Uma campanha por menos capitalismo

buddyDefinitivamente, as indústrias surtaram. A cada dia o meu nível de indignação se supera. Dessa vez, eu fiz a compra de um simples batom – aparentemente é um simples e inocente batom, que, como todo batom, deveria apenas cumprir a missão de colorir os lábios, uma prática do ritual feminino.

Ao utilizar o produto, senti um ardor estranho nos lábios. Sabe aquele gosto apimentado que o Trident sabor Canela deixa? Pois é, eu estava sentindo isso na parte externa da boca. Imediatamente iniciei um estudo empírico do caso e, manuseando a embalagem, percebi que no centro do batom havia um bastão de cor clara. Era esse – pensei – o responsável por aquela sensação pra lá, bem pra lá de refrescante. Suponho que a indústria chame isso de “tecnologia” – na realidade, são conseqüências nocivas da Revolução Industrial.

Não satisfeita com a suposição, busquei informações na internet que validasse a minha hipótese. O que eu descobri? O imprestável do batom tem o próprio site e ainda promete tornar os lábios mais volumosos com a exclusiva tecnologia Maxi Lip Plumping (eu já sou beiçuda, obrigada), deixá-los duplamente mais hidratados (nooossa!) e com cobertura perfeita, além, é claro, do efeito pimenta… eu posso com isso? Eu queria apenas um batom!

Até a bem pouco tempo eu achava que o consumidor tinha total responsabilidade pela criação de produtos assim. Eu acreditava que a indústria fabricava exatamente o que a massa queria consumir, mesmo que ela ainda não soubesse que queria consumir – como é o caso dos celulares, sempre agregando novidades. Hoje eu tenho minhas dúvidas – ou será que o batom que eu comprei passou por uma pesquisa de mercado antes de ser desenvolvido, onde todas as mulheres, por unanimidade, optaram por um batom que arde na boca? O que dizer ainda do consumidor que, ao responder uma pesquisa para uma indústria de papel higiênico, exigiu que o produto tivesse aroma de óleo de amêndoas?

Perambulando na antiga praça do mercado de Atenas, por volta de 400 a.C., Sócrates já se indignava com a quantidade de quinquilharias expostas à venda. O que diria ele hoje, diante de tanto capitalismo?

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