Todo obstáculo ao progresso da cultura é um mal

Esse texto eu produzi em agosto de 2003, mas como as palavras não têm prazo de validade, resolvi publicar novamente. Circulou na internet e no Jornal das Famílias Soares & Cunha, edição n. 33. Eu tava muito mordida quando escrevi isso, por isso peço desculpas se algum ubajarense se sentir ofendido.


Ubajara completa 88 anos nesse domingo, 24 de Agosto. Nesse aniversário, se eu pudesse, daria um presente para a cidade. Apesar de ser intangível, no meu delírio eu faria um pacote bem bonito e colorido, enrolado com um laço de fita.

O resgate da cultura seria meu presente. Não sei ao certo o momento em que ela foi seqüestrada, mas conheço o berço onde foi gerada, no início do século passado.

Em 1841 as primeiras famílias se instalaram aqui. Construíram suas casas de barro cobertas com palha, nas proximidades da Lagoa do Jacaré. Em 1915, com o desenvolvimento do local, mereceu a alteração de povoado à categoria de Vila ( Lei 1.279, de 24 de agosto de 1915 ).

Naquela época, uma única cartilha era o material necessário para a educação dos jovens e nesse tempo em que se dava a mão à palmatória, um grupo ímpar de intelectuais foi gerado: Oscar Magalhães, José Agapito Pereira, Abdelkader Magalhães, Raimundo magalhães, Hemetério Pereira, Antônio Pereira, Pedro Ferreira, Cavalcanti Filho, Flávio Ribeiro Lima, Edmundo Macedo, Carlos Miranda, Manoel Miranda, Mozar Cunha, entre outros que não ouso lembrar o nome porque infelizmente eu ainda não existia nem como embrião, aliás, tomei o atrevimento de escrever essas linhas porque conheço a história da cidade através de documentários, deixados por eles próprios.

Esses jovens se reuniam periodicamente para trocar idéias, discutir opiniões acerca dos livros que liam. Muitos editaram bons livros e um deles foi membro da Academia Brasileira de Letras. Do grupo seleto de poetas e escritores, surgiram vários jornais que circularam em Ubajara a partir de 1900. Nascia aí o amor pela cidade e pela preservação de uma história.

Ano 2003, século 21. Onde estão os intelectuais ? O que fizeram da cultura que borrifava os ares de Ubajara ? Onde estão nossos poetas quando precisamos deles ? Hoje o que predomina é a Cultura vergonhosa do DIZ-QUE-DIZ. O que vai restar para as próximas gerações?

Todo obstáculo ao progresso da cultura é um mal*.
Voltemos à palmatória!

* frase de Condoccet.

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s