Lei é lei e um pneu é um pneu

Quem me conhece sabe que eu sou certinha quando o assunto são leis de trânsito. Outro dia eu estava dando carona a uma colega de trabalho e quando parei no sinal vermelho ela disse: ‘Pode passar, Monique. Aqui não tem problema…’. Acontece que eu tenho bons motivos para não infringir as regras, pois penso que, em uma fatalidade, quem anda errado responde pelo erro. E que tipo de argumentos eu poderia usar para me defender de uma situação dessas? Atravessar o sinal vermelho não é uma coisa legal, com exclusividade o único sinal que eu às vezes avanço é aquele da estrada do Teleférico. Quem sabe um dia, com o desenvolvimento do turismo, eu possa ter o prazer de ficar numa fila de carros esperando o sinal daquela avenida abrir.

Certa vez eu estava trafegando tranquilamente pela Avenida dos Constituintes quando um pedestre que vinha pela minha esquerda, no canteiro da avenida, se abaixou para pegar um objeto que havia caído. Até aí, tudo bem, não fosse o fato dele levantar a perna enquanto se abaixava. Que tipo de pessoa levanta a perna quando vai se abaixar? Em questão de segundos tive que desviar para não levar a perna dele comigo, e o infeliz nem se deu conta do acontecido. Mas, e se não tivesse dado tempo desviar a direção, de quem seria a culpa? Eu estava andando corretamente, pelo menos isso daria bons argumentos a meu favor.

Sendo assim, quando o meu sinal está aberto e alguém cruza o meu caminho ameaçando uma batida, eu seguro a buzina em atitude de protesto, sabe. Por isso foi engraçado vivenciar um fato que aconteceu na semana passada, quando eu me vi como o centro das atenções do protesto de outros motoristas. Parada no sinal e com um caminhão enorme bem na minha frente, não visualizei o sinal, que estava passando de amarelo para vermelho, apenas concluí que se o carro à frente seguia, dava para seguir também. Provei do meu veneno ganhando um festival de buzinas. Com razão.

Sou a favor de que as leis sejam rigorosamente cumpridas, mas um belo dia de sol, a caminho da nossa vizinha cidade de Tianguá, lá estava eu, batendo boca com um policial rodoviário, prestes a ser presa por desacato a autoridade. Minutos antes, eu estava em frente ao computador do meu escritório na tentativa frustrada de imprimir o boleto referente ao pagamento do licenciamento do carro. Nada. Então imaginei que o Detran ainda não estava disponibilizando esse material para impressão. Segui em frente, até ser barrada no Posto de Fiscalização, onde fui informada que meu carro seria retido. Expliquei ao policial que eu tinha acabado de verificar no site do Detran e o boleto não estava disponível. Ele acessou o site do próprio notebook e constatou o que eu tinha afirmado, mas, apesar disso, registrou a multa e segurou o carro. Não sou do tipo que faz barraco, mas não suporto injustiça. Iniciei uma retórica inflamada sobre direitos e deveres do cidadão para descontentamento do policial, que estava bufando de raiva. Muitas horas depois, ao acessar o site através de uma lan house, consegui emitir o maldito boleto e constatei a infeliz realidade: o site só pode ser acessado com o navegador do Internet Explorer, e tanto ele quanto eu tínhamos utilizado o Google Chrome. Com toda a minha secular experiência em internet, desconhecia esse fato. Imagine os outros milhões de usuários, anh.

Lei é lei e um pneu é um pneu, por Monique Gomes – Jornalista socioambiental pela DW Akademie, formada em Turismo e Hotelaria pela UVA, graduada em Letras/Português pela UFPB, repórter fotográfica, redatora, cronista.

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