A morte do cantor Cristiano Araújo revelou uma série de babacas

O acidente que vitimou o sertanejo Cristiano Araújo e sua namorada Allana Moraes no dia 24 de junho causou uma série de comentários, críticas e achismos. Hoje, com o boom das redes sociais, estamos nos comunicando mais e a opinião alheia está sempre em evidência. Dia a dia. Muitas vezes nos deparamos com a declaração de um amigo e nos surpreendemos com a linha de pensamento daquela pessoa. É natural que cada um guarde sua própria individualidade. Cada ser vivo tem a sua visão de mundo, de acordo com suas experiências, fantasmas e vivências. Mas, há excessos que facilmente podem ser diagnosticados como diarreia mental.

O primeiro fato que causou polêmica com a morte do cantor foi a declaração do pai ao saber da morte do filho. Em estado de choque, questionou ele: “Será que Deus existe?”. Imediatamente choveram inúmeras críticas de pessoas que se sentiram ofendidas com o fato dele ter colocado em dúvida a existência divina. Ora, cadê o senso de compreensão e compaixão por aqueles que sofrem? Será que ninguém tem o direito de expressar a sua própria dor? Isso é ser cristão?

“A cobertura na mídia foi exagerada”. Talvez tenha sido mesmo, mas e daí? Quem reclama deve passar muito tempo assistindo tv. No noticiário, eu vi a transmissão da participação de Cristiano Araújo em programas como o de Ana Maria Braga, Angélica, Faustão e Rodrigo Faro. Talvez seja por isso que eu não liguei o nome à pessoa no início, apesar de conhecer as músicas dele. Não sou muito de ver televisão.

“Eu nem sei quem é esse cantor”. Você pode não saber, mas milhares de pessoas sabem. Lembre-se que estamos falando de um ser humano que perdeu a vida brutalmente e o fato de você não conhecer a pessoa não diminui a importância dela para todos aqueles que a conheceram. Criticar a cobertura da morte de um famoso e comparar com a morte de uma pessoa comum ou até mesmo com crianças passando fome na África não vai ajudar o país. Nossos problemas sociais se resolvem de outra forma.

“Não vai fazer falta para a música brasileira, porque isso nem é música” . Primeiro: a sua opinião não é tão importante quanto você pensa que é, ou seja, você não é o senhor unanimidade. Segundo: Não é porque você não gosta de um estilo musical que ele é considerado lixo. Terceiro: queira você ou não, a música sertaneja faz parte da nossa cultura, sim senhor.

A babaquice mor, depois – é claro – do vídeo que fizeram mostrando a autópsia no corpo de Cristiano, foi a do jornalista Zeca Camargo, que escreveu uma crônica sobre a morte do cantor, narrada no jornal da GloboNews (confira o vídeo abaixo). Na crônica, ele praticamente diz que todas as pessoas que se comoveram com o acontecido são patéticas idiotas e comparou a importância que se deu à tragédia com aqueles livrinhos de colorir – ambos “destacando a pobreza da atual alma cultural brasileira”. No entanto, essa crônica não é digna de um jornalista, porque é carregada de preconceitos e achismos. É o tipo de comentário que só um coração muito amargurado é capaz de fazer – vamos lembrar que Zeca foi rejeitado pela baixa audiência do programa Vídeo Show, exibido na Globo.

Além de ter ofendido amigos, família, fãs e todos os brasileiros que participaram da despedida ao cantor (cenas mostradas no vídeo durante a narração da crônica), Zeca ainda conseguiu ser odiado por um outro tipo de público: aqueles que aderiram à prática de colorir os livros chamados Jardins Secretos. Na boa, no mundo tecnológico e estressante que vivemos hoje, os livros de colorir são aliados da nossa saúde mental – não vilões. Por que criticar as pessoas que gostam de passar o tempo colorindo desenhos? É como criticar alguém que lê quadrinhos ou joga vídeo game pra se divertir. Cara, que louco! Estamos vivendo uma nova ditadura? Seria a ditadura da idiotice?

Monique Gomes é jornalista freelancer, blogueira, cinéfila, isenta de glúten e certificada em Marketing de Conteúdo pela Rock Content.

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7 comentários sobre “A morte do cantor Cristiano Araújo revelou uma série de babacas

  1. Considerei a matéria do Zeca bastante coerente. Me sensibilizei com a morte do, até então, desconhecido Cristiano, mas da mesma forma que me sensibilizo com a morte de um estranho que estampa a cara do asfalto em qualquer lugar desse planeta doidão em que tento viver. Culturalmente, mesmo considerando que a estética pode se apresentar de maneiras diferentes aos olhos e ouvidos de outras pessoas, a música apresentada pelo rapaz é ruim, bem executada, com arranjos bem escritos, mas ruim. Melodia simplória, lirismo em blocos, falta de sutileza, de comunhão com uma poesia mais efetiva. Música é ciência exata, matemática, não há contra argumentações. Poderiam deixar pra depois, pra poupar os familiares, mas, imagino, existe uma urgência de expressão. Isso é bom.

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    1. Observe: quando a gente diz que uma música é ruim, ela é ruim do ponto de vista de quem? do nosso. Criamos uma capa de preconceito que direciona a nossa opinião para outros caminhos que não o da verdade. O que é ruim para você é muito bom pra um monte de gente. O Zeca gosta de rock e alfinetou o sertanejo. Se Bono Vox tivesse morrido, ele teria alfinetado? Uma verdade tem que valer para todos.

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      1. O mau gosto está intimamente ligado a falta de informação e, mais ainda, de mecanismos de defesa dos ataques da máfia do jabá que é praticada pelas rádios. Elas pagam aos radialistas uma quantia por execução de uma única faixa que os empresários denominam “de trabalho”. Geralmente escolhem músicas de fácil assimilação, monossilábicas, de dois acordes “Aê, aê, aê aê. Ê, ê, ê, ê. Ôô, Ôô, Ôô, Ôô…”. Bem mais difícil, devido a preguiça cognitiva da massa, que assimilar um álbum orquestrado, ou com várias camadas e texturas sonoras. Daí a dificuldade de penetração de quem faz uma música mais rebuscada. Isso é manipulação da opinião pública. E as empresas que adotam o jabá tem sua responsabilidade no empobrecimento da música em geral. Se vc fizer uma pesquisa rápida vai identificar grandes nomes da MPB em selos de fundo de quintal ou independentes. Nos EUA e na Inglaterra essa prática não só é proibida como abominável. As pessoas com pouca informação, infelizmente, são presas fáceis. Música ruim é música ruim. A música, embora considere o casamento perfeito entre a matemática e o sentimento, é uma matéria exata. O Zeca tem as predileções dele, tenho as minhas e vc, as suas, mas se nos livrarmos da paixão, se observarmos a coisa de uma forma isenta e compararmos, o Rock, verdadeiramente, e em todos os quesitos técnicos e líricos, é bem superior ao sertanejo “universitário”, ou ao funk, por exemplo. Mas inferior ao jazz e a música clássica do milênio passado. É um fato que pode ser comprovado matematicamente através de uma análise de escalas, melodias, etc. No meu caso não considero preconceito pq preconceito é um conceito pobre de substância, eu entendo da teoria musical e observo a música de forma bastante analítica (se perde um pouco da espontaneidade, admito), me autodenomino uma pessoa que, de uma maneira consciente, discrimina alguns poucos ritmos e músicos. Sobre a questão do Bono, é outra coisa. Bono é um artista renomado, planetário, e faz uma música de qualidade mediana (não considero U2 uma banda top 50 do rock, não gosto desses caras que tentam dar contornos messiânicos a si mesmos. Nem que a causa seja justa. Mas faço uma boa coletânea do U2 pra ouvir no carro), bem diferente do Cristiano Araújo, que era o representante de um ritmo infestado de músicos ruins, de cafonice poética e de sanfona (não sei a razão, mas odeio sanfona)…

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        1. “O mau gosto está intimamente ligado a falta de informação” – Só essa frase aqui abre uma discussão enoooorme. Então, se uma pessoa não tem muito conhecimento de mundo, e, por exemplo, curte as músicas do grupo É O Tchan, ela tem mau gosto no ponto de vista de quem? De quem tem bom gosto? Quem julga o que é bom ou mau gosto?
          Eu gosto muito de rock e pra mim é o estilo que mais faz meu coração vibrar. Embora algumas vezes eu tenha dito algo ou criticado outros estilos, hoje eu penso que não tenho o direito de dizer que música X é superior ou inferior, porque existem N situações, mesmo sabendo da manipulação que você acabou de falar. Enquanto nós consideramos música melosa, milhares de pessoas se identificam com aquelas letras, a tal sofrência. Muita gente se identifica com aquela mensagem. É uma coisa cultural, mas temos o direito de dizer que é inferior? Não.

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          1. Nisso concordamos, eu escrevi “que a estética pode se apresentar de maneiras diferentes aos olhos e ouvidos de outras pessoas”, entendeu? Mas há mecanismos para detectar música de baixa qualidade. É uma ciência exata.

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