Barrada na Caixa Econômica

Há alguma coisa de incompatível entre mim e as portas giratórias dos bancos. Já fiquei presa diversas vezes nelas, por motivos que até hoje desconheço (tenho um chip implantado na cabeça?), mas confesso que minha inimiga mais fiel é a porta giratória da Caixa Econômica Federal, agência de Tianguá.

Numa bela manhã de sol, lá estava eu, na sala que antecede a porta giratória da Caixa Econômica, catatônica, observando as pessoas entrando e saindo em voltas e mais voltas, como se para me certificar que nada de anormal poderia acontecer comigo.

“Coragem” – pensei, e entrei pela porta giratória toda confiante. Não foi surpresa quando aconteceu a costumeira trava. Empurrava com força e a maldita porta brincando de estátua. “Deve ser o celular”, pensei, e me veio um flash back de quando eu fiquei barrada também na porta do Banco do Brasil, mesmo tendo colocado o celular na caixinha de objetos. Voltei. Nessa hora, meu rosto, que já estava corado de vergonha, queimava. Coloquei o celular na caixa de objetos e encarei a passagem novamente. Nova trava. Eu já me sentia a pior das meliantes.

Nesse momento, dezenas de clientes que estavam na parte interna da agência me assistiam. Uns, rindo. Outros, gargalhando. Voltei do local de “impedimento” decidida: “é entrar ou entrar”- era uma questão de honra! E enquanto eu vasculhava a bolsa a procura do raio do objeto que o detector estava barrando, pessoas entravam e saiam naturalmente do banco. Tirei o palm top e a câmera digital e coloquei junto do celular na caixa de objetos.

“Pronto, acabou a festinha”, pensei entrando pela porta, que travou mais uma vez. Os espectadores estavam atentos. Dei um sorriso amarelo para o guarda que estava do lado de dentro me dizendo através de gestos que eu deveria empurrar a porta de maneira suave – parece que aquela porta tem um probleminha de estresse. Então, foi assim que entrei. Recolhi meus aparelhos, pensando que só faltava ter retirado da bolsa o pen drive, aí sim, era rendição ao inimigo, porque sem meu pen drive não sou ninguém. Ele, não tiro.

Uma semana depois tive que voltar à Caixa Econômica, mas fui tecnicologicamente nua, desprovida de qualquer coisa com botões. E nesse dia de árdua espera ( minha senha era 80 ), conheci o amigo Chico de Abreu, senha 79, gente boa, cantor, compositor, humorista e pintor.

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