ligação era uma nova despesa, além do tempo de permanência. Comecei a estudar a linguagem HTML, ler tutoriais na internet e assinei algumas revistas de informática. Com ajuda de uma ferramenta gratuita desenvolvi um site sobre Ubajara. Era uma coisa tosca, mas funcionava. Eu recebia e-mails de ubajarenses que estavam fora do Brasil me parabenizando pelo site, de pessoas que desejavam informações como onde se hospedar em Ubajara, e ainda sugestões e críticas sobre a administração pública, com o objetivo que eu encaminhasse para a Prefeitura.

Depois de ter editado um jornal como o Diário do Pedestre, o site foi uma excelente experiência nesse quesito comunicação. Eu estava me aproximando das pessoas e essa convivência me deu a oportunidade de saber exatamente que tipo de informações elas gostariam de ter, no entanto um jornalismo sério estava me esperando quando eu topei com o ubajarense e meu ex-professor de história, Edmundo Macedo (in memoriam).

Fatos que antecederam essa topada: Lendo uma revista de informática encontrei a informação de que era possível formar um grupo de discussão. Então formei o grupo Migos e Migas de Ubajara e nos comunicávamos por correio eletrônico. Era 1999. Foi nesse período que o ubajarense Carlos Cunha Miranda, um grande empresário radicado no Rio de Janeiro (foi ele o iventor das ampolas quebráveis de remédios), me encontrou em um site de busca. O primeiro a se cadastrar no grupo. Eu tinha dificuldades em recolher os e-mails do pessoal de Ubajara para fazer o cadastro das pessoas no grupo, pois na cidade ninguém tinha e-mail ainda e as redes sociais nem existiam. Eu sou uma espécie de Matusalém da Internet…

Pois bem, topei com Seu Edmundo. Toda orgulhosa do meu site tosco, contei para ele que tinha desenvolvido uma página sobre Ubajara e que dessa forma tive contato com um grande amigo dele de infância, o Seu Carlos Miranda. Ele se emocionou muito e me contou todas as peripécias que os dois aprontavam quando eram garotos. Logo, me disse que estava precisando de alguém que pudesse editar o Informativo O Senhor da Canoa, pois tudo era feito em São Paulo. O Informativo O Senhor da Canoa era um periódico que ressaltava o passado, a identidade e a cultura do povo ubajarense. Era o retrato da alma do professor Edmundo. Saudosismo puro. O nome faz referência ao significado dos topônimos “uba e jara”. Eu aceitei o desafio, mesmo sem experiência alguma em diagramação. Passei dias lendo tutoriais do Corel Draw, cutucando aqui e ali. Não foi nada fácil. Eu não tinha com quem trocar informações, fazer uma pergunta, nada. Só eu e um computador 386. Fui tão destemida que depois de aprender tive a audácia de oferecer um curso de informática dentro da minha casa e dava aulas com uma apostila que eu mesma desenvolvi (a cidade ainda não oferecia cursos de informática).

Por vezes eu publicava artigos de opinião no Senhor da Canoa, um deles foi sobre o tema Turismo e Qualidade de Vida – nesse período eu estava cursando Turismo.

O rótulo de “repórter” eu adquiri no ano 2000, quando um belo dia o Professor Edmundo, meu chefinho no Informativo, me incumbiu de uma missão: fotografar um dos candidatos a prefeito. Eu tinha uma máquina fotográfica analógica, daquelas que funcionam com filme de revelação (Sai, Matusalém!). Depois de tantos ensaios (ainda não tinha vencido a timidez), pensei ter feito a bendita foto, mas quando levei para revelar fui informada que o filme havia queimado. Perda total. Claro, essa história virou uma crônica e, sabendo do acontecido através da grande rede mundial, o amigo Carlos Miranda imediatamente me enviou via correios uma máquina digital super ultra mega moderna (na época) que funcionava com um disquete de três polegadas dentro – as fotos eram salvas diretamente no disquete, por isso demandava um certo tempo. Era a sensação do momento, a máquina. Um equipamento mais cobiçado que a Gabriela, personagem do Jorge Amado. Miranda me presentou alegando que “uma repórter não pode ficar sem uma câmera”. Essa máquina foi minha companheira de guerra por muitos anos, sempre com uma caderneta e uma caneta na bolsa.

Como minha cabeça sempre fervilhava de ideias e pensamentos, decidi colocar tudo isso pra fora e comecei um Blog, que mais tarde se chamou ‘Blog Pensante de Monique Gomes’. https://moniquegomes.wordpress.com/ Eu aprecio o gênero crônica, porque a crônica é humorada, despojada. É o texto de bermudas, como disse um escritor. Paralelo ao Blog, montei um site com domínio registrado migosemigas.com.br – hoje não está mais disponível na internet, mas guardei parte dele nesta página: http://www.folhaubajarense.com.br/migosemigas.htm

O site Migos e Migas dava suporte para divulgar o grupo de amigos de Ubajara e os artigos e crônicas que eu escrevia no Blog eram linkados lá, pois o domínio  .com.br  é bem mais fácil de ser lembrado e acessado  pelos visitantes. Uma das crônicas mais acessadas foi Barrada na Caixa Econômica, que conta sobre minha fobia de portas giratórias de bancos.

Então, depois do Diário do Pedestre, do site tosco, da formação do Grupo Migos e Migas, do Blog Pensante, do Site Migos e Migas, do Informativo O Senhor da Canoa, meu desejo era produzir um jornal impresso. Ano 2005. Bolei um projeto para um jornal que se chamaria Folha Ubajarense e enviei para a Prefeitura. Meses depois a ideia amadureceu e a cidade de Ubajara voltou a respirar uma antiga tradição (a publicação de periódicos  remonta desde os primeiros habitantes que assentaram naquelas terras – clique aqui). Nessa fase eu adotei um perfil mais profissional, aperfeiçoando minhas habilidades como repórter fotográfica. O jornal caiu no gosto da população, porque além dos assuntos da gestão pública, tinha a página “ubajaridade”, com assuntos diversos.

Com a quebra do contrato, os moradores não me deram sossego: “cadê o jornal?” – era a pergunta que eu ouvia diariamente na padaria, no salão de beleza, na locadora, enfim.

Pensei na viabilidade de produzir um jornal independente e meti a cara. Produzia as matérias e paralelamente visitava os comerciantes para vender os anúncios – mas como serviço gráfico custa os olhos da cara, mudei para uma versão online. Então, depois do Diário do Pedestre, do site tosco, da formação do Grupo Migos e Migas, do Blog Pensante, do Site Migos e Migas, do Informativo O Senhor da Canoa, do Jornal Folha Ubajarense impresso, nasceu o Jornal Folha Ubajarense online, no dia 20 de Agosto de 2009, no formato independente, depois de dias exaustivos de estudo e pesquisa. Meses depois eu estava cursando Jornalismo Socioambiental e, anos depois, Letras com habilitação em Português. Como amante do jornalismo, viver a experiência de editar um jornal online é extremamente gratificante. Sem menosprezar os jornais impressos, mas o jornal online é um banco de dados que fica registrado para todo o sempre nos buscadores da vida. O feedback é imediato. E ninguém usa o jornal online para embrulhar sabão…

Guardo com carinho a página de recados que os leitores postaram na minha mensagem de despedida. Tenho orgulho de ter deixado um legado: uma parte da revelação da verdadeira história sobre a origem da cidade… (Ficção, hehe).

Com a mudança para a região do Vale do Acaraú (2012), retomei o antigo blog que estava criando teias de aranha, dei um novo layout e aqui está. O Blog Pensante continua pensando, mas agora é o Blog da Monique, um espaço informal que vou usar sempre que houver necessidade de desovar as ideias…

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5 comentários sobre “Minha história

  1. Oi Monique,que beleza te encontrar de novo!!
    Esse perfil de não desistência é maravilhoso e bem feminino,quanto a exposição das mulheres pra serem “coroadas”a mais bonita, faz parte da estratégia do sistema para nos desunir via competição e o pior é que continuamos caindo na balela.
    O bondinho não é prioridade para quem pensa apenas no turismo de praia,mas o que me deixa triste é a falta de mobilização .da região. na defesa de um instrumento turístico tão lindo,importante e não predatório.
    Um abração!
    Verônica oliveira

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    1. Parabens Monique,que bom termos jovens como vc. São raras as “cabeças pensantes”,tão jovens como a sua .Sempre li e gostei da folha Ubajarense, sempre encaminhava para alguns amigos ou conterraneos.Vá em frente menina! Celia

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  2. Oi, Monique.

    Engraçado, eu sempre soube das suas peripécias mirabolantes e acompanhei de perto o incrível Migos e Migas, e de longe suas outras aventuras, já que por algum motivo voce deixou de gostar de mim… sniff…
    Hoje eu me espanto quando vejo que ficou gravada na minha adiposa mente a surpresa que voce fez no meu local de trabalho à época (um susto tão prazeiroso…) e a forma graciosa como sempre me recebeu em Ubajara (sonho de criança).
    Depois que casei de novo, minha segunda esposa, assim como a primeira a qual voce viu uma vez em um hospital,,não me deixa mais ir a serra (he he…)… Coisa de mulher.
    Mas o importante é que você vai ficar marcada por toda minha vida (parece aquele programa da Globo…) como uma mulher exemplo, descomplicada, que teve momentos difíceis mas soube manter a alegria de viver e contagiar a todos (e não são poucos) que te amam de verdade. E acima de tudo, pela “rebeldia” em ter amor a vida acima de tudo!
    Olha, vou ficar torcendo prá que a gente passe em Acaraú e te veja toda vez que formos a Camocim, onde meu sogro nasceu e tem uma linda casa.
    Quanto a mim, sempre viajando, (sete dias em Aracati, sete dias em Fortaleza…), conhecendo pessoas maravilhosas a cada dia, mas agora dedicado integralmente a uma gatinha que tem um coração do tamanho do mundo e pela qual estou apaixonado “ad perpetum”.

    Te adoro, MIGA!!!!!

    Dagó

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  3. Gostei do blog e da sua história, é um belo exemplo de conquista de sonhos sempre que puder estarei acompanhando. Sucesso.
    Sou uma aluna da profissional do curso de redes agora 3º ano.

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