Reduzir e reutilizar, por Monique Gomes

De todas as práticas que visam a sustentabilidade do meio ambiente, a mais revolucionária é aquela que transforma o ser humano em alguém ecologicamente correto. Sim, porque somos nós quem ditamos as regras. Pode parecer simples, mas a mudança de comportamento do tipo deixar de jogar o lixo pela janela do carro faz parte de um processo bastante complexo.

Reduzir deveria ser a palavra da hora. O consumismo exacerbado leva as indústrias a produzir enlouquecidamente, causando mais prejuízos ao meio ambiente. Um movimento de boicote às indústrias poderia ser iniciado a nível nacional – mas como? Com práticas de redução e reutilização. Algumas opções estão em voga no país, como os brechós, para o quesito roupas e acessórios. Além dos convencionais, existem os brechós virtuais, no qual o blog é a ferramenta mais utilizada. Existem comunidades de jovens e adolescentes que vendem as próprias roupas entre si. As peças, que ficariam esquecidas no guarda-roupa, ganham vida em uma nova dona – um desprezo certeiro àquela peça que está no manequim da loja do shopping.

Os sebos, locais onde é possível comprar livros que já tiveram um dono, é outra forma de reutilizar um produto sem a necessidade de adquirir outro. Um título que custa em média 30 reais nas livrarias convencionais pode ser adquirido pela metade do preço em sebos como a ww.estantevirtual.com.br. A economia aí é de grana e árvores, muitas árvores.

Controlar a besta fera da indústria não é uma tarefa simples. Passeie calmamente por um supermercado e procure observar as prateleiras com olhos de pesquisador, então você vai perceber que existem futilidades que são verdadeiras aberrações de desperdício, como é o caso do papel higiênico com folhas triplas. O consumidor mais exigente (pra não dizer outra coisa) pode se questionar se esse produto é realmente necessário. Absorvente feminino. Dentro de cada pacote existe uma embalagem exclusiva para cada unidade. Levando em consideração a quantidade de mulheres no mundo que usam em média 2 pacotes por mês, é fácil imaginar o montante de lixo gerado pelo excesso de plástico acumulado.

A indústria coca-cola tem dado excelentes exemplos de redução, se bem que naquela época das garrafas retornáveis não precisava de projetos como esse, mas o fato é que a marca despertou para uma pegada mais ecológica com o lançamento da PlantBottle, uma garrafa 100% reciclável e parcialmente vegetal – 30% dela é feita à base de planta, substituindo o uso de petróleo. No momento a PlantBottle só pode ser vista em alguns estados brasileiros. Aqui no Ceará ainda não chegou.

Uma novidade que pode estremecer as estruturas da indústria e transformar totalmente nossa atitude em relação ao planeta, se for colocada em prática, pode ser uma salvação. A ideia é dos pesquisadores McDonaugh e Braungart, que desenvolveram uma teoria em que todos os produtos de consumo deveriam ser fabricados imitando as leis da natureza, reaproveitando tudo num ciclo de vida infinito. Os autores testaram a ideia na edição do próprio livro, ‘Repensando a maneira como fazemos as coisas’, impresso em folhas de plástico, acredite, com tinta não poluente. O material pode ser reutilizado com a publicação de um outro livro. A proposta é ousada. Eles acreditam que é possível fazer o mesmo com produtos eletrônicos. A fábrica de aparelhos de tv, por exemplo, seria responsável pelo produto, assim como a reutilização das peças. O usuário pagaria apenas pelo serviço de usar o equipamento. Assim, quando a nossa tv quebrar, receberemos uma nova, ainda assim continuaremos pagando, mas apenas pelo serviço, enquanto a indústria providencia a reciclagem do antigo aparelho.

Monique Gomes – Jornalista socioambiental pela DW Akademie, formada em Turismo e Hotelaria pela UVA, graduada em Letras/Português pela UFPB, repórter fotográfica, redatora, cronista.

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