Sopa de letrinhas

Ao redigir uma matéria para o Jornal Folha Ubajarense sobre o lançamento do livro “Memórias de Manoel Ferreira de Miranda”, grande jornalista empírico que fundou diversos periódicos na região, me veio a idéia de publicar também a relação completa de jornais que já circularam em Ubajara.

Pesquisei na “Revista do Cinqüentenário de Ubajara”, impresso na gestão do ex-prefeito Domício Pereira, por volta de 1965. O primeiro jornal consta do ano 1900 e era produzido manualmente. Imagina a força de vontade do senhor José Agapito Pereira, fundador de “O Cascudo”, e a consciência sobre a importância da informação, em pleno ano de 1900, sobretudo na pequena vila denominada “Jacaré” (Ubajara passou a categoria de município em 1915).

Tamanha foi a importância desse primeiro jornal, que em seguida vieram outros e felizmente essa febre jornalística não cessou. Atualizei a lista, que tinha parado em 1962 com “O Planalto”, de Dário Macedo. Com a atualização, fiquei contente em ter meu nome como responsável em dois jornais.

O Informativo O Senhor da Canoa, fundado por Edmundo Macedo (querido amigo que resolveu ir para o andar de cima) em 1995, era um jornal formato revista com 24 páginas, que eu sofria feito condenada para diagramar por inexperiência na área. É fato que eu sempre fui atrevida para o trabalho e o Informativo foi uma escola. O primeiro número que editei ficou meio tosco, com muitos espaços perdidos, mas a partir do segundo corrigi os defeitos e leitor algum perceberia que eu tinha acabado de me apresentar ao Corel Draw.

Remexendo as edições do Senhor da Canoa para encontrar o período da última impressão, voltei no tempo com as lembranças das coisas que o amigo Edmundo me contava. Ele demonstrava saber que a hora de partir estava próxima. Insistia muito veementemente pra eu publicar a entrevista que tinha feito comigo – e eu nunca publicava. Certa vez, me disse: “eu não quero ir lá pro outro lado sem antes ter a sua entrevista no informativo…”. Depois dessa, resolvi publicar e isso aconteceu exatamente na última edição, em junho de 2002. Logo em seguida, ele adoeceu.

Apesar de ter uma tiragem de impressão muito pequena, o Informativo O Senhor da Canoa era esperado com muita ansiedade pelos ubajarenses. Quem não lembra de ver Edmundo Macedo andando com aqueles passinhos lentos pelas ruas de Ubajara, segurando um rádio gravador que ora gravava, ora não? O problema não era do gravador, mas do usuário, que ao apertar o play, pensava estar apertando o REC. Claro que ele sempre culpava o gravador…

Muitas foram as vezes em que ele ia até a minha casa, sempre com uma pasta cheia de fotografias e textos. Por horas eu ouvia as histórias, muitas vezes repetidas, dos bailes que freqüentava no Clube onde hoje funciona a Prefeitura, entre outros acontecimentos da infância e adolescência.

Assim como Edmundo Macedo, Carlos Miranda foi outro ubajarense que me incentivou a beber dessa cachaça boa que é o jornalismo. Minha primeira máquina digital foi presente dele. E a primeira máquina digital a gente nunca esquece.

Que figura de imortais!
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Abaixo, a listagem de todos os jornais que circularam em Ubajara:

1900 – O Cascudo, Jornal manuscrito fundado por José Agapito Pereira.
1901 – O Porvir, Jornal manuscrito fundado por Pompílio Abílio Pereira.
1904 – Ubajara, primeiro Jornal impresso fundado por Raimundo Magalhães. Teve duração de 6 meses.
1908 – O Oriente, jornal manuscrito fundado por José Vasconcelos.
1908 – A Tesoura, jornal crítico e humorístico que surgiu para combater O Oriente.
1909 – O Serrano, jornal impresso fundado por José Vasconcelos com duração de 1 ano.
1915 – A Ibiapaba, fundado e editado por Manoel Miranda e Craveiro Filho. Teve duração de 6 meses.

Manuel Ferreira de Miranda nasceu em 02 de agosto de 1886. Estabeleceu-se em Ubajara em 1903, onde instalou a “Farmácia Miguel Couto” (atual Farmácia Jurupary). Em 1915 fundou o jornal A Ibiapaba, quando Ubajara era apenas uma vila. Anos antes, foi um dos responsáveis pelo Jornal O Serrano. Em 1924 iniciou a publicação da Gazeta da Serra, informativo de grande influência na região norte do Estado. Era impresso de forma artesanal em sua própria oficina. Passando a residir em Fortaleza, fundou o Jornal A Tarde. Colaborou com artigos para os jornais: “O Rebate”, de Sobral, o “Nortista” e a “Gazeta do Sertão”, do Ipú, entre outros. Escreveu para os almanaques “Bertrand”, “Luso Brasileiro” e “Senhoras”. Manoel Ferreira de Miranda faleceu no Rio de Janeiro, em 13 de julho de 1955, aos 69 anos.

1916 – Ubajara, segunda fase do jornal que teve início em 1904. Responsáveis: Abdelkader Magalhães, Grijalva Costa e Hemetério Pereira. Teve duração de 6 meses.
1924 – A Gazeta da Serra, jornal fundado por Manoel Miranda. Impresso em oficinas próprias.
1925 – Ubajara Revista, publicação periódica fundada e dirigida por Oscar Magalhães e Flávio Ribeiro Lima. Teve a duração de 1 ano.
1926 – O Porvir.
1928 – Ubajara
, na terceira fase, foi editado por Grijalva Costa e Hemetério Pereira.
1928 – O Sol.
1932 – A Luz.
1956 – A Serra Grande
, fundado por Edmundo Macedo, era impresso em Fortaleza. Circulou de maio de 1956 a fevereiro de 1957.
1962 – O Planalto, fundado por Dário Macedo. Impresso em Fortaleza.
1995 – O Senhor da Canoa, fundado por Edmundo Macedo foi inicialmente impresso em São Paulo. A partir de 1999 foi editado em Ubajara, por Monique Gomes. A última edição circulou em 2002.
1997 – Folha da Serra, fundado por Fco. Estevão dos Santos Carmo. Teve a duração de 7 anos.
2005 – Jornal Folha Ubajarense, fundado e editado por Monique Gomes. Informativo da Prefeitura Municipal de Ubajara.

Circula também o Informativo particular das Famílias Soares e Cunha, de Rubens Soares Costa.

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2 comentários sobre “Sopa de letrinhas

  1. Monique,
    Aqui quem fala é o professor Kleber Rocha, que te conheceu No Instituto de Ubajara. O professor que te prometeu enviar artigos para o jornal. Espero que leia o que eu estou te escrevendo, porque deixei o seu email em Ubajara e não pude te enviar um o texto. Se ler esse comentário, por favor retorne para me informar como te enviar o texto.
    Grato!
    KLeber Rocha

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  2. Monique,
    Aqui quem fala é o professor Kleber Rocha, que te conheceu No Instituto de Ubajara. O professor que te prometeu enviar artigos para o jornal. Espero que leia o que eu estou te escrevendo, porque deixei o seu email em Ubajara e não pude te enviar um o texto. Se ler esse comentário, por favor retorne para me informar como te enviar o texto.
    Grato!
    KLeber Rocha (kleberocha@hotmail.com.br

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