Ninguém perguntou a minha opinião, mas…

…eu sou contra os concursos de beleza que elegem a garota/mulher mais bonita. O cenário é sinistro. Um grupo de mulheres está em exposição, como se fosse mercadoria. Elas são fisicamente analisadas por uma equipe de jurados que farão a escolha daquela que, na opinião deles, é a mais bonita. Tudo isso pra quê? Ao colocar essas meninas na arena machista da ditadura da beleza, a sociedade está garantindo que elas se reconheçam como rivais, jamais aliadas. Isso causa consequências negativas no comportamento dessas pessoas, além de alimentar o bicho papão do estereótipo da beleza, fazendo com que todas as outras mulheres e a diversidade de outros tipos de beleza se sintam diminuídas, menosprezadas, incompreendidas.

Cada mulher é única em sua própria beleza e, francamente, a beleza feminina não deveria ser um objeto de comparação, pelo menos não dessa maneira agressiva e
machista.

Não foi a maturidade que me fez pensar assim. Esse pensamento que vomito agora  me acompanha desde sempre. Quando eu era adolescente, participei de vários  desfiles de moda, alguns deles em um evento anual, FEPAI – Feira de Produtos Artesanais da Região da Ibiapaba. Não fiz esse tipo de trabalho porque gostava, mas porque fui convidada e, como não tinha nenhuma ocupação, acabei entrando. Os desfiles eram apenas para apresentar a coleção das lojas de moda, mas, em um determinado evento, correu o boato de que haveria a escolha da miss não sei o quê.
Falei com o organizador do evento, o Prof. Raimundo (in memoriam), sobre o concurso, disse que não estava interessada em participar. Ele negou que haveria a eleição, afirmou que seria apenas o desfile. Na certeza da minha desistência, ele mentiu. Logo, eu estava lá, exposta em uma enorme prateleira adornada com tapete vermelho, em observação por uma equipe de jurados. Poderia ter abandonado a arena da morte, mas fiquei sem ação. Pela minha falta de simpatia, dizem, “conquistei” o segundo lugar.

Desfilar para competir com outras mulheres o título da mais bonita não deveria alimentar o ego de ninguém. Certamente, muitas meninas de hoje não se deram conta que isso é uma atitude silenciosamente opressora, que esconde um mal terrível, que é a submissão e o consentimento do que é degradante para a alma.

Deveríamos parar com concursos ridículos de beleza e incentivar a autonomia da nossa juventude!

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