Aqui jaz alguém

Durante minhas corridas pela Avenida do Teleférico eu passo por essa imagem da foto, um tipo de memorial de alguém que teve a vida interrompida em conseqüência de acidente.

Curioso é que essa tradição de marcar o local da morte com uma cruz me fazia acreditar, quando criança, que o falecido era mesmo enterrado lá, na beira da estrada. O tempo passou e esse costume continua me intrigando.

Observo que, vez ou outra, alguém visita o local e ornamenta com flores, como mostra a foto. Provavelmente a ação de algum parente diante de uma data especial que lembre o falecido – o que faz parecer mais um ritual ao vazio, uma espécie de adoração ao nada. Mas sim, há a intenção.

Penso que o corpo é só uma carcaça que apodrece e se acaba depois do último sono. Nós somos além, e esse além não tem moradia na beira da estrada, nem no cemitério.

Essa tradição acontece há tanto tempo, que ninguém sequer questiona, não revê os conceitos. Apenas faz.

Diante dessa coisa toda, o único fato que acho louvável é que tenha um dia no calendário para lembrar dos mortos, pois se é exatamente na nossa lembrança onde eles moram.

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