Desafio sinistro sobre Marketing de Conteúdo

Imagine a seguinte situação hipotética: Você acabou de montar uma agência de marketing de conteúdo. Sua equipe é pequena, porém criativa e eficiente. Como resultado do seu trabalho que focou em escrever artigos para educar o mercado acerca da importância de investir nesse tipo de marketing, você foi procurado por um empresário dono de uma rede de funerárias que deseja aumentar o reconhecimento da marca usando os recursos da internet: blog, redes sociais, etc. O empresário disse que deseja se destacar a ponto das pessoas se lembrarem imediatamente da funerária dele quando precisarem de uma.

Sabendo que o público-alvo, ou persona, pode ser bem amplo, afinal a morte não escolhe sexo, ocupação ou faixa etária, que tipo de conteúdo você produziria?

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O principal objetivo desse desafio é provocar o exercício de uma habilidade muito necessária no marketing de conteúdo: a criatividade.

A funerária é um cliente perfeito para treinar nosso potencial criativo. Como produzir um conteúdo bacana que dê mais visibilidade a uma empresa que trabalha com um produto que só é vendido em um momento de dor?

Antes de tudo, vamos fazer algumas divagações. Primeiro para quebrar as convicções que estão arraigadas dentro de nós (segundo porque eu tenho que ser persuasiva pra ninguém duvidar da minha sanidade mental).

Morrer. Esse é o nosso destino. Todos nós um dia iremos comer capim pela raiz: a morte é a única certeza inexorável, verdade absoluta e incontestável.

Costumamos pensar na morte como um acontecimento ruim, afinal toda perda é difícil. Mas em que momento ela é cruel a ponto de abalar nossa estrutura emocional de maneira que não conseguimos trabalhar ou nos alimentar direito, tamanha a tristeza? Quando ela atinge um ente próximo, um ser do nosso convívio. Quando acontece com qualquer outra pessoa, mesmo sentidos conseguimos enxergar a morte como um processo natural, não é mesmo?

Essa observação é importante porque temos que analisar todas as possibilidades para a criação do conteúdo sem preconceitos. Fazer um banco de ideias, mesmo que algumas sejam descartadas depois.

O que são as redes sociais?

Em essência, são locais de entretenimento.

A empresa quer se destacar entre os concorrentes. Quer ser referência. Quer ser imediatamente lembrada sempre que alguém precisar dela. Quer ser popular.

Basicamente, o que uma empresa precisa fazer para se destacar é não agir igual aos outros. Ser diferente.

O que os concorrentes dele estão fazendo?

Acabei de acessar algumas fanpages de funerárias. A identidade visual é quase sempre a mesma: o céu e a pomba da paz. Sabe que tipo de conteúdo eles estão postando? Publicidade e vídeos de animais fazendo gracinha, entre outras coisas sem noção. Vamos combinar: publicidade não cativa ninguém e vídeos com animais fofinhos não têm a capacidade de promover o gatilho mental necessário para que uma funerária seja memorável.

O que poderia ser trabalhado como conteúdo para as redes sociais dessa empresa? Vamos comigo montar um banco de ideias:

  • Literatura, contos de terror, poesias góticas

No campo da literatura, nossa. Edgar Allan Poe é autor de poemas e contos que envolvem o mistério e o macabro no estilo Zé do Caixão. Seus contos poderiam ser adaptados em microcontos – com link para a versão original. É um jeito irreverente de falar sobre a morte sem debochar da dor de ninguém. Tem ainda o visceral Charles Baudelaire e os brasileiros: Machado de Assis (A Causa Secreta e Outros Contos de Horror / Três contos fantásticos), Álvares de Azevedo, Thomaz Lopes (Contos Macabros), Humberto de Campos (O Monstro e outros Contos), Aluízio Azevedo (Melhores Contos).

  • Aforismos

Os aforismos são muito populares nas redes sociais e são bem-vindos no conteúdo de qualquer tipo de empresa que quer engajar. É aquele momento em que as pessoas param para refletir diante de uma frase de efeito.  Os temas para a funerária poderiam ser paz e espiritualidade, sem entrar em religião.

  • Dicas de saúde

Apesar de parecer um pouco estranho no primeiro momento: imagina que louco uma funerária falando sobre saúde? Seria interessante fazer uma pesquisa aprofundada sobre os números e as causas de suicídios, que tem crescido muito nos últimos anos. Por exemplo, a depressão profunda certamente é uma das causas que levam uma pessoa a tirar a própria vida. Sabendo disso, poderiam ser elaborados posts com dicas para driblar a depressão, como a prática de atividades físicas, etc.

Não é porque a gente vende caixão que vai desejar que as pessoas morram, né?

É importante repensar a identidade visual da empresa e adotar uma postura mais clean.

Para ilustrar o conteúdo que seria publicado na internet, eu aconselharia a contratação de um ilustrador para criar personagens exclusivos para fortalecer a identidade e aumentar o reconhecimento da marca. Tipo aqueles personagens do pessoal da Toysquotes – ou qualquer coisa que passe longe de pombas brancas.

O que achou desse banco de ideias? O que você acrescentaria ou mudaria?

Se preferir, copie e cole o texto abaixo e marque um X na opção:

[   ] Você viajou na maionese

[   ] Achei as ideias legais e aplicáveis

[   ] Preciso pensar sobre o assunto

Monique Gomes é jornalista certificada em Marketing de Conteúdo e Co-fundadora do Projeto TM Fácil.

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