O jornalismo na voz de Milton Nascimento

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Milton Nascimento, quem diria, hein. Tão zen, tão reservado…

Através da canção Maria, Maria, o cantor e compositor abriu a caixa de pandora e escancarou os bastidores da profissão de jornalismo. Ele poderia ter usado metáforas de difícil compreensão ou até mesmo mensagens subliminares nesta que é uma de suas canções mais conhecidas da Música Popular Brasileira. Mas não. Ele literalmente jogou a merda no ventilador, sem dó nem piedade. Você que é jornalista, conheça a verdade sobre a música Maria, Maria, que é, de fato, o nosso mantra. Vamos por partes:

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Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta

Observe que nesse primeiro momento ele nomeia o “jornalismo” por ‘Maria’, nome que remete à santidade, renúncia e sacrifício. Nós, jornalistas, temos o dom, uma certa magia: transformar fatos em notícias, criar o lead, redigir cumprindo prazos e editar a matéria no espaço disponível. Uma profissão que merece sobreviver, amar e ser amada como outra qualquer do planeta…

Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Som, cor e suor são aqueles dias em que estamos cobrindo um evento. É preciso estar atento ao gravador de voz, ao uso da câmera fotográfica e ao bloquinho de anotações, simultaneamente. Uma gente que ri quando deve chorar é a definição mais perfeita e que deveria constar nos dicionários para o verbete ‘jornalista’. Todo bom jornalista é meio bipolar, mas não chora quando leva calote dos clientes. Ele não vive. Ele apenas aguenta conviver com as dívidas.

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Essa é a parte motivacional da canção. Força, raça e gana. Quem traz no corpo a marca, o dom e a paixão pelo jornalismo mistura dor e alegria. O jornalista poderia fazer qualquer outra coisa como matar, se drogar, se prostituir, vender rosas de plástico numa festa com banda de forró… mas não. Ele tá fazendo jornalismo. Pensa em desistir, come o pão que o diabo amassou, desce até o fundo do poço, mas não desiste.

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Manha, graça, sonho. E essa estranha mania de ter fé na vida. É paixão.
Mais explícito, impossível.

Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!

Pra acabar de matar o jornalista na base da paulada, Milton Nascimento relembra a época da escravidão (tudo a ver) e intensionalmente cita o refrão da música tema de Escrava Isaura, chamada Vida de Negro, de Dorival Caymmi: Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê…

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3 comentários sobre “O jornalismo na voz de Milton Nascimento

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