O cúmulo da economia de infraestrutura

Dizem que o cúmulo da paciência é esvaziar uma piscina com um conta-gotas. O cúmulo da vaidade é engolir um batom para passar na boca do estômago. O cúmulo da safadeza é dar em cima da secretária eletrônica. Eu encontrei um novo quesito. É o cúmulo da economia de infraestrutura.

Vamos a uma breve introdução. Nos grandes eventos onde uma demanda considerável de pessoas frequenta é preciso contratar banheiros químicos. Segundo a Revista Mundo Estranho, banheiros químicos “são privadões portáteis, que armazenam o cocô e o xixi de multidões em grandes eventos que não contam com instalações sanitárias fixas nem com redes de água e esgoto. A limpeza da caca só acontece depois de todos usarem o aparelho”.

Quem já teve a (grande) oportunidade de entrar em um banheiro químico sabe que aquilo é a supremacia da claustrofobia.  Pois bem, existe coisa bem pior que está dominando o mercado de eventos, principalmente shows e clubes de vaquejadas. Eu não sei bem o nome daquela coisa. Há quem chame de “mijador”. Eu chamo: O Fenômeno da Economia de Infraestrutura Sanitária.I

Se você é uma pessoa de fé, agradeça a Deus se não souber do que estou falando.  Esse fenômeno não é algo novo, pelo contrário, é primitivo, mas está se espalhando de forma avassaladora como se fosse tecnologia de ponta.

Vou tentar simular uma situação para poder explicar. Você está lá, curtindo a festa, e de repente precisa atender as necessidades fisiológicas. Fazer um xixi. Entra no banheiro e… surpresa. O sanitário é uma sequência de buracos no chão sutilmente revestido de cerâmica, talvez para dar um ar de modernidade. Não tem paredes separando um buraco do outro – mas modernidade ainda. Imagine que seu xixi será assistido por todas as pessoas que estiverem ali. O chão molhado gera uma dúvida: sentar ou agachar? A cena é bizarra. Um grupo de mulheres, algumas bêbadas, tentando se equilibrar sozinhas ou com ajuda de amigas.

É inegável que esse projeto de infraestrutura sanitária é o auge da economia de tudo: espaço físico, paredes, portas, material hidráulico, inclusive água. O desperdício está na falta de higiene e privacidade. No passado distante não existia toaletes e os gregos preferiam se aliviar ao ar livre, ou seja, em público. Isso ainda ocorria na Roma do início da era cristã, época em que era comum o uso de penicos. A popularização do que conhecemos como banheiro aconteceu na Europa em 1668, através de um decreto determinando que todas as casas construídas na cidade a partir daquela data deveriam ter esse cômodo – o que aconteceu com esse decreto? Não sei.

Monique Gomes

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3 comentários sobre “O cúmulo da economia de infraestrutura

  1. “What a wonderlfull world!!!”

    Monique, diante dos “banheiros” de Frexeirinhas, (isso ainda existe, como no meu tempo de viajante, no século passado?) os banheiros químicos devem ser o supra sumo da engenharia pós-moderna. Sua descrição é assustadora. Dispenso conhecê-los.

    Agora, o cúmulo da economia de infraestrutura redunda mesmo é no cúmulo da economia de respeito pelo cidadão. Ou é o contrário? rss

    Beijão

    Clara

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