Coisas sem noção no mundo gay

A última parada gay que aconteceu em São Paulo evidenciou um fato lamentável. Como é notório, esse movimento é uma manifestação que prega a liberdade de escolha e igualdade. No entanto, essa ideologia, que tinha tudo para ser uma causa nobre, entrou em contradição quando esse mesmo grupo, em acordo, apresentou cartazes estampando a imagem de santos católicos recomendando o uso de preservativos. Ora, se eu exijo respeito, como posso desrespeitar a fé de milhões e milhões de pessoas?

Todas as manifestações de protesto em busca da igualdade são extremamente bem-vindas, mas é preciso considerar que, quando um grupo – excluído ou marginalizado – se rotula de vítima, começa a acontecer uma espécie de exaltação em grandes proporções que gera o abandono da filosofia da igualdade enquanto uma bandeira de superioridade é levantada. Foi o que aconteceu com os responsáveis pelo kit gay que, de maneira partidária, tendenciosa, elaboraram um conteúdo inapropriado para o público infantil.

O kit gay é um projeto de uma organização não governamental em parceria com o Ministério da Educação que seria distribuído nas escolas do país, não fosse o veto da Presidenta Dilma. São cartazes, banners, panfletos e um DVD contendo historinhas de crianças e adolescentes que despertaram para a homossexualidade. A princípio, a ideia seria combater a homofobia, mas o vazamento de alguns vídeos no youtube deixou explícito que as crianças não têm necessidade alguma de assistir ao material. Primeiro porque elas não estão nem um pouco preocupadas com a opção sexual. Segundo porque para combater a homofobia é preciso, acima da informação, a educação. A educação do respeito ao próximo, que deve vir de casa e ser extensivo à escola.

Em outras palavras, a homofobia existe e deve ser combatida com afinco. Mas ela não merece atenção exclusiva. As escolas estão sobrecarregadas da responsabilidade de educar. Os professores, além de lecionar as disciplinas convencionais, são desafiados a fazer o trabalho que muitas famílias, totalmente desestruturadas, não conseguem ou se negam a fazer: educar. Os professores de hoje são as Super Nannys da vida real que lidam com a indisciplina, a intolerância, a violência. Por essas e por outras, as nossas escolas não precisam de um kit educativo exclusivamente destinado ao combate da homofobia. Precisam de um kit completo sobre tudo: cidadania, educação sexual, gravidez precoce, racismo, drogas, homofobia, tolerância religiosa, machismo, violência doméstica, respeito aos idosos, bulling, cyberbulling – dentro da faixa etária conveniente.

Vamos unir forças para permitir um novo olhar sobre a Educação e os problemas enfrentados pela sociedade e gestores governamentais.

Coisas sem noção no mundo gay, por Monique Gomes – Jornalista socioambiental pela DW Akademie, formada em Turismo e Hotelaria pela UVA, graduada em Letras/Português pela UFPB, repórter fotográfica, redatora, cronista.

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s